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Promotora alerta sobre ameaça das facções criminosas à democracia

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“A proteção da nossa democracia passa pela conscientização de que precisamos de eleições limpas e justas. E isso exige que sejam expurgados todos os agentes que tentem corromper não apenas o eleitor, mas toda a nossa comunidade. Como enfrentamos isso? Por meio da educação e da integração de todos os atores que atuam nesse contexto. Precisamos atuar de forma articulada para que a sociedade tenha os elementos necessários para se proteger. Uma sociedade protegida é uma democracia forte”, afirmou a promotora de Justiça Cynthia Quaglio Gregorio Antunes.
A titular da 2ª Promotoria de Justiça Criminal de Jaciara (a 144 km de Cuiabá) foi a representante do Ministério Público de Mato Grosso na entrevista do projeto Diálogos com a Sociedade, desta segunda-feira (29). A promotora de Justiça dividiu a bancada, no estúdio de vidro instalado no Rondon Plaza Shopping, com o tenente-coronel Wanderson Silva Sá, comandante adjunto do 4º Comando Regional da Polícia Militar em Rondonópolis (a 212 km da capital).
Os convidados abordaram temas centrais como a ameaça do crime organizado ao sistema eleitoral e à democracia, o domínio territorial das facções e a busca por justiça paralela nas comunidades. Também destacaram o papel da Polícia Militar no enfrentamento diário ao crime organizado, especialmente no interior de Mato Grosso, além das estratégias de combate e da importância da integração entre as instituições de segurança e o Sistema de Justiça.
A promotora de Justiça defendeu que a Constituição Federal trouxe, em 1988, uma proteção reforçada diante do poder do Estado. Naquele contexto, era necessário garantir ao cidadão mecanismos de defesa, especialmente por se tratar de um país que saía de um regime de ditadura militar. “O que acontece hoje nas eleições, infelizmente, é que essa ‘empresa do crime’ exerce não apenas poder econômico, mas também poder social dentro das comunidades. E agora, está buscando o poder político. Isso porque o poder político oferece novas formas de controle sobre a sociedade e permite diversificar ainda mais a atuação dessa estrutura criminosa organizada”, afirmou.
Conforme a promotora de Justiça, essas organizações criminosas buscam controlar licitações e ingressar na prestação de serviços públicos como forma de viabilizar a lavagem de dinheiro. “Tudo isso coloca em risco a nossa democracia, que ainda é recente, não completou 40 anos. Por isso, é fundamental que haja controle sobre o processo eleitoral, para evitar que mais um tentáculo das facções criminosas se infiltre na vida em sociedade, especialmente na esfera política. Esse avanço representa uma ameaça à nossa democracia, ainda frágil e está se sedimentando após os 21 anos de regime totalitário vividos no país”, defendeu.
Como exemplo, a entrevistada citou o estado do Rio de Janeiro, onde há mais de 1,2 milhão de pessoas sob algum tipo de influência de organizações criminosas durante o período eleitoral. Segundo ela, os candidatos são cobrados com valores que variam entre R$ 150 mil e R$ 200 mil para que possam fazer campanha em determinadas comunidades do estado. Ou seja, precisam pagar para exercer o direito constitucional de se colocar como representante político e ser votado.
Ela acrescentou que existem “pacotes” em torno de R$ 1 mil por cabo eleitoral, escolhidos pelos próprios comandantes do crime organizado em certas áreas, e impostos aos candidatos. “Então, essa é a importância de desarticular esse braço político, para que essas organizações não possam atuar também no processo de elaboração das leis, que são justamente os instrumentos pelos quais conseguimos reforçar o nosso sistema jurídico e oferecer ferramentas à segurança pública para o combate ao crime organizado”, sustentou.
O tenente-coronel Wanderson Silva Sá falou sobre a atuação repressiva e preventiva da Polícia Militar no combate ao crime organizado. “A Polícia Militar, como eu disse, é a ponta de lança de todo esse processo”, afirmou, reforçando que quando é acionada, muitas vezes não se sabe o que será encontrado.
O representante da PMMT contou que a instituição tem atuado por meio da inteligência policial. “Trabalhamos com informações aqui no comando, e também contamos com uma sede do nosso Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), onde reunimos dados estratégicos. A partir dessas informações, e conforme o atendimento das ocorrências, é feito todo o planejamento das ações”, revelou.

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O entrevistado falou ainda sobre o Disque Extorsão 181, serviço de denúncia contra facções criminosas criado pelo Governo do Estado de Mato Grosso este ano. “Essa é a principal ferramenta que a sociedade tem hoje para movimentar essa engrenagem da segurança pública, em desfavor daquilo que eu costumo chamar de facções criminosas”, considerou. O comandante adjunto também defendeu a necessidade de integração entre os órgãos de segurança pública, o Ministério Público e o Poder Judiciário.
Conceito – Segundo a promotora de Justiça, o Brasil percorreu um longo caminho até chegar a uma definição técnica do crime de organização criminosa, o que só ocorreu em 2013. Esse marco é considerado recente, especialmente quando comparado ao período de vigência da democracia no país, iniciado com a Constituição de 1988.
“Pela definição da Lei 12.850, qualquer associação de quatro ou mais pessoas, estruturalmente organizada, com o objetivo de obter vantagens, econômicas ou não, por meio da prática de crimes graves (aqueles cuja pena máxima ultrapassa quatro anos), configura o crime de organização criminosa. Trata-se de um conceito técnico. O que a sociedade precisa compreender é que esse tipo de crime envolve a ‘empresarização’ da atividade criminosa. Ou seja, o crime passa a funcionar como uma empresa. Há uma estrutura organizada voltada à prática de infrações penais graves, o que o diferencia do crime comum”, explicou.
Cynthia Antunes esclareceu que a diferença está no fato de que, no crime comum, a ação se encerra em si mesma, há a prática de um único delito com um objetivo específico. Já no caso da organização criminosa, há continuidade, estrutura e divisão de funções, como em uma empresa voltada ao crime.
Assista aqui à entrevista completa.
O projeto Diálogos com a Sociedade conta com o apoio de parceiros institucionais como Amaggi, Associação Matogrossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Águas Cuiabá, Bom Futuro, Energisa, Instituto da Madeira do Estado de Mato Grosso (Imad), Nova Rota do Oeste, Oncomed-MT, Rondon Plaza Shopping e Unimed Mato Grosso.Fotos: Joicy Souza
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Fonte: Ministério Público MT – MT

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Grupo Milan recebe palestra sobre violência contra a mulher

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O Grupo Milan Móveis recebeu a equipe do projeto Por Elas e Por Nós: Diálogo Masculino para uma palestra sobre prevenção e enfrentamento da violência de gênero contra a mulher. A atividade reuniu 71 trabalhadores da área de produção, que acompanharam as orientações das profissionais do Espaço Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso, na tarde desta segunda-feira (22).
A coordenadora de Recursos Humanos da Milanfex, Regina Guimarães, que atua na empresa há 22 anos, relatou que tomou conhecimento da iniciativa por meio da diretora Tania Milan, que teve acesso às informações na Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) e demonstrou interesse em levar à empresa uma ação voltada à prevenção da violência.
“Essa iniciativa é muito importante dentro da empresa, porque, por meio do conhecimento adquirido aqui, eles levam essa reflexão para dentro de casa. A gente não aguenta mais abrir os noticiários e ver casos de mulheres assassinadas. Então, essa conversa é muito oportuna”, destacou Regina.
O projeto Por Elas e Por Nós: Diálogo Masculino foi desenvolvido para dialogar com trabalhadores e colaboradores do sexo masculino do segmento empresarial. Durante os encontros, a equipe aborda a criação da Lei Maria da Penha, seus mecanismos de proteção e os diferentes tipos de violência contra a mulher, além de discutir as causas, consequências e impactos da violência doméstica e familiar sobre vítimas diretas e indiretas. O cuidado com a saúde do homem também integra a pauta das atividades.
Outro tema discutido é a influência das expectativas sociais sobre o comportamento masculino e as consequências desses padrões nas relações interpessoais. Também são abordados os impactos sociais, familiares e profissionais para homens autores de violência doméstica e familiar, incluindo as medidas judiciais aplicáveis, a possibilidade de prisão e os prejuízos que a prática da violência pode causar à imagem profissional e à convivência familiar do agressor.
A promotora de Justiça Claire Vogel Dutra, coordenadora das atividades extraprocessuais do Espaço Caliandra, destacou que, além de buscar a responsabilização dos agressores, é necessário adotar um olhar voltado à prevenção. Nesse sentido, ela, juntamente com sua equipe técnica e de gabinete, tem se dedicado a dialogar com jovens nas escolas e também a incentivar a participação dos homens nesse debate.
“Temos que trazer os homens para essa discussão e reforçar sua responsabilidade não apenas como não agressores, mas também como parceiros nesse trabalho de prevenção. É fundamental que façam sua parte na disseminação da cultura da não violência e do respeito às mulheres, combatendo práticas sociais que incentivam as novas gerações a reproduzirem uma cultura de violência”, afirmou.
Sobre o projeto – Por Elas e Por Nós: Diálogo Masculino pela Não Violência é uma iniciativa voltada a trabalhadores, empregados e colaboradores do setor empresarial, com o objetivo de conscientizar homens sobre a prevenção e o enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher.
O projeto já alcançou 490 trabalhadores e colaboradores de oito empresas da capital. São elas: Carvalima Transportes, Nova Rota do Oeste, Energisa Mato Grosso, Águas Cuiabá, PROL, Brita Guia, Plastibras e Milan Móveis.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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