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Diálogos com a Sociedade debate sustentabilidade e saneamento

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O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), por meio do projeto Diálogos com a Sociedade, promoveu mais uma rodada de entrevistas voltadas à conscientização e ao debate sobre temas de interesse público. Na quarta-feira (30), os assuntos abordados foram sustentabilidade no agronegócio e saneamento básico, com a participação do promotor de Justiça Márcio Florestan Berestinas, da 3ª Promotoria de Justiça Cível de Sorriso; do vice-presidente Norte da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Ilson Redivo; e do diretor-presidente da Águas Sinop, Eduardo Lana.As entrevistas, realizadas ao vivo diretamente do estúdio de vidro localizado na Praça de Alimentação do Shopping Sinop, foram divididas em dois blocos. No primeiro, o tema abordado foi a sustentabilidade no campo em Mato Grosso. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado é maior produtor de grãos do Brasil, responsável por 31,5% da produção nacional.Ilson Redivo iniciou agradecendo a oportunidade de mostrar o que o produtor rural e as entidades como a Aprosoja fazem em benefício do crescimento e do desenvolvimento do Estado. “Nós somos os maiores produtores de soja, de milho, de algodão, de carne bovina, mas nós precisamos desenvolver as nossas atividades sempre pensando na sustentabilidade, sempre pensando nas futuras gerações”, argumentou. O vice-presidente Norte da Aprosoja destacou dois projetos desenvolvidos junto aos produtores: Guardião das Águas e Soja Legal. Conforme o entrevistado, o primeiro visa estimular a preservação das nascentes e o segundo visa adequar as propriedades rurais à legislação considerando os aspectos, social, ambiental e econômico, por meio de visitas técnicas, checklist e selo de conformidade. “A nossa meta é catalogar todas as nascentes de água no Estado de Mato Grosso. Nós temos mais de 1.000 nascentes preservadas e catalogadas em 56 municípios, georreferenciadas, com a situação analisada conforme se encontra. Aquelas que necessitam de melhoramento, como replantio de árvores ou isolamento da área, recebem recomendações da nossa entidade aos produtores, e isso tem sido muito bem aceito. Prova disso é que 95% das nascentes catalogadas estão em bom estado de preservação”, disse. A respeito do Soja Legal, contou que a adesão é voluntária e que os técnicos visitam as propriedades, analisando diversos pontos com base em um checklist. Caso o produtor esteja em desconformidade com algum item, ele recebe um prazo para se adequar. Há diálogo, orientação, e o produtor vai sendo conduzido a se ajustar 100% às normas. Assim que cumpre todos os requisitos, ele recebe o selo Soja Legal.Segundo o entrevistado, antigamente, diante da necessidade de altos investimentos para ingressar na agricultura, havia certa resistência por parte do produtor rural em adotar medidas voltadas à sustentabilidade. No entanto, essa resistência foi superada e, hoje, com estabilidade econômica, o produtor já consegue atuar com foco no equilíbrio ambiental. O promotor de Justiça Márcio Florestan explicou que o MPMT acompanha a execução desses projetos e busca apoiar iniciativas com foco na sustentabilidade. Ele também esclareceu que a instituição desenvolve ações de prevenção e conscientização sobre a importância da preservação do meio ambiente e sobre a necessidade de uma produção agrícola alinhada às exigências de sustentabilidade e conservação ambiental.“Mas é claro que o Ministério Público, no exercício da tutela coletiva do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, também atua de forma fiscalizatória, utilizando os instrumentos legais disponíveis, como o inquérito civil. E quando nos deparamos com alguma modalidade de ilícito ambiental, temos priorizado a conciliação, por meio do Núcleo Estadual de Autocomposição (NEA), buscando o caminho do acordo para viabilizar a regularização ambiental”, acrescentou. Saneamento básico – No segundo bloco da entrevista, Eduardo Lana destacou o impacto direto do saneamento na vida das pessoas. “Quando a rede de esgoto e a água tratada chegam à casa de uma pessoa, muda a vida de toda a família. Para cada R$ 1 investido em saneamento, economizamos R$ 4 em saúde pública”, afirmou. O diretor explicou que a concessionária Águas de Sinop integra o grupo Aegea-MT, responsável pela operação dos serviços de saneamento em 23 municípios do estado de Mato Grosso.O promotor de Justiça Márcio Florestan informou que o MPMT acompanha diretamente esse tema e que a principal preocupação é garantir o cumprimento efetivo das metas estabelecidas pela legislação.“As nossas principais preocupações estão voltadas para que, em Mato Grosso, seja possível viabilizar o cumprimento das metas de universalização do saneamento básico, previstas até dezembro de 2033. O Novo Marco Legal do Saneamento, estabelecido pela Lei nº 14.026/2020, determina que, até essa data, o país deve alcançar 99% de cobertura com distribuição de água potável e 90% de coleta e tratamento de esgoto”, esclareceu.Segundo Eduardo Lana, o grupo Aegea-MT já universalizou o acesso à água tratada nos 23 municípios onde atua, e o foco agora está voltado para o esgotamento sanitário.“Em Sinop, temos diversas frentes de trabalho em andamento, com a previsão de implantação de mais de 100 km de rede de esgoto ao longo de 2025. No fim do ano, será inaugurada uma nova Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), próxima ao rio Teles Pires, com capacidade inicial de 70 litros por segundo. Em Sorriso, a cobertura do esgotamento sanitário foi dobrada e uma nova ETE foi inaugurada. Outros municípios também apresentam avanços significativos, como Cláudia, que já atingiu a universalização, e Porto Esperidião, que deve alcançar essa meta até o fim do ano”, garantiu.Ele argumentou que a universalização do saneamento no Brasil exige entre R$ 500 e R$ 700 bilhões até 2033 e que o poder público não teria condições de arcar com esses custos, por isso, a participação da iniciativa privada é essencial. Para Eduardo Lana, é necessário pensar em modelos e tecnologias que também contemplem as populações fora dos grandes centros urbanos. E, sobretudo, é fundamental que haja uma regulação clara e efetiva, capaz de garantir que os investimentos sejam realizados com segurança e foco em resultados.Márcio Florestan informou que MPMT atua na fiscalização do cumprimento das obrigações pactuadas nos contratos de concessão, bem como as medidas que podem ser adotadas diante do descumprimento das cláusulas. Ele falou também sobre o projeto estratégico “ASAS – Água e Saneamento Sustentáveis”, desenvolvido com auxílio do Centro de Apoio Operacional do Patrimônio Histórico e Cultural, do Meio Ambiente Urbano e de Assuntos Fundiários (CAO Urbe)“O objetivo é fiscalizar a efetiva implementação dos Planos Municipais de Saneamento Básico (PMSBs) e ao alcance das metas do Marco Legal do Saneamento, incluindo também os eixos de drenagem urbana e manejo de resíduos sólidos”, apontou. Por fim, o promotor de Justiça falou sobre a atuação do MPMT para garantir a concretização da tarifa social recentemente estabelecida em lei nacional. “A legislação prevê desconto de 50% para famílias com renda per capita de até meio salário mínimo, em consumo de até 15 m³. Em Sinop, a tarifa já está em vigor. Em Sorriso, foi viabilizada por meio de acordo com o Ministério Público”, revelou. A realização do Diálogos com a Sociedade conta com o apoio de parceiros institucionais, como a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), Energisa, Águas Cuiabá, Oncomed, Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Unimed Mato Grosso, Instituto da Madeira do Estado de Mato Grosso (Imad), Nova Rota do Oeste, Bom Futuro, Amaggi, Águas de Sinop e Aliança do Setor Produtivo. Conduzida pelo jornalista Alessandro Gomes, a entrevista foi transmitida ao vivo pelo programa SBT Notícias Sinop e pelo canal oficial do MPMT no YouTube. Assista aqui à entrevista completa.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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Falta de atendimento e água potável marca debate indígena

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O segundo dia do webinar “SUS Negado, Povo Apagado: A Biopolítica da Morte Indígena”, promovido pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), aprofundou a escuta das demandas dos povos originários e expôs, com contundência, as fragilidades estruturais que ainda marcam o atendimento à saúde indígena no estado. O encontro reuniu lideranças indígenas de diferentes regiões, integrantes do sistema de justiça e representantes da gestão pública, consolidando-se como um espaço de fala e denúncia, mas também de construção institucional.Na abertura, o procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira, titular da Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico, destacou o caráter do evento como instrumento de escuta ativa e crítica. “Este espaço funciona como uma escuta para que possamos compreender, com profundidade, os gargalos da saúde indígena, que muitas vezes se mantêm por interesses econômicos que não podem se sobrepor à vida”, afirmou.Na mesma linha, a promotora de Justiça Maria Coeli Pessoa de Lima reforçou o compromisso do Ministério Público com a transformação das denúncias em providências concretas. “Todos os problemas aqui relatados, especialmente aqueles referentes à gestão e ao financiamento, serão devidamente registrados e encaminhados aos órgãos responsáveis em cada localidade. Nosso objetivo é buscar soluções práticas para questões que não podem mais ser postergadas”, pontuou.As falas das lideranças indígenas evidenciaram uma realidade marcada pela precariedade e pela negligência. O cacique Waraci Xavante relatou a situação crítica dos serviços básicos de saúde nas aldeias. “Nos postos de saúde temos apenas dipirona e ibuprofeno. Não há estrutura, não há medicamentos suficientes. As nossas mulheres ainda carregam água por longas distâncias porque faltam poços artesianos, e isso gera dor, sofrimento e adoecimento”, denunciou.Complementando a denúncia, Bruno Xavante chamou atenção para a negativa de atendimento por parte dos municípios. “Existe uma recusa frequente. Os municípios dizem que a responsabilidade é da Sesai e, com isso, nossos parentes ficam sem assistência. Além disso, enfrentamos discriminação e a barreira da língua, especialmente com aqueles que não falam português”, explicou.A pauta ambiental também ocupou lugar central nos debates. Amanuá Kamayura alertou para a contaminação dos territórios e seus impactos diretos na saúde. “O Rio Xingu está sendo contaminado por mercúrio, e os agrotóxicos das fazendas chegam pelo ar e pela água. Há pesquisadores que dizem não conseguir fazer análises químicas porque faltam equipamentos na universidade, influenciados por interesses políticos de fazendeiros”, afirmou.Com experiência de mais de três décadas na área, José Ângelo Silveira Nambiquara apontou problemas estruturais na gestão do sistema. “A centralização dos contratos em Brasília prejudica o funcionamento na ponta. Falta combustível nos distritos, o que impede ações básicas de atendimento. Precisamos urgentemente de concursos públicos, porque muitos profissionais estão se aposentando, e também é necessário definir quem é responsável pela soberania alimentar dos povos indígenas, já que Estado e municípios se eximem dessa função”, destacou.No campo jurídico, o promotor de Justiça Márcio Florestan Berestinas trouxe reflexões sobre a atuação institucional. “É necessário que o Ministério Público leve ao Supremo Tribunal Federal o questionamento sobre a aplicação de teses restritivas no fornecimento de medicamentos aos povos indígenas. Também devemos discutir a criação de uma fila específica no SUS, como uma ação afirmativa que reconheça a violência estrutural histórica sofrida por essas populações”, propôs.As lideranças também cobraram melhorias na infraestrutura de atendimento. Sebastiana Wamariwê destacou a necessidade de ampliar a rede de assistência. “Precisamos da construção de uma Casa de Saúde Indígena em Água Boa. A população Xavante está crescendo e já chega a cerca de 27 mil pessoas, mas a estrutura não acompanha essa realidade”, disse.Lúcio Xavante reforçou a dificuldade enfrentada no acesso a atendimentos especializados. “A burocracia na regulação de vagas hospitalares é muito grande. Muitas vezes, nossos parentes aguardam por atendimento em situações graves, e isso agrava ainda mais os casos”, relatou.O cacique Damião Paridzané trouxe um relato alarmante sobre a Terra Indígena Maraiwatsédé. “A água que consumimos chega suja de esterco de gado das lavouras vizinhas. Estamos bebendo água contaminada e adoecendo por causa disso”, denunciou.Já Hiparidi Dzutsi’wa Toptiro destacou os impactos diretos dessa realidade na saúde das comunidades. “A mortalidade infantil indígena é maior do que em regiões pobres do país. Precisamos urgentemente formar agentes de saúde e de saneamento para atuar nas aldeias. Não podemos continuar perdendo nossas crianças”, afirmou.Entre os representantes da gestão pública, Caio Wulkai Suya, coordenador no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Xingu, reconheceu desafios no atendimento. “Ainda existe resistência e preconceito contra os indígenas nos hospitais municipais. Precisamos enfrentar essa realidade para garantir um atendimento digno”, declarou.Marcia Rauber, representante do Escritório Regional de Saúde, apontou falhas na articulação entre sistemas. “O SUS e o subsistema de saúde indígena muitas vezes não se reconhecem e não dialogam. Isso prejudica diretamente a continuidade do cuidado e a efetividade do atendimento”, observou.A professora Rosaline Lunardi trouxe contribuições relacionadas à segurança alimentar. “Há grandes dificuldades no acesso a recursos para a agricultura familiar indígena. Garantir alimentação adequada também é garantir saúde”, destacou.O voluntário Valteri reforçou a gravidade da situação sanitária. “A água contaminada por cinzas de queimadas tem causado sofrimento constante nas comunidades. Isso impacta diretamente a qualidade de vida e agrava problemas de saúde já existentes”, afirmou.Ao final da escuta, foram apontadas como medidas a serem adotadas o encaminhamento formal de todas as demandas aos órgãos competentes; a intensificação da fiscalização sobre a prestação de serviços de saúde indígena; a articulação interinstitucional para melhoria da integração entre o SUS e o subsistema indígena; a análise de medidas judiciais, incluindo questionamentos no Supremo Tribunal Federal; o acompanhamento das demandas por infraestrutura, como a construção de unidades de saúde; e o fortalecimento de políticas voltadas ao saneamento, segurança alimentar e formação de profissionais para atuação nas aldeias.Programação – O webinar “SUS Negado, Povo Apagado: A Biopolítica da Morte de Indígenas” é promovido pela Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico, em parceria com o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do MPMT. A programação segue até o dia 11 de junho. Na quinta-feira (1’), a socióloga Haya Del Bel ministrará a palestra “Saúde Indígena e Território: o corpo-terra sob ataque”. Doutora em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com estágio doutoral na Universidad Complutense de Madrid, a pesquisadora participará de debate ao lado da liderança indígena e professora Lucila da Costa Moreira Nawa e do missionário do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Roberto Antônio Liebgott. A mediação será conduzida pelo promotor de Justiça Carlos Rubens de Freitas Oliveira Filho. 

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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