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Acesso a documentos realiza sonhos e devolve cidadania a moradores atendidos pelo Ribeirinho Cidadão

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Público diverso sentado em cadeiras brancas sob uma grande tenda aberta em gramado. Ao fundo, árvores e uma ambulância. O ambiente é de um evento comunitário e institucional ao ar livre.Para alguns, é um passo para a realização de um sonho. Para outros, é a recuperação da sensação de existir. As motivações podem ser diferentes, mas o direito ao acesso a documentos pessoais é o mesmo. Foi pensando em atender a essas diferentes realidades que o Projeto Ribeirinho Cidadão – Rota das Águas levou sua estrutura completa para o Distrito de Caramujo, em Cáceres.
Em sua 19ª edição, a ação segue cumprindo seu propósito e ajudando pessoas a resolver em algumas horas o que, em um cenário natural, levaria dias. O casal Marina da Silva Cardoso e William Ramos Almeida está entre os alcançados pelo projeto, que acontece nesta quinta-feira (12) e sexta-feira (13), ofertando serviços de cidadania, saúde, assistência jurídica, entre outros.
Um casal posa para a foto: a mulher tem cabelos cacheados e usa blusa amarela; o homem, à direita, veste camiseta verde. Ambos usam microfones de lapela, indicando uma entrevista em ambiente escolar.Os dois alimentam há anos o desejo de oficializar a união, mas a ausência de documentação vinha sendo um entrave. O problema foi resolvido no Ribeirinho Cidadão, onde conseguiram em uma manhã o acesso a tudo que é necessário para que o sonho enfim se transforme em realidade. Para Mariana, além da agilidade, a isenção de taxas também foi motivo de celebração.
“Há um bom tempo estamos correndo atrás disso para casarmos. Se fôssemos tentar resolver isso fora daqui, levaria mais de 30 dias. E hoje resolvemos tudo aqui. Aproveitamos essa oportunidade e atualizamos tudo que estava pendente, e ainda fomos presenteados com a isenção no valor do casamento”, relatou.
Mariana explicou que a maior dificuldade estava em fazer com que os dois conseguissem solucionar as pendências de forma simultânea, fato possibilitado pelo Ribeirinho Cidadão. Outro contratempo citado por ela foi a necessidade de se deslocar para Cáceres e ter que pernoitar na cidade para tratar de uma situação apenas.
“Essa foi uma oportunidade para que em um lugar só conseguíssemos resolver todos os problemas que estávamos correndo atrás. Somos cristãos, então para nós esse é um processo de muita importância. Queremos estar oficialmente casados e alinhados com a nossa fé e, principalmente, na presença de Deus”, completou Mariana.
O companheiro William Ramos Almeida destacou a atenção e o acolhimento recebido durante o atendimento pelo projeto. “Até hoje não tínhamos conseguido essa regularização. Mas aqui as pessoas que nos atenderam foram bem atenciosas, nos trataram muito bem. Agora vamos ficar mais tranquilos, pois recebemos essa oportunidade”, completou.
Existir de novo
Homem de óculos e chapéu de abas largas veste camisa polo azul. Ele está em uma sala de aula com mesas, cadeiras azuis e pessoas ao fundo. O ambiente sugere um dia de atendimento ou evento social.Com história e propósito diferente, José Maria de Souza também procurou a expedição do Ribeirinho Cidadão pelo mesmo objetivo: regularizar os documentos pessoais. Seu José foi vítima de um assalto em um posto de combustível enquanto trabalhava como motorista de caminhão. Na ocasião, sua carteira foi levada e junto com ela todos os documentos de identificação.
“Um homem sem documento não existe. Temos que ter os documentos para apresentar quando formos abordados em uma blitz ou para fazer um negócio. Esse era um transtorno que até hoje me atrapalhava. Surgiu essa oportunidade de resolver tudo aqui, sem ter que viajar, e eu aproveitei para fazer o CPF, a Carteira de Identidade, tudo que precisava”, pontuou.
Ribeirinho Cidadão
O Ribeirinho Cidadão é realizado há quase duas décadas pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), por meio da Justiça Comunitária, em parceria com a Defensoria Pública do Estado. Além disso, o projeto conta com a parceria de diversas instituições públicas e da iniciativa privada.
A equipe do TJMT envolvida na ação reúne profissionais da Justiça Comunitária, Corregedoria, Ceja, Verde Novo, Juvam, Cejusc, NugJur, Comunicação, Infraestrutura e Transporte, além de magistrados e servidores de diversas unidades administrativas e judiciais.
Confira o cronograma:
Distrito de Caramujo (Cáceres): 12 e 13 de março
Vale de São Domingos: 15 e 16 de março
Reserva do Cabaçal: 18 e 19 de março

Autor: Bruno Vicente/Luiz Vieira

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Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Diálogos Acadêmicos: Violência nas escolas demanda fortalecimento de ações preventivas

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Mulher de cabelos escuros e blazer claro sorri ao falar num microfone em púlpito acrílico. Ao fundo, parede branca e um banner verde com a imagem da deusa da justiça e o logotipo ESMAGIS-MT.A violência no ambiente escolar, frequentemente tratada como uma questão disciplinar, revela-se um problema estrutural, complexo e ainda sem respostas institucionais consolidadas. Esse foi um dos principais pontos evidenciados durante o evento “Diálogos Acadêmicos”, realizado na noite de quinta-feira (18), em Rondonópolis, que reuniu autoridades do Poder Judiciário, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) e da sociedade civil para discutir o tema sob uma perspectiva multidisciplinar.

A juíza Aline Luciane Ribeiro Viana Quinto Bissoni, diretora do Foro local e titular da 5ª Vara Criminal de Rondonópolis, destacou que a escola funciona como um verdadeiro “radar social”, refletindo as tensões e desigualdades presentes na sociedade. Segundo ela, o ambiente escolar concentra diferentes formas de violência, que vão desde práticas recorrentes de bullying e cyberbullying até situações mais graves, envolvendo agressões físicas e psicológicas. “A escola é um espaço onde essas violências aparecem de forma muito clara, mas também onde temos a oportunidade de agir”, afirmou.

Para a magistrada, um dos maiores desafios atualmente é a falta de preparo institucional para lidar com essas situações. Ela relatou um episódio recente que evidencia essa lacuna. Uma ameaça escrita dentro de uma escola mobilizou familiares e direção, mas não houve clareza sobre como proceder. “Não existe um fluxo definido para lidar com esse tipo de situação. Nem a escola, nem a família, nem as autoridades sabiam exatamente o que fazer”, relatou.

A juíza ressaltou que esse cenário demonstra o quanto o tema ainda é tratado de forma insuficiente, apesar de seu impacto na formação dos indivíduos. “A infância é um terreno em que pisamos por toda a vida. O que acontece nesse período pode definir trajetórias”, destacou Aline. Segundo ela, durante muitos anos a violência escolar foi subestimada, sendo vista como um problema menor ou restrito à disciplina, quando, na verdade, envolve a violação de direitos fundamentais.

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Homem de perfil, com barba e cabelo escuros, veste terno preto, camisa branca e gravata escura. Ele segura um microfone preto próximo à boca e fala, tendo uma cortina azul-escura ao fundo.Os dados apresentados pelo curso de Direito da UFR durante o evento reforçam essa percepção. A pesquisa realizada com estudantes revelou não apenas a alta incidência de violência, mas também um fator agravante: a falta de confiança nos canais de denúncia disponíveis. De acordo com o professor Anderson Nogueira Oliveira, muitos alunos não se sentem seguros para relatar situações a pais, professores ou diretores. “Isso não acontece por falta de vontade dos profissionais, mas porque muitas vezes eles não têm formação específica para lidar com essas situações”, explicou.

Essa ausência de confiança contribui para a reduzida notificação dos casos e dificulta a intervenção de maneira precoce. Assim, iniciativas como a criação de canais alternativos de denúncia surgem como ferramentas importantes para ampliar o acesso à proteção.

Retrato em plano médio de uma jovem sorridente, olhando para a direita. Ela usa óculos de grau finos, brincos brilhantes discretos e roupa preta. Tem cabelos longos, lisos e castanho-claros.A universitária Sophia Baptistella, que participou diretamente das atividades nas escolas da cidade, trouxe um olhar prático sobre a realidade vivenciada pelos alunos. Segundo ela, mesmo na presença de adultos, já era possível identificar comportamentos problemáticos. “Muito deboche, discriminação, principalmente por gênero e identidade. Foi muito triste o que vimos”, afirmou. Para ela, esses comportamentos demonstram que a violência não se limita a episódios extremos, mas se manifesta de forma cotidiana.

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A introdução de noções de Direito nas escolas, iniciada após a articulação entre a Comarca de Rondonópolis e a UFR, é vista como uma estratégia importante para que os estudantes compreendam seus direitos e saibam identificar situações de violação. Além disso, a integração entre universidade, Judiciário e sociedade civil é fundamental para criar protocolos, fluxos de atendimento e soluções práticas.

Homem grisalho e com barba, vestindo paletó azul e camisa listrada clara, concede entrevista com expressão séria. Um microfone preto aparece no canto inferior direito e o fundo está desfocado.“É importante que todos os segmentos estejam conscientes do seu papel como ser humano e também na sociedade. E daí tragam ideias para que se transformem em ação, a fim de que possamos mitigar esses problemas que estão à nossa vista, portanto, no nosso viver do dia a dia. Às vezes ficamos preocupados, esperando o Estado trazer soluções. Quem tem que solucionar é a sociedade. É um exercício da cidadania e, consequentemente, também da democracia”, ressaltou o desembargador Márcio Vidal, que participou do evento.

Leia matéria já publicada sobre o assunto:

Judiciário e UFR promovem diálogos acadêmicos e apresentam iniciativas contra violência escolar

https://esmagis.tjmt.jus.br/noticias/6a3559e1d1cfaa001c2e9674

Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.

Autor: Lígia Saito

Fotografo: Rodrigo Moura

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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