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Corregedoria inicia ciclo de capacitações com módulo sobre a Lei Geral de Proteção de Dados

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A Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso (CGJ-MT), em parceria com a Associação dos Notários e Registradores de Mato Grosso (Anoreg-MT), deu início, nesta terça-feira (2), ao ciclo de capacitação virtual voltado ao aprimoramento técnico de notários, registradores, prepostos das serventias extrajudiciais, servidores do Judiciário e magistrados diretores de Foro. Mais de 300 participantes acompanharam o primeiro módulo, dedicado à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

O objetivo da formação é reforçar a qualidade, a segurança jurídica e a eficiência dos serviços extrajudiciais, garantindo que os profissionais estejam preparados para atuar em um cenário permanentemente influenciado pela evolução tecnológica e por novas exigências normativas.

A abertura do ciclo foi conduzida pela registradora e tabeliã do 2º Ofício de Primavera do Leste, especialista em Direito Digital e Proteção de Dados, Velenice Dias de Almeida, que também preside a Anoreg-MT. Durante o encontro, ela apresentou os fundamentos da LGPD, destacando que a proteção de dados é um valor já presente no ordenamento jurídico brasileiro, relacionado diretamente à dignidade da pessoa humana e à tutela da privacidade.

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Velenice abordou ainda o desenvolvimento histórico da proteção de dados no país, as principais normas aplicáveis ao setor extrajudicial — incluindo provimentos do CNJ e da CGJ-MT — e os princípios, bases legais e responsabilidades dos cartórios no tratamento de dados pessoais. “A LGPD se aplica integralmente à atividade notarial e registral, que também deve assegurar a preservação, o acesso adequado e a segurança das informações sob sua responsabilidade”, destacou.

A especialista também enfatizou a necessidade de governança efetiva, apontando medidas obrigatórias como nomeação de encarregado de dados, mapeamento das atividades de tratamento, elaboração de relatórios de impacto, políticas internas de proteção e capacitação permanente das equipes. Alertou, ainda, para a importância do cuidado no manuseio de dados sensíveis, da transparência com os usuários e da observância rigorosa das normas durante inspeções, perícias e solicitações de acesso.

Para a juíza auxiliar da Corregedoria, Myrian Pavan Schenkel, a iniciativa reafirma o compromisso institucional com a formação continuada.
“Essa capacitação atende às determinações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), previstas no Acórdão de Inspeção nº 3439-72, que exige a implementação de programas de treinamento voltados à LGPD e à prevenção à lavagem de dinheiro. Além disso, fortalece a atuação dos profissionais em um ambiente cada vez mais complexo e dinâmico”, pontuou.

O ciclo de capacitações terá continuidade na quinta-feira (4), com o segundo módulo, dedicado ao tema PLD/FTP. A formação será ministrada pela registradora e tabeliã do 2º Ofício de Rondonópolis, especialista em Compliance e PLD/FTP, Maria Aparecida Bianchin, que abordará obrigações legais, identificação de operações suspeitas, comunicação ao Coaf e boas práticas de prevenção.

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Autor: Assessoria de Comunicação

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Departamento: CGJ-MT

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Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Avanços no papel e entraves na prática mostram que a inclusão ainda carece de efetividade

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Apesar da existência de um arcabouço jurídico avançado, a garantia de direitos às pessoas com deficiência ainda enfrenta entraves concretos para sua execução. A avaliação foi apresentada pela advogada doutora Jennyfer Bathemarque durante a palestra “A Pessoa com Deficiência no Sistema de Justiça: Direitos, desafios e o papel do Judiciário na efetivação da inclusão”, realizada dentro da programação do evento “TJMT Inclusivo: Autismo e Direitos das Pessoas com Deficiência”, realizado na quinta-feira (16), na Igreja Lagoinha, em Cuiabá.

A advogada conhece na pele as dificuldades de uma mãe atípica e da necessidade de recorrer ao sistema de Justiça para garantir que o amor de sua vida, seu filho, quando ainda um bebezinho de seis meses, pudesse ser submetido a uma intervenção cirúrgica cardíaca de alta complexidade.

Ao aprofundar a reflexão, a palestrante adotou um tom crítico ao provocar o público sobre a distância entre o que está previsto na legislação e o que, de fato, é entregue à população: o que determina a “Lei Berenice Piana” quanto à responsabilidade dos municípios na proteção das pessoas com autismo?

Segundo ela, o país não carece de normas, mas de efetividade. “Temos um arcabouço jurídico robusto, mas que ainda falha na execução. O direito existe no papel, mas não chega com a mesma força na vida real de quem precisa”, pontuou.

Na avaliação da advogada, essa desconexão se reflete em violações recorrentes: negativa de terapias por planos de saúde, ausência de profissionais especializados nas escolas, falta de atendimento adequado no SUS, escassez de especialistas, longas filas de espera e entraves no acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC). “O que vemos é um sistema que empurra as famílias para decisões difíceis, muitas vezes abrindo mão de estabilidade financeira para tentar garantir o mínimo de dignidade”, alertou.

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A crítica se intensifica quando o acesso a direitos passa, quase sempre, pelo Judiciário, evidenciando um cenário que exige reflexão: direitos básicos ainda dependem de ação judicial para serem garantidos, enquanto a morosidade processual compromete tratamentos que não podem esperar.

A advogada cita ainda que se soma a isso a exigência excessiva de laudos, que acaba se tornando mais uma barreira de acesso, além da falta de uniformidade nas decisões, gerando insegurança jurídica. Nesse contexto, também se coloca em debate a própria capacidade do sistema de Justiça de compreender, em sua complexidade, as dimensões clínicas e sociais que envolvem as pessoas com deficiência.

Ela também chamou atenção para o que classificou como distorções estruturais: por que a judicialização deixou de ser exceção e passou a ser regra? Por que decisões ainda se baseiam, muitas vezes, em critérios exclusivamente formais? Onde está o olhar multidisciplinar? E por que, mesmo após decisões favoráveis, ainda há descumprimento, dependência de bloqueios judiciais e um ciclo contínuo de novas ações?

Para Jennyfer, esse cenário evidencia uma inversão preocupante. “O que deveria ser resolvido administrativamente tem sido transferido ao Judiciário. Isso revela não apenas a fragilidade das políticas públicas, mas também a sobrecarga de um sistema que acaba sendo acionado para garantir o básico”.

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A advogada também fez questão de elogiar o serviço prestado por meio do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), com destaque para a realização do evento TJ Inclusivo, que, segundo ela, evidencia o compromisso institucional com a promoção da acessibilidade e da inclusão.

Para a advogada, iniciativas como essa ampliam o diálogo com a sociedade e, a cada interação, contribuem para uma compreensão mais clara das falhas ainda existentes, auxiliando na promoção de ações mais efetivas, sensíveis e alinhadas às necessidades das pessoas em situação de vulnerabilidade.

TJMT Inclusivo – O projeto reforça o compromisso do Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Comissão de Acessibilidade e Inclusão, com o respeito à neurodiversidade e dá cumprimento à Resolução 401/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que dispõe sobre o desenvolvimento de diretrizes de acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência nos órgãos do Judiciário, e à Lei federal nº 12.764/2012 – Lei Berenice Piana, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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