A Polícia Civil desmantelou, nesta sexta-feira (19), um grupo criminoso especializado em furtos a apartamentos. Dois deles foram detidos, em Cuiabá, pela Delegacia de Roubos e Furtos (Derf). Outros dois foram presos em Rosário Oeste, com apoio da Polícia Militar.
Inicialmente, a Polícia Civil obteve informações de que dois homens estariam tentando invadir prédios residenciais na região do bairro Goiabeiras, na Capital.
Diante das informações, foi iniciada uma investigação, que culminou na prisão de um jovem de 18 anos e na apreensão de um menor de 17. Ambos foram detidos em flagrante delito e conduzidos até a delegacia para os devidos esclarecimentos. Durante a investigação, a equipe policial conseguiu confirmar que se tratava de um grupo criminoso composto por quatro indivíduos, provenientes de São Paulo, especializados em praticar furtos com esse modus operandi.
“Esse grupo age da seguinte forma: eles obtêm informações pessoais das vítimas, como nome, endereço e número do apartamento. Daí, vão até as moradias delas. Muitas vezes, acabam conseguindo acesso ao interior dos prédios ou condomínios e tentam praticar o furto. Por isso, a importância de as portarias estarem atentas e não liberarem a entrada de pessoas apenas com a confirmação dessas informações, mas sim com a devida autorização do morador”, explicou o delegado da Derf, Daniel Machado.
Diante dessas informações, a Derf deu prosseguimento à investigação, conseguindo identificar, na cidade de Rosário Oeste, os demais integrantes do grupo criminoso, bem como o veículo utilizado por eles. Em seguida, as informações foram repassadas à Polícia Militar do município, que procedeu à abordagem do veículo e à prisão de outros dois indivíduos.
Após a prisão, a dupla foi conduzida à Derf, em Cuiabá, para os devidos procedimentos legais.
Os quatro detidos foram ouvidos e estão à disposição da Justiça. Três deles devem responder por furto qualificado, associação criminosa e corrupção de menores. O menor de idade deverá responder por ato infracional análogo aos crimes de furto qualificado e associação criminosa.
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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