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Representatividade e conexão social pautam debate no MPMT

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As perspectivas e os desafios do Ministério Público na interlocução com a sociedade foram abordados pelos conselheiros do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) Paulo Cezar dos Passos e Fernando da Silva Comin, na noite de quinta-feira (5), na sede da Procuradoria-Geral de Justiça, em Cuiabá. Os palestrantes defenderam que a legitimidade do MP depende de resultados concretos percebidos na vida das pessoas e de uma comunicação clara, responsável e próxima dos cidadãos.O painel compôs a programação do seminário “Ministério Público e a Interlocução com a Sociedade”, promovido pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), por meio do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional. O evento teve como público-alvo os membros da instituição. A mesa foi presidida pelo procurador-geral de Justiça Rodrigo Fonseca Costa e mediada pelo conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) Ulisses Rabaneda. Na condução dos trabalhos, o procurador-geral de Justiça reforçou a prioridade de transformar processos em resultados: “Processo não resolve problema enquanto você não consegue trazer para a sociedade o resultado prático”, argumentou. “Precisamos buscar meios para resolver os problemas da sociedade de forma mais eficaz”, disse, conclamando os membros a absorver a experiência e seguir inovando nas entregas à população.Paulo Passos então iniciou o painel com uma reflexão sobre a carreira. “Aqueles que escolhem integrar o Ministério Público sabem como acordam, mas não sabem como vão dormir”, afirmou, sublinhando que não se tratava de “apenas uma palestra, mas de dividir a incrível aventura que é integrar essa instituição.” Ele defendeu que o maior desafio é fazer a sociedade compreender o que é ser Ministério Público, em um contexto marcado pela polarização e dominado pela tecnologia e pelas redes sociais. O procurador de Justiça do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) defendeu que o principal desafio na atualidade é realizar um trabalho resolutivo. “As pessoas não querem saber o número de ações protocoladas, mas sim o resultado prático: se o agressor foi preso, se o gestor devolveu o dinheiro desviado, se o assassino foi condenado”, afirmou. Argumentou que o MP não pode ser uma ilha isolada no sistema de Justiça, que é preciso uma atuação estratégica, coordenada e orientada a resultados. Apontou a desjudicialização como outro desafio. “Precisamos saber negociar através de acordos e termos de ajustamento de conduta, mas sempre com um olhar para a vítima”, disse, sustentando uma atuação proativa, que antecipa problemas por meio do diálogo com a sociedade. E concluiu dizendo que “a sociedade espera um Ministério Público independente, técnico, colaborativo e resolutivo”. Na sequência, Fernando da Silva Comin situou o Ministério Público no “limiar” entre a promessa social da Constituição de 1988 e as demandas de uma sociedade de risco no século XXI, atravessada pelo antagonismo de pensamentos, intolerância e por problemas políticos decorrentes da comunicação em massa. “Os desafios do Ministério Público passam, em primeiro lugar, por buscar soluções que façam sentido na vida das pessoas. Se não buscarmos soluções que façam sentido na vida das pessoas, vamos nos desconectar de maneira irremediável com a sociedade que legitima a nossa existência”, declarou.Em defesa de um MP resolutivo, o promotor de Justiça do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) apontou que “nenhuma instituição que não tenha uma direção clara no atendimento das necessidades da sociedade vai subsistir.” Ele citou temas sensíveis e contemporâneos, como violência de gênero, proteção da primeira infância e a dinâmica das redes sociais, e chamou atenção para a complexidade do crime organizado, que utiliza logística sofisticada. “O inquérito policial e a ação penal tradicional não são instrumentos eficientes contra o crime que transporta cocaína em submarinos”, afirmou, pedindo reinvenção e capacidade de mensurar resultados.O conselheiro também defendeu a utilização de métodos alternativos de resolução de conflito e que o MP busque protagonismo na consensualidade. “Todos sabemos da importância do Ministério Público na garantia da democracia e dos direitos sociais, mas precisamos agir em sintonia com o que a sociedade exige. A nossa conexão social é o que garante a absorção, pela sociedade, da compreensão da necessidade das nossas estruturas e do nosso estatuto. Se não fizermos entregas que façam sentido na vida das pessoas, corremos o risco de não sermos compreendidos como um Ministério Público vivo e independente”, finalizou. Mediador do encontro, o advogado e conselheiro do CNJ Ulisses Rabaneda destacou o protagonismo do MPMT na solução consensual de conflitos e registrou a medida acertada de não exigir confissão do investigado para a celebração de Acordo de Não Persecução Penal (ANPP). Segundo ele, a orientação ampliou exponencialmente o número de acordos e elevou a recuperação de valores, reservando o espaço de confronto para os casos complexos e solucionando, de forma consensual, delitos de menor e médio potencial ofensivo. Na avaliação do mediador, a prática dá concretude ao MP resolutivo e responde às expectativas sociais por eficiência e reparação.Abertura – O coordenador da Escola Institucional do MPMT, procurador de Justiça Antonio Sergio Cordeiro Piedade, ressaltou a importância de um evento voltado à reflexão institucional. Segundo ele, é fundamental compreender o Ministério Público como uma construção histórica, lembrando que a formatação constitucional da instituição decorreu da luta de “guerreiros abnegados” na Constituinte de 1988. Ressaltou ainda que a atual geração de membros está em um “caminho do meio”, responsável por consolidar avanços e fortalecer a aproximação com a sociedade nos canais essenciais de diálogo.O procurador de Justiça destacou a necessidade de comunicar com clareza a missão do MP, especialmente diante de temas sensíveis como gênero, violência, segurança pública e organizações criminosas. E realçou que eventos de capacitação são fundamentais para “pensar o Ministério Público que queremos e o Ministério Público que a sociedade precisa”.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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MPMT participa de capacitação da PM sobre proteção às vítimas

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“A importância da atuação em rede na proteção da vítima de violência” foi o tema da palestra da promotora de Justiça Claire Vogel Dutra durante a capacitação de policiais militares de unidades especializadas de todos os comandos regionais da Polícia Militar de Mato Grosso, realizada nesta terça-feira (26), em Cuiabá.
Na abertura da capacitação, a secretária de Segurança Pública, coronel Susana Tamanho, sensibilizou os policiais para a importância do atendimento humanizado às mulheres, destacando que o acolhimento vai além do dever legal e exige empatia e responsabilidade.
“Muitas vezes, para a mulher romper o silêncio e pedir ajuda, é necessário vencer inúmeras barreiras. Nesse momento, a Polícia Militar exerce um papel fundamental. Convido todos os policiais a refletirem: quando forem atender uma ocorrência, pensem em suas filhas, irmãs, mães e nas mulheres próximas de vocês. Precisamos atuar com sensibilidade e compromisso, como se estivéssemos protegendo alguém da nossa própria família”, afirmou.
A secretária do Gabinete de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres, delegada Mariell Antonini, destacou a necessidade de uma mudança de postura no enfrentamento à violência doméstica, compreendendo o problema como um fenômeno crescente e complexo, que exige capacitação contínua das forças de segurança.
“Precisamos pensar diferente e nos especializar. Muitas das mulheres vítimas de feminicídio nunca chegaram a pedir ajuda à Segurança Pública. Por isso, precisamos encontrar formas de alcançar aquelas que sofrem em silêncio dentro de casa e não conseguem denunciar. A proposta da Secretaria de Segurança Pública é fortalecer uma atuação preventiva e integrada, com monitoramento de medidas protetivas e acompanhamento também dos casos em que há registro de boletim de ocorrência, mesmo sem pedido formal de proteção”, afirmou.
Em sua palestra, a promotora Claire Vogel Dutra, coordenadora do Núcleo das Promotorias de Violência Contra as Mulheres de Cuiabá, apresentou a atuação do Ministério Público de Mato Grosso e o trabalho desenvolvido na Promotoria de Violência Doméstica. Destacou ainda as ações e projetos do Espaço e Observatório Caliandra no atendimento e acolhimento de mulheres cisgênero e trans, vítimas de violência na capital, além da necessidade de atuação integrada das instituições, especialmente, falou do papel da Polícia Militar no socorro imediato às vítimas, na fiscalização ativa das medidas protetivas e no policiamento preventivo de proximidade, garantindo segurança e acolhimento.
“Aconteceu uma situação, um fato, a primeira instituição que normalmente atua é a Polícia Militar. É muito importante que esse primeiro elo tenha essa preocupação na atuação, que pode significar a vida da mulher. É preciso realizar um trabalho orientativo, com paciência e empatia, porque estamos tratando de uma criminalidade diferente das demais, pois envolve afeto, filhos e familiares”, afirmou.
A promotora também abordou a importância da rede de enfrentamento, que já conta com 122 redes implantadas em Mato Grosso para combater e reduzir os índices de violência de gênero em Mato Grosso.
“Não vamos resolver apenas com prisão ou penas mais altas. Precisamos de um trabalho de atendimento psicológico, social e de apoio para que a mulher consiga, efetivamente, sair desse ciclo. Isso demanda atuação integrada entre as instituições e, nesse contexto, a Polícia Militar é a porta de entrada”, destacou.
Por fim, Claire Vogel Dutra esclareceu dúvidas recorrentes sobre prisões em flagrante, registros de ocorrência e o preenchimento correto de campos importantes do boletim de ocorrência, que auxiliam na constatação da violência doméstica. Também chamou atenção para mudanças legislativas que tornaram alguns crimes de ação penal pública incondicionada, como lesão corporal, vias de fato, ameaça, violência psicológica, feminicídio e tentativas.
Além disso, prestou esclarecimentos sobre o aplicativo SOS Mulher, o monitoramento eletrônico vinculado ao dispositivo conhecido como “botão do pânico”, medidas protetivas, retirada de pertences, casas de amparo, entre outros temas.
A tenente-coronel PM Ludmila Eickhoff, coordenadora de Polícia Comunitária e Direitos Humanos e gerente estadual da Patrulha Maria da Penha, destacou que o primeiro curso de prevenção e combate à violência contra a mulher é realizado na modalidade híbrida, com três dias em formato EAD e dois presenciais.
“O curso reúne conteúdos de legislação voltados às mulheres e pessoas em situação de vulnerabilidade, além de atividades práticas. O foco é capacitar as unidades especializadas de todo o Estado. Cada comando regional enviou um representante que atuará na fiscalização das medidas protetivas impostas aos agressores, verificando o cumprimento dessas determinações”, afirmou.
Segundo ela, a Patrulha Maria da Penha está presente em 45 núcleos, atendendo 111 municípios, com previsão de expansão para todos os 142 municípios de Mato Grosso.
Por último, a procuradora de Justiça Elisamara Portela alertou os policiais para a necessidade de atenção especial às mulheres indígenas, destacando a diversidade étnica e a vulnerabilidade enfrentada por esse público em Mato Grosso.
“Temos no Estado 46 etnias e um grande número de aldeias. Se houver qualquer tipo de acionamento envolvendo mulheres indígenas, não tenham receio de adotar as medidas necessárias para garantir a proteção dessas pessoas vulneráveis”, afirmou.

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Foto capa: PMMT

Fonte: Ministério Público MT – MT

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