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Esmagis: curso de Inteligência Artificial chega à 4ª turma e impulsiona modernização do Judiciário

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Foto colorida e horizontal de treinamento. Desembargador Lídio Modesto está em pé, à direita. Ele segura microfone e fala para plateia de aproximadamente 40 pessoas sentadas em cadeiras em um semicírculo. Muitos dos participantes estão olhando para o palestrante, e há mesas e notebooks visíveis.Nesta sexta-feira (12 de dezembro) será finalizada a quarta turma do curso “InovaGPT: Transformando a Gestão Judicial com Inteligência Artificial” – Módulo 1. Promovida pela Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), a capacitação tem duração de três dias (10 a 12 de dezembro), é voltada a magistrados(as) e assessores(as) e conduzida pelo eixo “Tecnologia Digital” da Escola, sob responsabilidade do desembargador Lídio Modesto da Silva Filho.

Realizado a partir de exercícios práticos, o curso tem alcançado resultados expressivos, com grande número de interessados. Segundo o desembargador, o programa se destaca pela qualidade do conteúdo e pela atuação do instrutor, juiz Vinícius Galhardo. “Tenho certeza que, pelo sucesso que é, pela entrega que existe e pelo material desenvolvido com muito carinho pela Escola da Magistratura, nossos servidores e magistrados têm hoje uma qualificação muito melhor para trabalhar com essa ferramenta que chegou para ficar. É uma ferramenta disruptiva, que permite que os trabalhos sejam feitos de forma célere, dando maior qualidade de vida para o servidor e para o magistrado”, afirmou.

O desembargador ressalta que o curso foi pensado especialmente para atender às demandas do Estado e incentivar o aprofundamento no uso de tecnologias emergentes. Ele destaca que a inteligência artificial tem proporcionado mais agilidade e eficiência no trabalho, além de melhorar a qualidade de vida dos profissionais. “É uma carga informacional gigantesca à nossa disposição”, disse. “A grande maioria dos magistrados premiados recentemente já utiliza IA, o que mostra que esse é um caminho sem volta e que estamos perdendo o medo da usabilidade do sistema.”

Com a boa receptividade do público, para 2026 a Esmagis-MT planeja expandir o curso InovaGPT para alcançar servidores e magistrados que atuam em regiões mais distantes da capital. Segundo o desembargador, o objetivo é ampliar o debate sobre inteligência artificial. “Queremos interiorizar o curso e trazer pessoas com conhecimento avançado para discutir temas que hoje movimentam não só Mato Grosso, mas o mundo inteiro”, afirmou. “Nosso curso, no meu ponto de vista, é o melhor do Brasil — e queremos somar ainda mais e realizar eventos aqui na Esmagis.”

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Instrutor

Com carga horária de 20 horas/aula, o curso é ministrado pelo juiz de Direito Vinícius Paiva Galhardo, integrante do INOVAJUS do Tribunal de Justiça de Mato Grosso e formador credenciado pela Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam). Segundo o magistrado, o TJMT tem se destacado nacionalmente pela rapidez na adoção de novas tecnologias. “O nosso Tribunal de Justiça está muito à frente do tempo”, afirmou. Ele explica que, desde o início de 2025, magistrados e servidores vêm passando por capacitações contínuas em inteligência artificial. “Hoje nós temos praticamente todo o Tribunal com um conhecimento mínimo de IA”, destacou.

Galhardo ressalta que o objetivo central da formação é aprimorar a qualidade da prestação jurisdicional e reduzir o tempo de resposta ao cidadão. “É um curso voltado para a prática, uma demonstração de como utilizar a inteligência artificial na gestão de gabinete. E o principal que a gente sempre busca com isso é qualidade na prestação da tutela judicial e melhorar ainda mais o tempo de espera na resposta judicial”, explicou. O juiz avalia o resultado como “100% positivo” e aponta a recente conquista do Selo Diamante do CNJ como reflexo direto do esforço institucional aliado ao uso de novas tecnologias. “Tudo isso é resultado de muito esforço de todos nós e também das novas tecnologias. A inteligência artificial é uma delas e já vem sendo implementada pelo Tribunal desde o início do ano”, completou.

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Para o juiz Edson Dias Reis, da 2ª Turma Recursal (Gabinete 2), essa capacitação é extremamente relevante para a atividade em gabinete. “Para quem iniciou no Judiciário há mais de 30 anos com a máquina de datilografia, a gente vê o avanço da tecnologia no intuito de nos auxiliar, não nos substituir, mas de nos auxiliar. Não tem como hoje o magistrado exercer a sua função para cumprimento de metas e entregar uma prestação jurisdicional célere e eficiente sem o uso da inteligência artificial.”

A atividade pedagógica teve início em 10 de dezembro, com 4h de atividades na modalidade EAD, com acesso livre pela plataforma Moodle. Nos demais dias, as atividades ocorrem presencialmente, na Esmagis, das 8h às 12h e das 13h30 às 17h30.

Ao longo da ação pedagógica, serão abordados os seguintes tópicos: introdução à Inteligência Artificial Generativa e ao Chat GPT, configurações básicas do GPT para uso no Judiciário, princípios de criação de prompts eficazes e oficinas práticas, envolvendo o desenvolvimento de prompts para audiência de custódia, recebimento de petição inicial (cível e criminal), despacho saneador e relatório de sentenças.

Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.

Autor: Lígia Saito e Keila Maressa

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis-MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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