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Ensino da Lei Maria da Penha nas escolas é defendido pelo MPMT

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O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) participou, na tarde de segunda-feira (18), de Audiência Pública que discutiu a implementação da Lei nº 7.143/2023, conhecida como “Maria da Penha vai às Escolas”, em Cuiabá. A legislação prevê que as unidades escolares da rede pública municipal possam adotar atividades extracurriculares voltadas ao ensino de noções básicas sobre a Lei Maria da Penha (Lei Federal nº 11.340/2006), fortalecendo a formação cidadã e o enfrentamento à violência contra a mulher desde a infância.O debate reuniu representantes do MPMT, Câmara Municipal, Defensoria Pública, Polícia Judiciária Civil, Poder Público Municipal e da sociedade civil. A audiência foi requerida pela vereadora Michelly Alencar, autora da lei. O Ministério Público foi representado pela procuradora de Justiça coordenadora do Centro de Apoio Operacional (CAO) sobre Estudos de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher e Gênero Feminino, Elisamara Sigles Vodonós Portela, e pela promotora de Justiça auxiliar do procurador-geral de Justiça, Gileade Pereira Souza Maia. Durante a audiência, a procuradora de Justiça Elisamara Portela reforçou a relevância da educação como ferramenta de mudança cultural e informou que o MPMT já desenvolve iniciativas nesse campo e possui material educativo disponível para as escolas.“Falar de violência contra a mulher é falar de direitos humanos. A Lei 7.143, que criou o projeto ‘Maria da Penha Vai à Escola’, é muito mais do que uma ação de prevenção da violência, é uma oportunidade de formar cidadãos com consciência, empatia, respeito e valores morais. Na escola, ensinamos crianças e adolescentes a pedir ajuda e a não se calarem diante da violência. Ensinamos também a não se tornarem agressores. Essa lei nos lembra que educar é cuidar da vida, é preparar uma geração que valoriza a dignidade humana e sabe conviver em igualdade. Investir nesse projeto é investir em uma sociedade mais justa, segura e humana para todos nós”, defendeu.A promotora de Justiça Gileade Souza Maia destacou a importância da união de esforços para que a lei se torne efetiva. Ela apontou que embora a população saiba da existência da Lei Maria, muitos não conhecem o teor da normativa. E defendeu ser crucial que as pessoas conheçam a razão de existir da Lei e dos programas. “A violência contra a mulher é a maior chaga do nosso país, os dados comprovam isso. A cada ano, em vez de retrocedermos nas estatísticas, avançamos. Mulheres estão morrendo simplesmente por serem mulheres. Crianças estão aprendendo dentro de casa que conflitos se resolvem com violência. Ou seja, a violência contra a mulher tem incentivado outras práticas violentas e se tornou uma das principais causas da violência generalizada. Estamos aqui para apoiar essa iniciativa e afirmar: precisamos, sim, dessa lei. O enfrentamento à violência doméstica é um tema complexo que exige a união de todos nós”, afirmou.Efetividade da lei – A vereadora Michelly Alencar destacou que a legislação precisa sair do papel e se tornar política pública de impacto direto na vida dos estudantes.“Nós não podemos permitir que nossas leis sejam apenas números aprovados. Queremos que elas façam a diferença na vida das pessoas. O projeto Maria da Penha vai às Escolas busca justamente mudar mentalidades, formando crianças e adolescentes que saibam identificar a violência e rejeitá-la desde cedo. Esse trabalho não é apenas das mulheres, é de toda a sociedade, e precisamos do engajamento dos homens também”, declarou.A parlamentar chamou atenção para os índices crescentes de feminicídios em Mato Grosso e no Brasil, ressaltando a urgência da aplicação efetiva da lei. “Em 2024, o Brasil registrou quase 1,5 mil mulheres mortas em razão da violência doméstica. Em Mato Grosso, só até julho deste ano já contabilizamos 32 feminicídios. Não estamos falando apenas de números, mas de famílias destruídas, de crianças que perdem mães e pais. A escola tem o papel fundamental de ser referência positiva, de mostrar às novas gerações que violência não é normal e que pode ser prevenida”, considerou.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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MPMT cobra estudos sobre influência da UHE Manso na seca do Pantanal

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O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) requereu à Justiça medidas para monitorar a influência da Usina Hidrelétrica (UHE) Manso sobre a vazão do Rio Cuiabá e o ciclo natural de inundação do Pantanal. O objetivo é garantir a execução de estudos previstos em acordo judicial e reunir informações técnicas que permitam avaliar os impactos da operação da usina sobre áreas alagáveis, como as baías de Chacororé e Siá Mariana.
Na manifestação apresentada à Vara Especializada do Meio Ambiente, o MPMT destaca que a operação do reservatório de Manso é um dos fatores que precisam ser analisados diante do agravamento da seca na região pantaneira. Estudos citados no processo indicam que a regulação da vazão do Rio Cuiabá pode interferir no ciclo natural de cheias e vazantes, fenômeno essencial para a manutenção dos ecossistemas do Pantanal.
O Ministério Público ressalta que a UHE Manso não é apontada como a única responsável pela redução dos níveis de água no bioma. No entanto, defende que sua operação deve ser avaliada em conjunto com outros fatores que afetam o equilíbrio hídrico da região, como assoreamento, intervenções em cursos d’água, alterações na paisagem e eventos climáticos extremos.
Entre os pedidos apresentados à Justiça está a cobrança para que o Estado de Mato Grosso e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) informem o andamento dos estudos previstos em Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). O documento prevê modelagens hidrológicas e hidrodinâmicas, definição de um hidrograma ecológico e simulações de cenários de liberação de vazão suplementar pela UHE Manso.
Segundo o MPMT, essas informações são fundamentais para definir estratégias voltadas à recuperação do pulso natural de inundação do Pantanal, processo responsável pela renovação dos ambientes aquáticos e pela manutenção da biodiversidade do bioma.
A manifestação também incorpora dados coletados durante a segunda etapa do Projeto Travessia Pantaneira, realizada em julho deste ano. Em audiências públicas, reuniões institucionais e diligências técnicas promovidas em comunidades pantaneiras, moradores, pescadores, ribeirinhos e quilombolas relataram dificuldades relacionadas à escassez de água e aos efeitos da estiagem prolongada.
Durante vistoria na Estrada-Parque Transpantaneira, integrantes do projeto identificaram áreas com ressecamento acentuado e alterações no fluxo natural das águas. O relatório técnico produzido pela equipe aponta a necessidade de aprofundar os estudos sobre os fatores que vêm influenciando a disponibilidade hídrica no Pantanal, incluindo a operação da UHE Manso.
Outro ponto destacado pelo Ministério Público é a previsão de um novo período de seca associado ao fenômeno El Niño. Diante desse cenário, a instituição defende medidas preventivas e maior agilidade na conclusão dos estudos para subsidiar decisões técnicas relacionadas à gestão dos recursos hídricos do Rio Cuiabá e à operação da usina.
O pedido também prevê a apresentação de dados atualizados sobre as vazões afluentes e defluentes da UHE Manso, o nível do reservatório e as condições do Rio Cuiabá, especialmente na região de Barão de Melgaço. Para o Ministério Público, essas informações são essenciais para avaliar os impactos da operação da usina e orientar ações voltadas à preservação do equilíbrio hídrico do Pantanal.
A manifestação é assinada pela procuradora de Justiça Ana Luiza Ávila Peterlini de Souza, coordenadora do Projeto Travessia Pantaneira; pelos promotores de Justiça Joelson de Campos Maciel, titular das 15ª e 16ª Promotorias de Justiça Cíveis de Defesa do Meio Ambiente Natural da Capital; Henrique Schneider Neto, da 1ª Promotoria de Justiça de Santo Antônio de Leverger; Mario Anthero Silveira de Souza Bueno Schober, da 1ª Promotoria de Justiça de Poconé; Adalberto Ferreira de Souza Junior, da 2ª Promotoria de Justiça de Poconé; Liane Amélia Chaves, da 2ª Promotoria de Justiça Cível de Cáceres; e Claudio Angelo Correa Gonzaga, da 1ª Promotoria de Justiça de Itiquira.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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