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Oficina prática encerra formação sobre escuta especializada

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O terceiro dia da formação Escuta Especializada e Depoimento Especial no Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente (SGDCA) de Cuiabá foi realizado nesta terça-feira (07) e marcou o encerramento do ciclo de atividades promovido pelo Ministério Público de Mato Grosso. A programação contou com a realização de uma oficina prática com representantes de toda a rede de proteção da criança e do adolescente, incluindo profissionais da segurança pública, saúde, assistência social, educação (município e estado) e conselhos tutelares.A oficina, que teve como foco o estudo de casos reais, foi coordenada pela professora doutora Leila Chaban e pela professora mestre Teresina Arruda. Antes da análise prática, as facilitadoras apresentaram um amplo contexto histórico sobre o enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil e em Mato Grosso, destacando a evolução das políticas públicas, dos movimentos sociais e da legislação até a consolidação da Lei da Escuta Protegida.Durante a contextualização, a professora Teresina Arruda ressaltou que o enfrentamento à violência sexual passou por diferentes fases ao longo das últimas décadas. “De 1975 até os anos mais recentes, tivemos um processo intenso de mobilização social, estudos acadêmicos e construção coletiva de conceitos que nos permitiram avançar do debate sobre trabalho infantil e prostituição infantil para o reconhecimento da violência e da exploração sexual como violações de direitos”, explicou.A professora também enfatizou a importância da organização e do cumprimento dos fluxos de atendimento dentro da rede. “Ter fluxo é fundamental, mas ele precisa ser seguido corretamente para garantir proteção integral e evitar novas violações”, afirmou, defendendo a necessidade de planejamento, monitoramento e avaliação contínuos das práticas adotadas nos territórios.Ao apresentar a metodologia da oficina, Leila Chaban destacou a relevância da formação para o fortalecimento da atuação intersetorial. “É uma iniciativa importante porque reúne atores institucionais de toda a rede de proteção social, permitindo que a gente se fortaleça enquanto equipes técnicas e evite a revitimização da criança que já está em sofrimento”, pontuou.Segundo Leila Chaban, o trabalho com estudos de caso reais, preservando a identidade das vítimas e dos envolvidos, possibilita identificar falhas e lacunas no acompanhamento. “A nossa intenção é compreender onde o processo não funcionou para buscar alternativas e soluções, garantindo que a criança e o adolescente não precisem percorrer inúmeros serviços em busca de atendimento”, afirmou.Leila também ressaltou que a escuta especializada e o acolhimento só são efetivos quando há conhecimento profundo do território e da rede disponível. “Para efetivar os direitos humanos, é essencial conhecer o território na sua integralidade e articular os serviços, evitando que a vítima seja submetida a múltiplas abordagens e deslocamentos”, completou.A assistente social do MPMT em Várzea Grande, Michelle Moraes Santos, ressaltou ainda que a realização de estudos de caso é fundamental para qualificar a atuação das equipes que atendem crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência.“Ao analisar casos concretos, as equipes aprimoram a escuta especializada, fortalecem a articulação entre os serviços da rede de proteção e identificam falhas e potencialidades nos fluxos de atendimento. Iniciativas como a oficina que promovemos por meio do Grupo Violes/Universidade de Brasília (UnB) contribuem diretamente para o aprimoramento técnico e ético das intervenções, assegurando respostas mais efetivas, humanizadas e alinhadas às diretrizes da Lei nº 13.431/2017”, destacou a assistente social do MPMT.O terceiro dia de atividades encerrou o ciclo de formação realizado pelo MPMT entre os meses de março e abril. Ao todo, foram registradas 230 inscrições, sendo 85 profissionais participantes no primeiro dia, 120 no segundo e 23 profissionais selecionadas(os) pelo Grupo Violes/UnB no último dia de formação.No curso da terça-feira (07), estiveram representadas a Secretaria de Estado de Educação, a Secretaria de Estado de Assistência Social, a Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá, o Ministério Público (MPMT), o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), o Conselho Tutelar e a Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (DEDDICA).A iniciativa é promovida pelo Grupo de Pesquisa Violes, da Universidade de Brasília, em parceria com a Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, e com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, por meio do projeto Enfrentamento às Violências contra Crianças e Adolescentes: descentralização e territorialização da Lei da Escuta Protegida. A iniciativa conta ainda com o apoio da 27ª Promotoria de Justiça Criminal de Cuiabá.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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Instituições unem esforços em mutirão para população de rua

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O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) participou, nesta quinta-feira (27), da 5ª edição do Mutirão PopRuaJud-MT, realizada no Ganha Tempo da Praça Ipiranga, em Cuiabá. A iniciativa reuniu instituições do sistema de Justiça, órgãos públicos e entidades parceiras para oferecer atendimento gratuito e garantir o acesso a direitos fundamentais da população em situação de rua.Durante a mobilização, representantes do MPMT destacaram a importância da atuação integrada para ampliar o acesso dessa parcela da população aos serviços públicos e promover dignidade às pessoas em condição de vulnerabilidade social.A ouvidora-geral do Ministério Público, procuradora de Justiça Eliana Cícero de Sá Maranhão Ayres Campos, ressaltou que a ação representa uma oportunidade de aproximar os serviços públicos de quem mais necessita. “Essa ação busca garantir dignidade e celeridade a essa população que vive em extrema vulnerabilidade. Estamos aqui para tentar devolver a essa população aquilo que todo ser humano tem direito e merece”, afirmou.O procurador de Justiça Alexandre de Matos Guedes enfatizou que o Ministério Público tem como compromisso institucional a defesa das populações vulneráveis e destacou a complexidade das situações enfrentadas por pessoas que vivem nas ruas.“As pessoas em situação de rua compõem um coletivo muito diferenciado. Algumas mentes limitadas pensam que é só pagar uma passagem para mandar as pessoas embora, mas não é assim. Muitas são da própria Baixada Cuiabana, outras estão empregadas, mas não conseguem arcar com o custo de vida. Há ainda situações relacionadas à saúde mental e à dependência química. O Ministério Público está aqui, junto aos demais órgãos, para receber e atender essas pessoas”, observou.Para o promotor de Justiça Henrique Schneider Neto, o mutirão cumpre um importante papel ao dar visibilidade a uma realidade que muitas vezes permanece distante do olhar da sociedade.“Esse tipo de iniciativa, a bem da verdade, traz visibilidade a algo que está à margem da sociedade. O mutirão não tem a pretensão de resolver estruturalmente as razões pelas quais o fenômeno da população em situação de rua cresce de forma alarmante em nosso país, mas estamos aqui prestando solidariedade atendimento”, declarou.Já o promotor de Justiça Daniel Balan Zappia destacou a relevância do contato direto da instituição com a população. “É uma premissa básica da instituição esse contato direto com a sociedade. Esse contato é uma forma de legitimar nossa atuação”, afirmou.Coordenado pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, o PopRuaJud é um projeto permanente voltado à garantia de direitos das pessoas em situação de rua. Segundo o juiz Marcos Faleiros, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), a iniciativa busca aproximar a cidadania daqueles que mais precisam. “PopRuaJud é um projeto contínuo do Poder Judiciário. A importância de hoje é a cereja do bolo, trazendo cidadania para essa população”, destacou.A defensora pública Jacqueline Gevizier Rodrigues Ciscato explicou que um dos principais focos do mutirão é o atendimento jurídico e a regularização documental. “Um dos eixos do mutirão é justamente o atendimento jurídico. A gente tenta organizar a parte da documentação e, se precisar de atendimento jurídico, as pessoas já recebem os encaminhamentos”, explicou.Instituído pela Resolução nº 425/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e previsto na Política Nacional de Atenção às Pessoas em Situação de Rua e suas Interseccionalidades, o Mutirão PopRuaJud tem como objetivo aproximar os serviços públicos de pessoas em situação de maior vulnerabilidade social e econômica, ampliando o acesso à Justiça e aos direitos fundamentais.Ao longo do dia, foram oferecidos serviços de orientação e assistência jurídica, emissão de documentos, regularização de CPF, acesso a certidões, atendimentos de saúde, vacinação, exames rápidos, acolhimento em saúde mental, além de serviços de higiene pessoal, qualificação profissional e encaminhamento para vagas de emprego.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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