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Da escolha ao propósito: desembargador Márcio Vidal celebra 40 anos de magistratura

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A chegada dos 40 anos de magistratura do desembargador Márcio Vidal representa uma trajetória construída com escolhas, encontros e muito estudo. A decisão de trocar o curso de Medicina pelo Direito foi o primeiro passo de um caminho que ele jamais abandonaria. O que começou como um sonho, ainda nos bastidores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), logo se transformou em vocação e propósito de vida.
A opção pela magistratura também tem raízes familiares. Márcio Vidal seguiu os passos do pai, o desembargador José Vidal, que presidiu o TJMT e deixou uma marca profunda na história do Judiciário estadual. Falecido em 2006, José Vidal dá nome hoje ao Fórum de Cuiabá, simbolizando uma carreira que inspirou o filho e tantos outros a trilharem um caminho pautado pelo compromisso com a Justiça e com o serviço público.
“Na primavera de 1977, recordo que fui até o meu pai no final do dia e disse que não seguiria no curso de Medicina, pois faria Direito, e ele simplesmente me respondeu: ‘Filho, que bom, eu não gostaria de ter um filho médico’. Esse foi o ponto de partida para minha carreira na magistratura”, conta o desembargador.
Antes mesmo de vestir a toga, Márcio Vidal conheceu o Judiciário por dentro. Atuou em funções administrativas, datilografou acórdãos, acompanhou julgamentos e aprendeu, na prática, como as decisões impactam na vida das pessoas. Esse contato diário com o fazer judicial consolidou nele a certeza de que tinha feito a escolha correta. Em certo momento, precisou abrir mão do trabalho no Tribunal de Justiça de Mato Grosso pela incompatibilidade de horário entre o curso e o emprego.
Mesmo assim, a carreira acadêmica sempre caminhou lado a lado com a magistratura. Ainda como aluno da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), trabalhou na área administrativa da Faculdade de Direito. Depois de formado, foi professor de Direito Processual Civil e deu sequência ao processo de qualificação, fazendo mestrado na PUC de São Paulo, momento em que também conviveu com magistrados do Tribunal de Justiça de São Paulo.
“O período no TJMT me fez ganhar gosto pela magistratura. Aliado ao curso de Direito, o trabalho, as experiências e convivências, tudo isso foi me moldando. Há uma harmonia, como uma melodia, entre julgar e ser professor. Tudo isso vai acrescentando na carreira, adquirindo mais experiências, até porque experiência é conhecimento”, completa Márcio Vidal.
O ingresso na magistratura, em 1985, veio acompanhado de desafios intensos. Iniciando a carreira como juiz substituto em Cuiabá, auxiliou desembargadores e juízes durante os quatro primeiros meses. Posteriormente, assumiu comarcas do interior e viveu a realidade de ser um “clínico geral” fora da medicina. Foi nesse período que aprendeu a lidar com a diversidade humana e com o peso das decisões.
“Haviam vários concursos públicos para promotor e procurador do Estado, mas vi que me encaixava somente na magistratura, por conta de toda influência que recebi. Em abril de 1986, assumi a Comarca de Barra do Bugres. Lá, era uma espécie de clínico geral. Tinha matérias trabalhistas, dos menores, do meio ambiente, dos direitos individuais e também eleitoral, acumulando ainda com a diretoria do Fórum”, explica.
Ao olhar para trás, o desembargador reconhece os momentos de cansaço, dúvida e até fragilidade. Mas afirma que algo maior sempre o impulsionou a seguir. Hoje, o orgulho não está apenas na aprovação em um concurso difícil, mas na construção diária de uma trajetória marcada pelo esforço e pela ética.
“A experiência foi se ampliando dia a dia até chegar nos dias atuais. Vejo que a magistratura é uma das carreiras mais interessantes. Teve momentos de dificuldades? Teve. Teve momento que senti que iria fraquejar? Teve. Mas sempre algo maior do que eu próprio me impulsionava a continuar a judiciar. Hoje vejo que desenvolvo a minha atividade com muito prazer, não como algo pesado, mas algo muito leve. Isso tem ajudado no meu crescimento profissional”, relata.
Já quando se fala em legado, o desembargador prefere a palavra exemplo. “Devemos nos preocupar em desempenhar uma função a contento, despida de qualquer vaidade, de orgulho e da vontade de ser melhor do que o outro. Temos que ter humildade, pois ninguém é melhor que ninguém. Com toda essa humildade, também devemos ter em mente que somos falíveis, mas que uma de nossas preocupações tem que ser a de errar o menos possível”, aponta Vidal.
Mesmo após 40 anos de magistratura, Márcio Vidal segue motivado. O que o inspira é a compreensão da Justiça como guardiã da convivência humana. “Devemos julgar uma situação com o objetivo de manter a ordem e a convivência em sociedade. Por isso, acredito em um paralelo muito importante entre a Medicina e o Direito. A Medicina cuida da preservação da vida biológica, da vida física. E nós cuidamos de quê? Da convivência humana”, destaca o magistrado.
Além do desembargador Márcio Vidal, celebram 40 anos de magistratura neste dezembro de 2025 o desembargador Carlos Alberto Alves da Rocha e o presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira.
Fotos: Assessoria-TJMT

Autor: Bruno Vicente

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Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

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Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Mulheres da Cadeia Pública Feminina de Cáceres transformam vivências em versos

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Vista de cima, uma mulher de blusa rosa escreve em um caderno de capa vermelha. Na mesa de vidro, há folhas impressas e os livros “Aqui, escrever não é tarefa, é respiro, é desabafo que sangra em palavras.” Os versos são de uma mulher privada de liberdade na Cadeia Pública Feminina de Cáceres e foram apresentados nesta quarta-feira (3) durante a capacitação virtual Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena, promovida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) e a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT).

A professora Eliene Rocha Pereira apresentou as boas práticas do projeto “Remição pela Leitura: eu, leitora de mundo dentro dos muros”, desenvolvido junto com a professora Aline Aparecida Rocha. A iniciativa transforma os relatos de vida das detentas em poesia e, segundo Eliene, surpreendeu até as próprias participantes. “Esse trabalho mostrou que as meninas têm potencial para fazer as coisas. Quando eu mostrei o resultado para elas, foi uma satisfação muito grande ver que gostaram”, contou a professora durante a apresentação.

Inspiração e metodologia

O projeto nasceu inspirado na escritora Carolina Maria de Jesus, autora de Quarto de Despejo, que registrou em palavras a dureza de sua vida na favela. As detentas se identificaram com a trajetória da escritora a ponto de manifestarem interesse em ler o livro, desejo que ainda não foi possível atender.

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O trabalho seguiu cinco etapas: apresentação do projeto e diálogo sobre a importância da escrita; leitura e reflexão sobre as obras de Carolina Maria de Jesus; produção de relatos sobre experiências de vida dentro e fora da prisão; transformação dos relatos em poesias com o apoio de inteligência artificial; e socialização dos poemas em eventos e murais pedagógicos.

Eliene explicou que organizou e corrigiu os textos produzidos pelas participantes, preservando os pensamentos e a voz de cada uma. “Eu dei uma organizada no texto, porque elas erravam muitas palavras, mas os pensamentos e a história delas foram mantidos”, disse.

A voz que não se cala

Um dos poemas apresentados, de autora identificada como E. S. Freitas, retrata com força a convivência no sistema prisional, a desconfiança, a solidão, as hierarquias invisíveis e, ao mesmo tempo, a resistência e o aprendizado. Em seus versos, a autora escreve sobre conhecer sotaques e culturas de diferentes estados, sobre não abaixar a cabeça e não perder a humanidade: “Essa é minha voz ecoando entre muros que tentam calar, mas não consegue.”

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Para Eliene, o significado do projeto vai além da escrita. “Esse projeto quer mostrar que mesmo dentro dos muros da prisão existem histórias importantes que precisam ser contadas e ouvidas”, afirmou.

Sobre a capacitação

A capacitação Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena é uma realização conjunta do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF/TJMT), da Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Coeja/Seduc-MT) e do Núcleo de Educação no Sistema Penitenciário (NESP/Sejus-MT). A coordenação está a cargo do juiz auxiliar do GMF, Pierro de Faria Mendes.

O evento tem como objetivo capacitar professores, pedagogos e outros profissionais para a implementação de práticas de leitura no sistema prisional, em alinhamento com o Plano Nacional de Fomento à Leitura no Sistema Prisional e com a Resolução CNJ nº 391/2021.

Autor: Roberta Penha

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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