As aulas do projeto “Rarripe – Ciganos em Cena”, da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT), proporcionam uma formação em teatro para os membros de uma comunidade cigana, em Rondonópolis. A iniciativa conta com recursos da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel) e teve início em fevereiro deste ano, com a participação de 14 pessoas. Desde então, os encontros vêm ocorrendo todos os sábados, no Salão Comunitário do Jardim Iguaçu.
Composto por oficinas e temas relacionados às áreas técnicas do teatro e às artes cênicas, como iluminação, som, cenário e figurino, além da iniciação ao teatro, a ideia do curso é ter uma peça montada com a temática cigana para o grupo se apresentar em outros eventos artísticos e culturais. A maioria das atrizes é composta por mulheres com idades acima de 50 anos. É o primeiro grupo de teatro cigano composto apenas por atrizes e atores ciganos do Brasil.
Um dos idealizadores e executores da proposta, Rodrigo Zaiden, lembra que começou a vislumbrar o projeto em 2017, ao assistir a uma peça encenada por mulheres ciganas não profissionais, em Portugal.
“Aquilo me abriu um novo olhar sobre as possibilidades do teatro e pensei em levar essa experiência para Mato Grosso. Partimos de um grupo de dança já existente, até chegar ao teatro. Hoje, é muito emocionante ver a transformação dessas pessoas, tanto no corpo quanto na forma de se expressar, pensar e se relacionar. Mais do que preparar para apresentações, o teatro proporciona uma vivência profunda consigo mesmo, estimulando a criatividade, a reflexão e o convívio”, destacou.
Após participar da primeira aula, Amanda Pinheiro apontou os benefícios do curso para o desenvolvimento corporal e criativo. “O curso é muito interessante. A gente não está muito acostumada a se movimentar, e o teatro acaba estimulando a criatividade e a concentração, além de fazer bem para o corpo e a mente”, disse.
“Rarripe”, na língua Chibe, do tronco étnico Calon, pode ser traduzida como “ilusão”, “ficção” ou “mentira”. O nome foi escolhido para quebrar os estereótipos e preconceitos seculares em torno das pessoas ciganas, que ainda permeiam o senso comum e o imaginário da sociedade não cigana.
O curso de teatro é integrado ao grupo de Danças Tradição Cigana. A maioria das pessoas participa das duas atividades. Os ensaios são voltados ao aperfeiçoamento e à formação em artes cênicas de modo geral. O Grupo de Danças Tradição Cigana nasceu há cerca de 15 anos, pelo desejo da própria comunidade cigana de Rondonópolis. As apresentações são feitas principalmente durante os eventos da AEEC-MT.
O curso foi contemplado na primeira edição da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), que liberou mais de R$ 3,7 milhões para 31 projetos, sendo R$ 120 mil para cada um.
Confira a programação das aulas para o segundo semestre, aos sábados, entre 16h e 19h:
A chefe do Gabinete de Enfrentamento à Violência de Gênero contra a Mulher, Mariell Antonini, reforçou a importância das vítimas de violência doméstica confiarem na rede de proteção e manterem as medidas protetivas.
O alerta foi feito após uma mulher, identificada como Gleici Fátima Machado Ritter, de 37 anos, ser assassinada a tiros, nesta terça-feira (23.6), em Guarantã do Norte. O principal suspeito é o companheiro dela, de 33 anos. O crime está sendo investigado pela Polícia Civil como feminicídio consumado.
Ele já possuía um longo histórico de violência doméstica contra a vítima. Em novembro de 2025, após um pedido feito pela própria vítima, a medida protetiva que existia contra o investigado foi revogada e ele voltou a responder ao processo em liberdade.
“É importante que toda mulher compreenda que o rompimento do ciclo da violência nem sempre é um processo simples. Muitas vezes, existem obstáculos relacionados à dependência afetiva, dependência econômica, medo, preconceito e outros fatores que dificultam a tomada de decisão. Por isso, é fundamental buscar apoio, acreditar na rede de proteção e no sistema de Justiça”, destacou.
Segundo Mariell Antonini, a violência doméstica costuma seguir um ciclo que tende a se agravar ao longo do tempo.
“A violência é cíclica e, muitas vezes, começa com sinais que podem parecer menos graves, mas pode evoluir para situações cada vez mais letais, culminando na morte da vítima. Ameaças e agressões precisam ser compreendidas como sinais de alerta, e a busca por ajuda deve acontecer o quanto antes”, afirmou.
As primeiras denúncias contra o suspeito foram registradas em 2023, quando Gleici procurou as autoridades para relatar episódios de violência doméstica. Em 2024, novas intervenções policiais ocorreram por crimes como lesão corporal, injúria e posse irregular de arma de fogo, todos envolvendo o mesmo casal.
Já em julho de 2025, o suspeito foi preso em flagrante por lesão corporal no contexto de violência doméstica, após a vítima acionar as forças de segurança. Na ocasião, foram concedidas medidas protetivas de urgência em favor de Gleici. Meses depois, entretanto, a vítima solicitou a revogação da medida, o que resultou na liberdade do suspeito.
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