Ministério Público MT

Enfrentamento ao tráfico de pessoas é debatido em Juara

Publicado em

O Marco Regulatório sobre o Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas foi tema de uma palestra realizada pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso, por meio da 1ª Promotoria de Justiça Criminal de Juara, localizada a 690 km de Cuiabá. O evento, promovido Comitê Estadual de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas de Mato Grosso (CETRAP), reuniu na Câmara de Vereadores do município profissionais das áreas da saúde, assistência social, educação e segurança pública. Foram três dias, de 21 a 23 de maio, de amplo debate com o objetivo de apresentar estratégias de enfrentamento ao crime, fluxo de atendimento às vítimas e ações repressivas.

A capacitação contou a participação do promotor de Justiça, Rodrigo da Silva, que apresentou estatísticas nacionais do Observatório da Erradicação do Trabalho Escravo e do Tráfico de Pessoas que apontam o município de Confresa como o maior em número de vítimas resgatadas em situação de trabalho análogo à escravidão. “De acordo com o levantamento de dados de denúncias realizadas pelo Disque 100, o trabalho escravo com jornada exaustiva é o mais frequente em nosso país. De 1995 a 2023, 61.035 trabalhadores em condições análogas à escravidão foram resgatados. Confresa, em Mato Grosso, é o município brasileiro com o maior número de resgates, totalizando 1.393”, destacou.

Leia Também:  Município suspende pregão milionário após notificação do MP

Segundo dados do Escritório das Nações Unidas sobre drogas e crime (UNODC), o tráfico de pessoas é apontado como uma das atividades criminosas mais lucrativas do mundo, fazendo milhões de vítimas e movimentando bilhões de dólares por ano. Como forma de enfrentamento e proteção, o promotor de Justiça ressaltou a importância do trabalho intersetorial integrado, com atenção dedicada à assistência às vítimas de tráfico de pessoas. Além de campanhas de conscientização e da participação ativa da sociedade civil no registro de denúncias.

“Atualmente esse crime está relacionado a outras práticas criminosas e de violações aos direitos humanos servindo não apenas à exploração de mão de obra escrava, mas também a redes internacionais de exploração sexual comercial, muitas vezes ligadas a roteiros de turismo sexual e associações criminosas transnacionais especializadas em remoções de órgãos”, alertou.

Destacou ainda que o Brasil foi o primeiro país a ser condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH), no caso “trabalhadores da Fazenda Brasil Verde versus Brasil”, por violações relacionadas ao trabalho escravo e ao tráfico de pessoas. “Essa decisão reforça a necessidade de ações para que casos similares não se repitam. Eventos dessa natureza são essenciais para dar visibilidade ao problema do trabalho escravo no Brasil”,afirmou.

Leia Também:  Homem é denunciado por tentar matar a companheira e o enteado em Sorriso

O evento contou com a participação de representantes dos municípios de Juara, Tapurah, Porto dos Gaúchos e Novo Horizonte.

Fonte: Ministério Público MT – MT

Advertisement

Ministério Público MT

Empatia transforma trajetórias, afirma filósofo autista

Published

on

“Um laudo só é válido se é olhado por empatia. A partir do laudo é preciso duas coisas: ver o aluno, perceber como ele funciona e, por fim, esquecer o laudo.” A reflexão de Fernando Murilo Bonato marcou a abertura do último painel da capacitação “Abraçando as Diferenças – Escola para Todos”, promovida pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), nos dias 20 e 21 de agosto, em Cuiabá. Com apraxia severa, condição que limita a fala, o conteúdo da palestra foi lido pela mãe dele, Karina Bonato, durante a apresentação intitulada “Uma vida sem normalidade típica importa? Alunos falhados importam? Até onde vai sua empatia?”.Autista de suporte nível 3, escritor, ciclista e estudante do segundo semestre de Filosofia, Murilo se define como um “autistão” e utiliza a escrita como principal forma de expressão. Em um relato permeado por reflexões filosóficas e experiências vividas na escola regular, ele desafiou educadores a enxergarem os estudantes para além dos diagnósticos.Segundo Murilo, um dos maiores equívocos da educação inclusiva é reduzir o aluno ao laudo médico. “Laudo apenas apresenta o caso, mas a convivência transforma o caso”, afirmou. Para ele, a verdadeira inclusão ocorre quando professores e gestores se dispõem a conhecer o estudante em sua singularidade, reconhecendo potencialidades que muitas vezes não aparecem em avaliações ou relatórios técnicos.Ao compartilhar sua trajetória, o jovem relatou que, durante anos, foi visto antes como “um simples autistão perdido” do que como Murilo. Hoje, aos 19 anos, cursando Filosofia e prestes a lançar seu sexto livro, considera sua história uma prova de que alunos frequentemente desacreditados podem alcançar espaços antes considerados improváveis.Um dos momentos decisivos de sua vida escolar, contou, foi quando encontrou um gestor que enxergou além das limitações apontadas pelos diagnósticos. Embora tenha vivido experiências negativas em sala de aula, Murilo destacou que um diretor percebeu nele uma vocação filosófica e o incentivou a retornar à escola após um período de afastamento. A partir desse olhar acolhedor, encontrou motivação para permanecer nos estudos e construir sua própria trajetória.Apesar das dificuldades, ele reconhece a importância da escola em seu desenvolvimento. “A escola, para mim, falhou brutalmente em minha alfabetização. Leio, mas não escrevo. Minha grande habilidade são meus textos, que começaram na pandemia”, relatou. No entanto, ponderou que, se houve limitações no campo dos conteúdos, a convivência e o aprendizado social compensaram parte dessas lacunas. “Se pensar em convivência, tolerância e em aprender habilidades sociais, fui além do esperado, fui muito longe”, destacou.Murilo defendeu ainda que a empatia precisa ir além da compaixão superficial. “Empatia é se ver no outro e pensar como melhorar o meu outro, como potencializar o meu outro através de mim”, escreveu. Em sua avaliação, muitos profissionais ainda compreendem a empatia de forma limitada, associando-a apenas à capacidade de sentir a dor alheia. Para ele, trata-se de um compromisso ativo com o desenvolvimento do estudante.“Para pensar em educação de evolução, precisamos pensar em uma educação empática”, defendeu. O filósofo também criticou práticas que medem os alunos apenas por diagnósticos ou descrições burocráticas, ressaltando que cada pessoa é única e não pode ser resumida por suas limitações.Durante a palestra, Murilo questionou os participantes sobre quantos autistas de suporte elevado conseguem concluir o ensino médio. Ao se definir como uma “anomalia da educação inclusiva”, afirmou que sua trajetória só foi possível graças ao apoio da família, à legislação de inclusão e ao acolhimento recebido em parte de sua vida escolar.Ao abordar os desafios da inclusão, fez uma reflexão contundente sobre as barreiras ainda enfrentadas por estudantes com deficiência. “Sou aluno problema para professores sem empatia, sou incógnita, mas sou alguém, todos somos. Pensar na inclusão me gera um gatilho: se não fosse excluído primeiro, não haveria inclusão. A inclusão só existe por haver exclusão”, afirmou.Apesar das adversidades, Murilo acredita que a escola foi fundamental para sua formação humana. “A escola valeu a pena para mim? Sim, infinitamente sim. Ela falhou comigo? Sim, infinitamente sim. Ela acertou? Obviamente e infinitamente sim”, refletiu.O estudante também fez um apelo para que educadores presumam a capacidade dos alunos, mesmo diante das incertezas. “Presuma sempre competência na incerteza”, afirmou. Segundo ele, pessoas autistas podem compreender muito mais do que demonstram externamente e não devem ser julgadas pela ausência de respostas convencionais.Para finalizar, Murilo voltou a reforçar que sua identidade vai muito além do diagnóstico. “Sou mais que meu laudo, sou fonte de pensamento, sou pensamento puro”, escreveu. Para ele, a educação inclusiva só cumpre plenamente seu papel quando substitui o olhar sobre a deficiência pelo reconhecimento da pessoa e de suas possibilidades. Afinal, como destacou ao longo de toda a palestra, é a empatia verdadeira que transforma trajetórias e permite que o aluno seja visto antes do diagnóstico.O painel teve como presidente de mesa a promotora de Justiça Ana Flávia de Assis Ribeiro. “O que ouvimos hoje foi de um brilhantismo singular. Fernando, você está de parabéns. Tenho certeza de que a Filosofia é, de fato, o seu caminho e espero poder acompanhar muitos outros livros, reflexões e textos que ainda virão. Saiba que o Ministério Público de Mato Grosso terá sempre as portas abertas para receber você e suas ideias, sempre que desejar compartilhá-las conosco. Muito obrigada”, encerrou.

Leia Também:  Prazo para encerramento de escuta social foi prorrogado para o dia 18

Fonte: Ministério Público MT – MT

Continuar lendo

GRANDE CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA