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Grupo de Fiscalização Carcerária inspeciona unidades penitenciárias de Água Boa e Nova Xavantina

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O Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo de Mato Grosso (GMF/MT) visitou na terça-feira (17 de outubro) as unidades prisionais dos municípios de Água Boa e Nova Xavantina.
 
A equipe liderada pelo supervisor do GMF, desembargador Orlando de Almeida Perri, percorreu as unidades da Região do Araguaia para verificar as condições estruturais da Penitenciária e Cadeia Pública das respectivas comarcas e garantir o cumprimento digno da pena, com ações de ressocialização, para as pessoas privadas de liberdade (PPL’s) no Estado. A inspeção teve como um dos principais focos a preocupação com a saúde mental dos recuperandos.
 
Além da fiscalização, a viagem teve como objetivo ampliar parcerias com as prefeituras e empresários locais, para a geração de emprego e oferta de cursos profissionalizantes no sistema carcerário de Mato Grosso.
 
Penitenciária Major PM Zuzi Alves da Silva – A unidade prisional conta com 467 pessoas privadas de liberdade. Destas, 235 estudam, 250 fazem remição pela leitura e 67 trabalham intramuro e extramuro. As contratações são intermediadas por termos de cooperação através da Fundação Nova Chance (Funac), com contratos com a Prefeitura de Água Boa e Defensoria Pública do município.
 
Reunião na Prefeitura de Água Boa – Durante a visita ao município, o GMF se reuniu com o prefeito municipal, Dr. Mariano Kolankiewicz, secretários e empresários do município para fomentar a implantação do Escritório Social e a contratação da mão de obra de recuperandos na localidade. Ao fim da reunião, o gestor do Poder Executivo do município assinou o termo de intenção de adesão ao equipamento de abraçamento de egressos e pré-egressos do sistema prisional, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
 
O supervisor do GMF, desembargador Orlando Perri, classifica como muito produtiva a visita à unidade prisional e a reunião com os gestores municipais e empresários. “Estivemos reunidos com a classe empresarial e abrimos a possibilidade da contratação de recuperandos no município. A Prefeitura de Água Boa já contrata a mão de obra de pessoas privadas de liberdade e assinou o termo de intenção para adesão ao Escritório Social, o que foi muito importante.”
 
Para o Prefeito de Água Boa, a instalação do Escritório Social será muito positiva ao município. “Vai organizar a questão das pessoas privadas de liberdade, ajudar por meio de parceria com o Creas, com assistência na rede municipal de saúde, na parte social, psicológica e também para os familiares dessas pessoas. E a questão da empregabilidade, que vai permitir que o comércio de Água Boa faça contratações, inserindo os recuperandos no mercado de trabalho e proporcionando o crescimento da economia no município.”
 
Cadeia Pública Feminina de Nova Xavantina – A unidade prisional do município conta com 30 mulheres privadas de liberdade. Destas, 22 participam de atividades de estudo e 06 iniciam trabalho junto à prefeitura de Nova Xavantina em novembro. A cadeia conta com oficina de costura, onde 06 recuperandas exercem atividades têxteis.
 
Encontro na Prefeitura de Nova Xavantina – A comitiva do GMF esteve reunida na tarde de terça-feira com o prefeito e secretários do município, autoridades do Sistema de Justiça de Nova Xavantina e empresários para viabilizar parcerias entre Poder Judiciário e Executivo na empregabilidade de recuperandos.
 
Entre as pautas da reunião, foi sugerida a possibilidade da assinatura de termos de cooperação com o Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Médio Araguaia (CODEMA), que conta com 09 municípios da região.
 
O desembargador Orlando Perri afirma que o encontro foi fundamental para criar oportunidades às pessoas privadas de liberdade. “Em Nova Xavantina, finalizamos o termo com a prefeitura para contratação de recuperandas e vamos aprofundar ainda mais o diálogo com o consórcio de municípios (CODEMA), para gerar mais empregos aos reeducandos do sistema prisional.”
 
De acordo com o prefeito de Nova Xavantina, João Bang, poder ouvir as propostas trazidas pelo GMF, com muitos benefícios à região e ao município, é muito gratificante. “Tenho certeza que logo teremos muitas novidades para as nossas empresas e reeducandas. Nossa parceria não será apenas essas 06 reeducandas que estamos contratando, com certeza contrataremos mais e ajudaremos a dar uma segunda chance a essas pessoas. O desembargador e toda equipe do GMF estão de parabéns pela iniciativa.”
 
#Paratodosverem 
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Imagem 1: desembargador supervisor do GMF percorre os corredores da penitenciária. Imagem 2: supervisor do GMG está no corredor da penitenciária e conversa com os presos. Imagem 3: Supervisor e equipe do GMF em reunião no gabinete do prefeito de Água Boa. Imagem 4: supervisor do GMF e equipe conversam com mulheres na cadeia de Nova Xavantina. Imagem 5: reunião da equipe de GMF com o prefeito de Nova Xavantina.
 
Marco Cappelletti/ Fotos: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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