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Expedição Araguaia Xingu 2023 realizou mais de 35 mil atendimentos em cinco municípios

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A quinta edição da Expedição Araguaia Xingu realizou, entre os dias 23 de novembro e 5 de dezembro de 2023, exatos 35.541 atendimentos às populações das regiões mais remotas dos municípios de São José do Xingu, Santa Cruz do Xingu, Luciara, São Félix do Araguaia e Cocalinho. Todos esses locais ficam na região nordeste e leste do estado, sendo que a menor distância em relação à capital é 907 quilômetros (Cocalinho) e a maior é 1.083 quilômetros, no caso de Luciara.
 
Os sentimentos de solidariedade e senso de justiça foram os combustíveis que impulsionaram as equipes do Poder Judiciário, demais órgãos do sistema de justiça e dezenas de outros parceiros a percorrer, por terra e água, todos os caminhos possíveis para chegar a quem mais precisa. A ação chegou até as aldeias indígenas localizadas na divisa de Mato Grosso com Tocantins Piaraçu, onde vive a etnia Kayapó; São Domingos, onde vivem os Iny Karajá, e Santa Isabel, onde os Karajá e os Javaé recepcionaram a caravana com esperança, alegria e muita hospitalidade, proporcionando momentos de grande interação cultural, inclusive com danças circulares.
 
Resultados por eixo – No eixo Justiça, foram realizados 1.142 atendimentos no total, sendo 99 atendimentos dos Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejuscs) de Santa Cruz do Xingu, São José do Xingu, Santa Terezinha, Luciara e São Félix do Araguaia; quatro círculos de construção de paz; 156 atendimentos realizados pela assessoria do TJMT, 297 pela Defensoria Pública Estadual (DPE); 22 pelo Ministério Público Estadual (MPMT); 360 pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT); cinco atendimentos feitos pela Polícia Judiciária Civil e 203 pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), que promoveu audiências de orientação e recomendação às autoridades dos municípios.
 
Serviços de cidadania – O eixo Cidadania, o mais procurado pela população do Araguaia, atingiu a marca de 14.325 atendimentos nas mais diversas áreas, como corte de cabelo, oferecido pelo Instituto Galvan, (que beneficiou 4.034 pessoas). A Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc) atendeu a 3.480 pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica, além de outras 794 que buscaram serviços na área de Direitos Humanos; a Superintendência de Assuntos Indígenas acolheu 1.884 pessoas. Já o Corpo de Bombeiros Militar proporcionou a 1.141 crianças que pudessem conhecer um pouco dos equipamentos utilizados pela corporação, vestir os equipamentos de segurança e descer de uma estrutura de tirolesa.
 
Além disso, também estiveram presentes nesta 5ª edição da Expedição Araguaia Xingu diversos outros órgãos parceiros, como a Caixa Econômica Federal, com sua unidade móvel; a Receita Federal, a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), com emissão de documentos; Energisa.
 
O Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e o Procon estadual atenderam, cada um, 226 cidadãos. O Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat), ao longo da expedição, entregou 99 títulos definitivos de propriedade nos assentamentos Zeca do Doca e Novo Horizonte, localizados, respectivamente, nos municípios de São Félix do Araguaia e Cocalinho.
 
A Defesa Civil estadual atendeu a 85 pessoas. A Marinha do Brasil prestou serviços a 59 pessoas que têm embarcações, como, por exemplo, os ribeirinhos. O Exército Brasileiro também marcou presença na Expedição Araguaia Xingu, atendendo a 25 pessoas. Além disso, as Secretarias Municipais de Assistência Social das cidades visitadas deram suporte a 54 famílias que buscaram pelos serviços.
 
Eixo Saúde – Foram realizados 3.193 atendimentos, sendo 1.902 prestados pelas secretarias municipais de saúde de São José do Xingu, Luciara, São Félix do Araguaia e Cocalinho; 859 consultas oftalmológicas disponibilizadas pela Justiça Comunitária; 184 consultas oftalmológicas oferecidas pelo Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT-MT); 130 vacinas aplicadas pela Secretaria de Estado de Saúde, por meio do programa Imuniza Mais MT; além de 118 atendimentos realizados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-MT).
 
Educação Ambiental – Nesse aspecto, 11.110 pessoas foram impactadas positivamente, sendo 9.200 pelo Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental, com sua exposição de animais silvestres taxidermizados e serpentes vivas; e 1.910 pelo Juizado Volante Ambiental (Juvam), que distribuiu mudas de plantas frutíferas e nativas.
 
Ciência, Cultura e Esporte – Este eixo beneficiou 3.274 pessoas com serviços oferecidos pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel) e pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci), que proporcionaram atividades como experiência imersiva em um planetário, realidade virtual, torneios de futsal, entre outros.
 
Educação no Trânsito – Esse eixo, organizado pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT), contemplou 2.497 crianças, adolescentes e adultos, que participaram das palestras e oficinas sobre o Código Brasileiro de Trânsito.
 
Doações – Além dos atendimentos, as populações dos municípios alcançados também receberam doações. O Juvam doou 4 mil mudas de plantas; o Governo do Estado entregou 3 mil cestas básicas, 3 mil kits de limpeza, 2 mil cobertores; a Aprosoja doou 2 mil cestas básicas; o Grupo Bom Futuro doou 2 mil lençóis de cama e 130 cestas básicas; o Tribunal de Contas do Estado distribuiu 3 mil caixas de lápis de cor, 1.500 bolas e 1.500 bonecas às crianças.
 
Quem também contribuiu com doações ao público-alvo da Expedição Araguaia Xingu foi a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer, que distribuiu mais de 320 itens esportivos, como bolas, redes, entre outros. A Secretaria de Estado de Assistência Social, por meio da Adjunta de Direitos Humanos, entregou 820 kits de beleza e cartilhas sobre violência contra a mulher para o público feminino. A Receita Federal doou roupas. Já o Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região destinou 184 óculos de armações e 30 caixas com kits escolares para o público em vulnerabilidade econômica. A Associação Mato-grossense de Magistrados (Amam) doou caixas de escovas de dente.
 
A iniciativa privada também foi representada pelas lojas Studio Z, que doou calçados; pela Energisa, que doou brinquedos para as crianças atendidas e forneceu alimentação para os parceiros do projeto, durante o deslocamento. Além desses parceiros, também desempenham papel importante na logística da Expedição Araguaia Xingu 2023 a Defesa Civil estadual, que deu suporte logístico aos colaboradores; a Cavalaria da Polícia Militar, com disponibilização do caminhão para transporte das doações e policiamentos nos locais de mutirão e a Polícia Judiciária Civil, que também deu suporte logístico por meio de um caminhão.
 
#ParaTodosVerem – Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Primeira imagem: No pátio de uma escola localizada em terra indígena, nativos e visitantes dançam em caracol, de mãos dadas, no chão de terra batida do lugar. O círculo do centro, estão as lideranças indígenas, juízes e demais autoridades, Nos círculos em volta, estão as crianças. Ao fundo, é possível ver muitas árvores e o céu nublado. Segunda imagem: Tenda montada e repleta de pessoas sentadas em cadeiras de plástico, aguardando atendimento. Em primeiro plano, há uma enorme faixa com a logomarca da Expedição Araguaia Xingu 2023 e a relação de serviços disponibilizados. Terceira imagem: Uma idosa de pele negra, cabelos crespos e grisalhos e olhos puxados, com traços indígenas, mostra, feliz, o título definitivo de regularização fundiária que obteve na Expedição e, com a outra mão, faz sinal de jóia. Ela está usando uma blusa vermelha e sentada na tenda onde ocorreram os atendimentos. Quarta imagem: Uma mulher aparentando cerca de 50 anos, de pele negra, cabelos lisos e olhos escuros, mostra as cartilhas que recebeu e que falam sobre empoderamento feminino e violência contra a mulher. Ela está sorrindo e, atrás dela, há uma biblioteca.
 
Celly Silva/ Fotos: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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