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Deputados repudiam ameaças feitas contra jornalista da ALMT

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Na tribuna, o deputado Lúdio Cabral repudiou os ataques e pediu que os responsáveis sejam identificados e punidos

Foto: JLSIQUEIRA / ALMT

Durante a sessão plenária desta quarta-feira (23), os deputados estaduais Wilson Santos (PSD) e Lúdio Cabral (PT) repudiaram as ameaças feitas contra a jornalista e servidora da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) Deisy Boroviec.

A jornalista foi ameaçada de morte pelo Facebook por um usuário identificado como Rodrigo Valdivia, apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PL), e registrou um boletim de ocorrência.

 “A tua batata está assando, mocreia petista. O meu grupo aí em Cuiabá já sabe onde você trabalha e o teu horário. Toma cuidado que acidentes e roubos acontecem toda hora onde você mora. Sempre olhe para os dois lados da rua! Quer continuar difamando o presidente Bolsonaro, vaza então para Bahia, ou Ceará, que é lugar de vagabundos, socialistas metidos a intelectual como você”, escreveu o internauta.

De acordo com Deisy, é desesperador ser ameaçada por exercer o direito de simplesmente manifestar opiniões. “Essas pessoas são criminosas e agem com o objetivo de intimidar, criar pânico. Apesar do medo, senti que o melhor a fazer era expor a situação e buscar as autoridades competentes”, explicou a jornalista. 

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Na tribuna, o deputado Lúdio Cabral repudiou os ataques e pediu que os responsáveis sejam identificados e punidos. “Faço aqui, publicamente, um pedido para que a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa encaminhe às autoridades da segurança pública para identificar autores dessa ameaça para que eles sejam presos e punidos exemplarmente, assim como os demais covardes extremistas de direita que estão praticando atos de terrorismo em Mato Grosso”, declarou o parlamentar, que deu continuidade à fala criticando os bloqueios feitos em rodovias do estado por manifestantes contrários aos resultados das eleições.

Em entrevista à imprensa concedida após o término da sessão, o deputado Wilson Santos também manifestou total apoio à profissional. “O pronunciamento feito pelo deputado Lúdio Cabral na tribuna foi muito importante. Eu também me coloco à disposição para ir ao secretário de Segurança Pública e onde quer que seja. Esse tipo de ameaça não representa a democracia. Tem muita gente exagerando. Não é possível mais tolerar irresponsáveis criminosos queimando ambulância, queimando caminhão dos outros, colocando vidas em risco. Isso é inadmissível, isso é insuportável. E as autoridades precisam, em nome da democracia, coibir toda essa forma de abuso, de ameaça que muitas vezes estão se materializando”, afirmou.

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A jornalista Deisy Boroviec agradeceu todo o apoio recebido desde que as ameaças passaram a repercutir. Ela acredita na identificação e punição dos envolvidos. “Esses manifestantes estão cada vez mais raivosos. Não podemos tolerar que isso continue e que até mesmo autoridades sigam incentivando atos antidemocráticos”, disse Deisy. 

Formada desde 1996, a profissional estudou em Ribeirão Preto (SP) e voltou para Mato Grosso em 1998. Desde então, atua na área de comunicação, em especial no telejornalismo, tendo passado pela TV Centro América e por órgãos públicos como o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Tribunal de Justiça (TJ-MT) e Governo do Estado. Aprovada no concurso público de 2013, Deisy Boroviec é servidora na ALMT desde 2014. 

Apoio – Está sendo organizada, em conjunto com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), uma campanha de coleta de assinaturas em apoio à Deisy. Os interessados podem acessar a página e fazer o registro por meio do preenchimento do formulário. 

Fonte: ALMT

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CST debate desembargos ambientais à agricultura familiar em Mato Grosso

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A Câmara Setorial Temática (CST) do Desembargo Ambiental da Assembleia Legislativa de Mato Grosso realizou, nesta quinta-feira (16), uma reunião com a secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, para discutir os procedimentos relacionados aos desembargos ambientais e ao licenciamento ambiental simplificado.

O debate teve como foco a implementação da Lei Complementar nº 830/2025 e da Lei nº 13.349/2026, que estabelecem regras para a regularização ambiental e o licenciamento simplificado destinados a agricultores familiares e pequenos produtores rurais. Também foram discutidos os desafios enfrentados pelo Estado na execução do Código Florestal e na consolidação de um modelo que concilie proteção ambiental, segurança jurídica e inclusão produtiva.

A Lei Complementar nº 830/2025 estabelece tratamento diferenciado, simplificado e proporcional para infrações ambientais cometidas por agricultores familiares e proprietários de imóveis rurais com até quatro módulos fiscais que desenvolvam atividades agrossilvipastoris. A norma busca conciliar a regularização ambiental com a permanência da produção no campo.

Já a Lei nº 13.349/2026 instituiu o regime de Licenciamento Ambiental Simplificado para atividades agropecuárias desenvolvidas por agricultores familiares e pequenos produtores rurais. A medida é destinada às propriedades que atendam aos critérios de sustentabilidade estabelecidos pelo órgão ambiental estadual, com o objetivo de tornar mais ágil o processo de licenciamento, sem abrir mão das exigências legais.

Para aderir ao novo regime, os proprietários deverão cumprir uma série de requisitos, entre eles manter o imóvel inscrito e regular no Cadastro Ambiental Rural (CAR), não possuir embargos ambientais vigentes na área da propriedade e apresentar declaração de conformidade ambiental, assumindo responsabilidade civil e administrativa por eventuais danos ambientais causados.

A secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, afirmou que os desafios enfrentados por Mato Grosso na regularização ambiental e nos desembargos refletem um problema nacional relacionado à implementação do Código Florestal. Segundo ela, o tema tem sido debatido em nível federal, em reuniões realizadas em Brasília com representantes do Ministério da Gestão e da Inovação, do Serviço Florestal Brasileiro e dos estados da Amazônia Legal e de Mato Grosso do Sul, em busca de soluções para aperfeiçoar a execução da legislação ambiental.

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A gestora apresentou dados do Painel de Regularização Ambiental, que apontam mais de 8,3 milhões de imóveis inscritos no Cadastro Ambiental Rural (CAR) em todo o país, mas com menos de 10% das análises concluídas. Em relação à área cadastrada, apenas 7,25% tiveram a análise finalizada.

Para a secretária, os números demonstram a complexidade da implementação do Código Florestal e as dificuldades enfrentadas pelos órgãos ambientais diante de lacunas na legislação, da pressão da sociedade e de orientações divergentes dos órgãos de controle, o que exige equilíbrio para cumprir a lei sem comprometer a segurança jurídica e a efetividade da política ambiental.

Mauren Lazzaretti afirmou que Mato Grosso construiu um modelo próprio para conciliar a proteção ambiental com a realidade dos pequenos produtores rurais, transformando o desembargo ambiental em uma oportunidade de regularização. Segundo ela, o objetivo é promover a inclusão produtiva sem abrir mão dos compromissos com o desenvolvimento sustentável, destacando que as medidas adotadas pelo Estado não representam anistia nem retrocesso na legislação ambiental.

A secretária também defendeu que as iniciativas previstas na Lei Complementar nº 830/2025 sejam adotadas de forma mais homogênea pelos demais entes federativos. De acordo com ela, a falta de uniformidade na aplicação das normas pode levar ao questionamento, em âmbito nacional, de atos administrativos praticados por Mato Grosso, como embargos, desembargos e licenças ambientais. Por isso, pediu o apoio da Assembleia Legislativa para fortalecer a defesa do modelo adotado pelo Estado.

Ela afirmou ainda que Mato Grosso se consolidou como referência nacional na regularização ambiental de imóveis rurais, independentemente do tamanho das propriedades. Segundo ela, levantamentos do Climate Policy Initiative (CPI), organização que acompanha, desde a implementação do Código Florestal, o desempenho dos estados na análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e do Programa de Regularização Ambiental (PRA), colocam Mato Grosso entre os estados mais inovadores e com avanços contínuos tanto na validação dos cadastros quanto na regularização ambiental.

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Lazzaretti destacou que os maiores avanços na validação dos cadastros ocorreram em Mato Grosso, São Paulo e, mais recentemente, no Paraná, resultado da adoção da análise automatizada dos processos. Ela ressaltou que, diferentemente dos estados das regiões Sul e Sudeste, Mato Grosso enfrenta desafios muito maiores em razão da dimensão territorial e da complexidade ambiental, o que torna os resultados ainda mais expressivos.

A secretária também enfatizou que o trabalho desenvolvido pelo Estado recebeu reconhecimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que acompanha, por meio da ADPF 743 (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental), a implementação do Código Florestal nos estados da Amazônia e do Pantanal. Segundo ela, decisões do ministro André Mendonça destacam os avanços de Mato Grosso no cenário nacional da regularização ambiental.

Entre os encaminhamentos definidos durante a reunião está a parceria entre a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) para atuar, por meio da Câmara Setorial Temática (CST) do Desembargo Ambiental, na criação de uma mesa técnica destinada à discussão de soluções relacionadas aos desembargos ambientais.

A iniciativa tem como objetivo construir propostas e aperfeiçoar a legislação, buscando garantir maior segurança jurídica e mecanismos que favoreçam a regularização ambiental e beneficiem os proprietários rurais.

Fonte: ALMT – MT

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