Tribunal de Justiça de MT

Em abertura de seminário, desembargadora Clarice Claudino convida para “jornada de reconexão”

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“É com o coração profundamente grato que iniciamos este Seminário não apenas como mais um evento, mas como um encontro de almas que escolhem acreditar na força do diálogo e no poder das relações humanas. Vivemos tempos em que a pressa se tornou rotina e o silêncio, um luxo. Tempos em que as vozes se sobrepõem, mas nem sempre se escutam”. Foi com essa mensagem que a desembargadora Clarice Claudino da Silva, presidente do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (Nugjur) do Poder Judiciário de Mato Grosso, deu as boas-vindas aos participantes do Seminário “Justiça Restaurativa na Educação e na Ambiência Institucional”, realizado nesta quinta e sexta-feira (13 e 14) na sede do Tribunal de Justiça.

Conforme a presidente do Nugjur, é por conta desse cenário de rotina corrida e relações abaladas pela falta de escuta que a Justiça Restaurativa se faz tão necessária. “Porque ela nos convida a desacelerar, a ouvir, a reconhecer o outro como legítimo em sua forma de ser e sentir”.

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Nesta edição do seminário, o foco do debate será a Justiça Restaurativa na educação e nos ambientes institucionais. O evento é voltado a magistrados e magistradas, servidores e servidoras, bem como aos profissionais da Educação, que são parceiros do Nugjur na implantação de práticas restaurativas nas escolas públicas do Estado e dos municípios.

Tendo isso em vista, a desembargadora Clarice Claudino destacou que a ambiência institucional restaurativa é mais do que um conceito, mas sim uma experiência viva. “É o momento em que o ambiente de trabalho deixa de ser apenas espaço de produção e passa a ser território de pertencimento, é quando cada servidor, cada servidora entende que sua presença tem valor, que sua fala tem peso, que seu gesto tem impacto”.

Conforme Claudino, os debates que serão promovidos ao longo do seminário tratarão sobre o poder que todos têm de restaurar relações e ressignificar vínculos. “Veremos que liderar sob a ótica restaurativa não é exercer poder, mas compartilhar propósito, que o verdadeiro protagonismo institucional nasce da escuta, nasce da empatia e da responsabilidade compartilhada”, afirmou.

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O Seminário Justiça Restaurativa na Educação e na Ambiência Institucional integra as celebrações da Semana Nacional da Justiça Restaurativa e tem como objetivo debater como essa metodologia pode transformar as dinâmicas institucionais e fomentar a cultura da paz, dentro e fora dos ambientes judiciais. A programação do evento pode ser conferida neste link.

Autor: Celly Silva

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Tribunal de Justiça de MT

Mulheres da Cadeia Pública Feminina de Cáceres transformam vivências em versos

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Vista de cima, uma mulher de blusa rosa escreve em um caderno de capa vermelha. Na mesa de vidro, há folhas impressas e os livros “Aqui, escrever não é tarefa, é respiro, é desabafo que sangra em palavras.” Os versos são de uma mulher privada de liberdade na Cadeia Pública Feminina de Cáceres e foram apresentados nesta quarta-feira (3) durante a capacitação virtual Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena, promovida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) e a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT).

A professora Eliene Rocha Pereira apresentou as boas práticas do projeto “Remição pela Leitura: eu, leitora de mundo dentro dos muros”, desenvolvido junto com a professora Aline Aparecida Rocha. A iniciativa transforma os relatos de vida das detentas em poesia e, segundo Eliene, surpreendeu até as próprias participantes. “Esse trabalho mostrou que as meninas têm potencial para fazer as coisas. Quando eu mostrei o resultado para elas, foi uma satisfação muito grande ver que gostaram”, contou a professora durante a apresentação.

Inspiração e metodologia

O projeto nasceu inspirado na escritora Carolina Maria de Jesus, autora de Quarto de Despejo, que registrou em palavras a dureza de sua vida na favela. As detentas se identificaram com a trajetória da escritora a ponto de manifestarem interesse em ler o livro, desejo que ainda não foi possível atender.

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O trabalho seguiu cinco etapas: apresentação do projeto e diálogo sobre a importância da escrita; leitura e reflexão sobre as obras de Carolina Maria de Jesus; produção de relatos sobre experiências de vida dentro e fora da prisão; transformação dos relatos em poesias com o apoio de inteligência artificial; e socialização dos poemas em eventos e murais pedagógicos.

Eliene explicou que organizou e corrigiu os textos produzidos pelas participantes, preservando os pensamentos e a voz de cada uma. “Eu dei uma organizada no texto, porque elas erravam muitas palavras, mas os pensamentos e a história delas foram mantidos”, disse.

A voz que não se cala

Um dos poemas apresentados, de autora identificada como E. S. Freitas, retrata com força a convivência no sistema prisional, a desconfiança, a solidão, as hierarquias invisíveis e, ao mesmo tempo, a resistência e o aprendizado. Em seus versos, a autora escreve sobre conhecer sotaques e culturas de diferentes estados, sobre não abaixar a cabeça e não perder a humanidade: “Essa é minha voz ecoando entre muros que tentam calar, mas não consegue.”

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Para Eliene, o significado do projeto vai além da escrita. “Esse projeto quer mostrar que mesmo dentro dos muros da prisão existem histórias importantes que precisam ser contadas e ouvidas”, afirmou.

Sobre a capacitação

A capacitação Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena é uma realização conjunta do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF/TJMT), da Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Coeja/Seduc-MT) e do Núcleo de Educação no Sistema Penitenciário (NESP/Sejus-MT). A coordenação está a cargo do juiz auxiliar do GMF, Pierro de Faria Mendes.

O evento tem como objetivo capacitar professores, pedagogos e outros profissionais para a implementação de práticas de leitura no sistema prisional, em alinhamento com o Plano Nacional de Fomento à Leitura no Sistema Prisional e com a Resolução CNJ nº 391/2021.

Autor: Roberta Penha

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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