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Entrevistada cobra inclusão e reforça importância de luta antirracista

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Pesquisa do Instituto Datafolha indica que 59% dos brasileiros consideram que a maioria da população do país é racista. O levantamento ouviu 2.004 pessoas com mais de 16 anos, em 113 municípios, incluindo regiões metropolitanas e cidades do interior de todas as regiões do Brasil, entre os dias 5 e 7 de novembro. Nesta quarta-feira (20), em entrevista concedida à Rádio CBN Cuiabá, como parte da campanha do Ministério Público do Estado de Mato Grosso “Atitudes Vencem o Racismo”, a presidente do Instituto de Mulheres Negras de MT, Antonieta Luisa Costa, abordou a importância da luta antirracista.

“Se perguntarmos quem é racista, com certeza ninguém vai levantar a mão. O mais importante é saber quem é antirracista, aquela pessoa que não aceita determinadas atitudes, que mostra o que está errado e que não naturaliza o racismo. Essa é uma causa de todos nós!”, destacou.

Quando questionada se o movimento antirracista tem ganhado força, a entrevistada avaliou como uma “via de mão dupla”: “Se por um lado existe um levante grande em algumas pautas, por outro tem crescido o número de pessoas que se sentem à vontade em discriminar, em excluir”, observou.

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“Nieta da Casa das Pretas”, como é mais conhecida em Cuiabá, enfatizou que embora as pessoas negras sejam maioria da população no país, ainda são tratadas como minoria. “Os dados apontam que somos a maioria, mas somos minoria em espaços de poder e na visualização dos espaços públicos. Você não vê os nossos rostos nesses espaços. Não podemos ser apenas número, é necessário que a inclusão seja completa”, cobrou.

A entrevistada reforçou a importância dos espaços de diálogo, a exemplo do que vem sendo proporcionado pela campanha realizada pelo Ministério Público de Mato Grosso. “Usamos muito o discurso da igualdade, mas precisamos colocar em prática todos esses direitos. É necessário compreender que vivemos em um país diverso e que tratar o desigual como igual gera desigualdade”, acrescentou. Assista aqui a íntegra da entrevista.

Campanha – No mês da Consciência Negra, a Campanha Estadual do MPMT de Combate ao Racismo lançou vídeo institucional com a participação do jogador Rony, atacante do Palmeiras, e do promotor de Justiça Wagner Camilo, também homem negro. Ambos compartilham reflexões, estimulam a denúncia de práticas racistas e defendem um comportamento mais respeitoso por parte da sociedade. O vídeo está sendo exibido na TV Centro América e foi viabilizado com o apoio de empresas e instituições parceiras (Assista aqui). A campanha também inclui peças visuais para rede digitais.

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A ação contempla também a realização de entrevistas em estúdio na Rádio CBN Cuiabá 95,9 FM, todas as quartas-feiras, com autoridades, lideranças e personalidades sobre a temática.  

Fonte: Ministério Público MT – MT

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Ministério Público MT

Após 19 anos, júri condena réu que matou trabalhador por engano

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Nesta segunda-feira (24), o Tribunal do Júri de Várzea Grande julgou um homicídio ocorrido em 9 de maio de 2007. Quase duas décadas depois, Antônio Wilson Ribeiro foi condenado por homicídio qualificado e ocultação de cadáver, à pena de 13 anos de reclusão.
O caso teve origem em um episódio anterior. Anos antes, uma clínica odontológica havia sido alvo de um crime, ocasião em que uma funcionária chegou a ser feita refém. Tempos depois, William Batista Luz, paciente do estabelecimento, foi confundido com o autor daquela ocorrência.
Em 9 de maio de 2007, William retornou à clínica para dar continuidade ao tratamento odontológico. A suspeita de que ele seria o antigo criminoso desencadeou uma sequência de acontecimentos que terminou em sua morte.
Segundo a denúncia do Ministério Público, William foi algemado e retirado da clínica por um grupo de homens. A partir daquele momento, nunca mais foi visto.
Seu corpo jamais foi localizado.
A investigação, contudo, reuniu uma cadeia de evidências sobre a dinâmica dos fatos e a participação do acusado. Foram apresentados ao Conselho de Sentença depoimentos de testemunhas presenciais, elementos sobre os vínculos entre os envolvidos, dados relativos à presença do réu no contexto do crime e informações relacionadas ao veículo utilizado na retirada da vítima.
A inexistência do cadáver não impediu o reconhecimento da materialidade. O desaparecimento definitivo, as circunstâncias em que William foi visto pela última vez e o conjunto probatório permitiram a reconstrução do homicídio. A morte da vítima também foi reconhecida judicialmente como presumida, com a correspondente emissão de certidão de óbito.
Ao final do julgamento, os jurados acolheram a tese do Ministério Público e reconheceram a responsabilidade de Antônio Wilson Ribeiro pelo homicídio qualificado e pela ocultação do cadáver.
O caso também evidencia um ponto essencial: justiçamento não é Justiça. Ninguém pode investigar, julgar, condenar e executar uma pessoa por conta própria. O monopólio legítimo da aplicação da lei pertence ao Estado, justamente para impedir que a vingança privada substitua o devido processo legal.
Dezenove anos depois, mesmo sem a localização do corpo de William, o Tribunal do Júri apresentou sua resposta.
É possível esconder um cadáver. A verdade dos fatos e a resposta da Justiça, não.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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