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Diamante: 2ª Vara de Rondonópolis comemora melhoria de produtividade

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De forma inédita, a 2ª Vara da Fazenda Pública de Rondonópolis (214 km de Cuiabá) alcançou as principais metas de produtividade estipuladas pelo Poder Judiciário de Mato Grosso para o Primeiro Grau de jurisdição, atingindo a faixa Diamante do Relatório Estratégico. A data histórica ocorreu terça-feira (26 de junho de 2024) e os dados são dos Painéis Ciência de Dados (Sistema Omni), utilizados pela Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ) para monitorar o desempenho das unidades.
 
“Estamos comemorando o resultado porque desde dezembro, quando eu e minha equipe chegamos à unidade, tínhamos como objetivo melhorar a performance da Vara e atingir a faixa Diamante”, declarou o juiz substituto Aroldo José Zonta Burgarelli, que também é titular da Vara Única de Guiratinga (a 328 km ao sul de Cuiabá). Na tarde de terça-feira (26), o magistrado se reuniu com toda a equipe para celebrar a marca, com direito a bolo com topo enfeitado pela imagem de um diamante.
 
O Sistema Omni monitora a produtividade das unidades judiciárias e sete principais indicadores têm pesos para a classificação de produtividade (Taxa de Congestionamento (peso de 20%), Indicador de Tempo (peso de 30%), Julgamento de mérito (peso de 20%), Meta 1 – julgar mais processos que os distribuídos (peso de 5%), Meta 2 – julgar processos mais antigos (peso de 20%), Índice de Produtividade Comparada – IPC (peso de 15%), e Qualidade de Dados (peso de 10%). Esses índices estão entre os principais indicadores nacionais avaliados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
 
Até março deste ano, a 2ª Vara da Fazenda Pública de Rondonópolis sequer pontuava, ou seja não se qualificando na faixa mínima (Faixa Bronze) de performance estabelecida pelo Poder Judiciário de Mato Grosso. “Foi um trabalho árduo que mostrou resultados gradativos. Com muito alinhamento e trabalho em equipe, em março começamos a pontuar ao chegar na faixa Bronze; em abril chegamos à faixa Ouro, nos mantivemos nesse patamar até maio, e agora, na última semana de junho, evoluímos para a faixa Diamante.”
 
Em março, quando a unidade conseguiu atingir a faixa Bronze do relatório, os indicadores que mais precisavam melhorar eram a Taxa de Congestionamento, o IPC e a Qualidade de Dados: Taxa de Congestionamento: 77,18% (quanto menor, melhor); Indicador de Tempo: 27,63%; Julgamento de Mérito: 78,49%; Meta 2: 174,14%; Meta 1: 174,14%; IPC: 40,24% (quanto maior, melhor); Qualidade de Dados: 88,95% (quanto maior, melhor).
 
Em junho, os três indicadores (Taxa de Congestionamento, o IPC e a Qualidade de Dados) foram priorizados pela equipe da 2ª Vara de Rondonópolis e a evolução foi significativa: Taxa de Congestionamento baixou para 30,27%; o IPC atingiu 100%; e Qualidade de Dados subiu para 99,82%. Deixando a unidade na sexta colocação do relatório.
 
A gestora da 2ª Vara da Fazenda Pública de Rondonópolis, Angélica Alves de Almeida, atribuiu a evolução da unidade ao trabalho em equipe e “ao excelente trabalho do juiz Aroldo, que está em substituição em nossa comarca e, mesmo acumulando com Guiratinga, conseguiu qualificar os dados e chegar ao Diamante.”
 
O juiz Aroldo José Zonta Burgarelli confirmou que a experiência adquirida na Comarca de Guiratinga, de Entrância Única, contribuiu para implementar boas práticas na Vara de Rondonópolis. Tanto que por dois anos consecutivos Guiratinga se mantém na faixa Ouro do relatório e apontou a ciência de dados como a “cereja do bolo” para melhoria da produtividade. “O OMNI possibilita analisar onde a unidade se encontra para então definirmos, em equipe, e falando a mesma língua com diálogo constante entre gabinete e secretária definirmos o que devemos focar e qual caminho seguir “, exemplifica o juiz.
 
Para o magistrado dois fatores foram fundamentais para o gerenciamento desses dados e a evolução da unidade. “Quando o programa Corregedoria Participativa esteve em Guiratinga e em Rondonópolis, pude acompanhar as dicas que a equipe do juiz auxiliar Emerson Cajango passou para os servidores. Eles ficaram uma tarde inteira passando de sala em sala, ouvindo as dificuldades dos servidores e dando sugestões de rotina. Outra iniciativa fundamental foi a capacitação presencial voltada para os Painéis Ciência de Dados em Cuiabá”, creditou.
 
O treinamento, visando a melhoria na qualificação dos dados de acordo com os incisos do Prêmio CNJ de Qualidade, no Eixo Dados & Tecnologia, foi uma das soluções ofertadas pela Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso (CGJ-MT), por meio do Departamento de Aprimoramento da Primeira Instância (DAPI), para colaborar com a melhora dos indicadores de performance do Primeiro Grau. Ao todo, 255 gestores judiciários foram capacitados na Escola dos Servidores, em Cuiabá.
 
#ParaTodosVerem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Foto 1: Imagem colorida. Magistrado e servidores da 2ª Vara de Rondonópolis comemoram a evolução da produtividade da unidade. No centro da mesa, um bolo com topo de diamante. 
 
 
Alcione dos Anjos
Assessoria de Imprensa CGJ-MT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Lei Maria da Penha: magistradas do TJMT destacam avanços, desafios e a luta para salvar vidas

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Close de uma mão com um X vermelho desenhado na palma, símbolo de combate à violência contra a mulher. Ao fundo, outra mão e manga de blusa cinzaA cada mulher que rompe o silêncio, uma história de coragem se sobrepõe ao medo. Há 20 anos, a Lei Maria da Penha passou a oferecer instrumentos concretos para proteger vítimas de violência doméstica e familiar, transformando a forma como o Brasil enfrenta um problema que, por muito tempo, permaneceu invisível dentro dos lares. Apesar dos avanços conquistados desde então, magistradas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) alertam que a mudança cultural ainda é o maior desafio para impedir que novas mulheres tenham suas vidas interrompidas pela violência.

A juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa, que atuou por muitos anos na 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e atualmente responde pela 2ª Vara Especializada de Família e Sucessões, destaca que a legislação representou uma mudança histórica ao reconhecer diferentes formas de violência contra a mulher e criar mecanismos de proteção mais efetivos.

Segundo ela, além de ampliar o conceito de violência doméstica para incluir as agressões psicológica, sexual, patrimonial e moral, a Lei Maria da Penha instituiu medidas protetivas com análise prioritária, fortaleceu a punição aos agressores e criou varas especializadas com equipes multidisciplinares e atuação integrada com a rede de proteção.

A juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges, titular da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra aMulher de cabelos longos e escuros veste jaqueta branca sobre blusa amarela com detalhes em azul, semblante alegre, olha para o lado. Ao fundo, vegetação desfocada Mulher de Cuiabá, também aponta a visibilidade dada ao problema como um dos maiores legados da legislação.

“Um dos principais avanços foi, principalmente, a visibilidade da violência doméstica contra a mulher. Hoje, nós conseguimos entender que não se trata de um problema no âmbito privado, como se entendia no passado, mas ela se tornou o centro do debate público. Hoje, nós discutimos não apenas a violência física, mas também a violência psicológica, moral, patrimonial, sexual e, mais recentemente, a violência vicária”, afirma.

Para a magistrada, dar visibilidade ao problema também permite produzir estatísticas e direcionar políticas públicas voltadas à prevenção e ao acolhimento das vítimas.

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Desafio permanente

Mesmo após duas décadas da Lei Maria da Penha, as duas magistradas concordam que a violência doméstica não será combatida apenas com a aplicação da legislação.

Mulher de cabelos longos e loiros, veste blazer preto rendado sobre blusa branca e colar dourado, sorri em ambiente iluminado. Ao fundo, plantas e estrutura de vidroPara a juíza Ana Graziela, trata-se de um problema social e estrutural. “A violência doméstica e familiar contra a mulher, para além de um problema judicial, é um problema social e estrutural. Esse é o maior desafio, a mudança social e estrutural do que gera e fomenta essa violência, não bastando a aplicação correta da lei para findar a violência e proteger as vítimas. Por isso se mostra tão importante a articulação em rede”, ressalta.

A magistrada observa ainda que nos últimos anos houve aumento das denúncias envolvendo violência psicológica e patrimonial, impulsionado pelo maior conhecimento sobre os direitos das mulheres. Ao mesmo tempo, o crescimento dos casos de feminicídio em Mato Grosso preocupa o Judiciário, que busca identificar fatores de risco para fortalecer as ações preventivas.

Na mesma linha, a juíza Tatyana lembra que o aumento das penas para feminicídio representa uma resposta importante do Estado, mas não é suficiente para mudar uma realidade construída ao longo de gerações. “Infelizmente, como a gente vê que isso não é um problema só legislativo, é um problema cultural, mesmo com a implantação da lei, no ano passado nós tivemos um aumento de feminicídio”, afirma.

Rede que protege

As magistradas destacam que nenhuma instituição consegue enfrentar a violência doméstica sozinha.

Ana Graziela defende investimentos permanentes em políticas públicas, fortalecimento das Delegacias Especializadas, ampliação da Patrulha Maria da Penha, atendimento psicológico e ações que promovam a autonomia financeira das mulheres. Para ela, a atuação integrada da rede é indispensável para garantir proteção efetiva às vítimas.

Tatyana reforça que o trabalho em rede também precisa olhar para o futuro, apostando na educação como instrumento de transformação social.

Ela cita iniciativas desenvolvidas pelo Poder Judiciário, como o projeto Lei Maria da Penha Vai às Escolas e o A Escola Ensina, a Mulher Agradece, que levam o debate sobre respeito, igualdade e prevenção da violência às salas de aula. “Por meio da educação, a gente pode transformar essa cultura de violência para uma cultura de respeito”, afirma.

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Romper o silêncio salva vidas

Outro ponto destacado pelas magistradas é a importância da denúncia e das medidas protetivas de urgência.

Segundo Tatyana, Mato Grosso concede medidas protetivas em poucas horas, um dos melhores desempenhos do país. Ela ressalta que esses mecanismos têm papel fundamental na preservação da vida das mulheres. “As medidas protetivas realmente salvam vidas. No ano passado foram quase 20 mil medidas protetivas deferidas dentro do nosso estado. Milhares de mulheres estão protegidas por medidas protetivas e é de forma célere”, destaca.

Às mulheres que ainda enfrentam situações de violência, Ana Graziela deixa uma mensagem de acolhimento. “Procurem ajuda, seja de familiares, amigos ou ajuda especializada, se informem sobre os seus direitos, sobre as medidas de proteção que podem lhes ser deferidas e sobre as ações judiciais e sociais que podem ser adotadas”, orienta, lembrando que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso disponibiliza atendimento psicológico, social e diversas ações de apoio por meio do Centro Especializado de Atendimento às Vítimas (CEAV).

Tatyana faz um apelo semelhante e reforça que a denúncia deve vir acompanhada de uma rede de apoio. “O que eu diria para essa mulher é que ela procure primeiramente uma rede de apoio. Se for uma situação de emergência, realmente vá até uma delegacia especializada da mulher e ofereça essa denúncia. A partir desse momento em que ela procura essa ajuda inicial, serão feitos os encaminhamentos necessários para que ela possa realmente romper com esse ciclo da violência”, conclui.

Roberta Penha

Josi Dias e Rodrigo Moura

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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