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Judiciário debate diversidade familiar e combate à LGBTQIAPN+fobia em webinário sobre adoção

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A Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso (CGJ-MT), por meio da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja-MT) e em parceria com a Escola Superior da Magistratura (Esmagis-MT), promoveu nesta terça-feira (11) o webinário “Direito da População LGBTQIAPN+ na Perspectiva Antidiscriminatória”, em alusão ao Dia Mundial da Adoção, celebrado em 9 de novembro.

O encontro reuniu magistrados, servidores, psicólogos e assistentes sociais para discutir o direito à adoção por famílias homossexuais e a superação de estigmas relacionados à população LGBTQIAPN+, em especial à invisibilidade da bissexualidade.

A abertura foi conduzida pela juíza auxiliar da CGJ-MT, Anna Paula Gomes de Freitas, que destacou que a capacitação integra as ações da Corregedoria voltadas ao cumprimento da Resolução nº 532/2023 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A normativa veda qualquer forma de discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero nos processos de habilitação e adoção. “Nosso compromisso é assegurar que todo o sistema de adoção funcione com base na igualdade e no respeito à diversidade, desde a preparação dos pretendentes até a formação contínua de magistrados e servidores”, afirmou a juíza auxiliar.

Anna Paula reforçou que toda criança e adolescente têm o direito de crescer em um ambiente de cuidado e afeto, e que as práticas institucionais devem refletir esse princípio. “Trazer luz à visibilidade bissexual e aos diferentes arranjos familiares é um passo em favor da humanidade. Que a empatia continue guiando nossas decisões e dos profissionais envolvidos no processo de adoção. Esta atividade formativa é um gesto institucional de escuta em busca de uma Justiça mais igualitária e múltipla”, completou.

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A primeira palestra foi conduzida pela juíza Ângela Regina Gama da Silveira Gutierres Gimenez, titular da 1ª Vara Especializada de Família e Sucessões de Cuiabá, com o tema “A invisibilidade da bissexualidade”. A magistrada apresentou dados e conceitos sobre identidade de gênero, orientação sexual e o reconhecimento jurídico das uniões homossexuais, lembrando que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar as ações ADI 4.277 e ADPF 132, equiparou as uniões entre pessoas do mesmo sexo às heterossexuais, assegurando o direito à adoção.

“As famílias LGBTQIAPN+ existem e devem ter todos os seus direitos garantidos. Me identifiquei bissexual aos 56 anos e decidi não viver no silêncio. Assumir essa identidade foi um compromisso com meu filho, com as pessoas LGBTQIAPN+ e com a sociedade. Precisamos dar nome, conversar sobre e promover cursos de letramento que tornem o Judiciário mais inclusivo”, declarou a juíza.

Na sequência, a assistente social Graziela Milani Leal, especialista em Intervenção Social com Famílias (PUC-RS) e integrante da equipe negocial do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA/CNJ), proferiu a palestra “Adoção e Diversidades: As diferentes formas de famílias”.

Graziela explicou que o conceito de família é social, histórico e cultural, e que a Constituição reconhece todas as formas de arranjos familiares. Ela destacou que não há fundamento científico ou jurídico que relacione a orientação sexual dos cuidadores ao desenvolvimento infantil e que pesquisas apontam a estabilidade emocional e o afeto como principais fatores de proteção de crianças e adolescentes.

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Entre as configurações familiares mencionadas estão as monoparentais (formada por pai provedor e mãe cuidadora), homossexuais (cuidadores da comunidade LGBTQIAPN+), recompostas (filhos de relações anteriores), multiparentais (responsabilidade legal da criança dividida entre pai, mãe e uma terceira pessoa), extensas (parentes), anaparentais (núcleos formados por laços afetivos, e não por vínculos sanguíneos ou conjugais) e poliafetivas (mais de dois adultos com relações afetivas estáveis), além das chamadas “famílias multiespécie”, que incluem vínculos afetivos com animais de estimação, todas legítimas sob a ótica do cuidado e da proteção.

“O papel do Judiciário é garantir que nenhuma família seja deslegitimada por preconceito moral ou conservador. O que define uma família é o afeto, não a biologia”, ressaltou Graziela.

A palestrante também reforçou a importância de evitar práticas discriminatórias e a violência institucional, defendendo a formação permanente de profissionais do sistema de Justiça para assegurar atendimentos respeitosos e inclusivos, conforme orienta o CNJ.

Autor: Alcione dos Anjos

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Departamento: Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT

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Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Congresso reúne magistrados e especialistas para discutir transformações nas relações familiares

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Visão geral de um auditório lotado com pessoas de pé. No palco iluminado, autoridades perfiladas diante de um grande painel com a bandeira do Brasil. Um tapete vermelho cruza o corredor central.Começou na quarta-feira (24) o Congresso IBDFAM Mato Grosso – “Entre a terra, os laços e os algoritmos: o futuro do Direito das Famílias e Sucessões”. Com programação até sexta-feira (26), o evento reúne especialistas de diversas áreas para debater os impactos sociais, jurídicos e tecnológicos nas relações familiares atuais.

Realizado com apoio do Poder Judiciário de Mato Grosso, o congresso acontece no auditório do Fórum de Cuiabá. Estão em debate temas como “As transformações das famílias e suas contratualizações”, “Instrumentos de planejamento sucessório no agronegócio”, “Luto e litigância: como fica a criança”, “Namoro qualificado e união estável – a instrumentalização”, entre outros.

O Congresso IBDFAM é considerado um dos principais eventos da área no estado e conta com a participação de magistrados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), profissionais do Direito, acadêmicos e especialistas para debater temas atuais relacionados às famílias, sucessões e aos impactos das novas tecnologias nas relações humanas.

Mulher de óculos e camisa branca fala ao microfone em um púlpito com o logotipo do Congresso IBDFAM Mato Grosso. Ao lado, uma intérprete de Libras e, ao fundo, as bandeiras do Brasil e do estado.Representando o presidente do TJMT, José Zuquim Nogueira, a juíza auxiliar da Presidência, Christiane da Costa Marques destacou que o evento preenche uma lacuna de muitos anos sem um encontro dessa magnitude no estado. Para ela, esses encontros ajudam a preparar e melhorar todo o sistema de justiça para o atendimento das demandas da sociedade.

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“Precisamos estar preparados para acolher o cidadão, pois ninguém vai ao fórum se não para resolver alguma situação que está o ferindo. Saliento sempre que o ideal é que a gente consiga fazer com que as pessoas deixem a nossa presença melhor do que elas chegaram, menos sofridas. Por isso, é importante a participação efetiva de todos do sistema de justiça”, disse a magistrada.

Mulher de cabelo preso e blazer floral brilhante concede entrevista, falando ao microfone da TV Jus. Ao fundo, um painel do IBDFAM Mato Grosso com o tema do evento sobre o Direito das Famílias.A presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM) de Mato Grosso, Emanouelly Costa Nadaf, destacou que há cerca de 11 anos não era realizado um congresso de direitos de família e sucessões no estado. Nesse contexto, ela enfatizou que o apoio do TJMT foi fundamental para que o projeto saísse do papel.

“O Judiciário de Mato Grosso realmente abraçou essa causa, enxergando a grandiosidade e o quanto este evento vai ser transformador para todos que atuam nessa área. Então, só temos a agradecer, porque sem o TJMT não teríamos a possibilidade de construir esse ambiente para debater temas tão necessários e urgentes”, afirmou Emanouelly.

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Uma das palestrantes do congresso é a juíza Angela Regina Gama da Silveira Gutierres Gimenez, titular da 1ª Vara Especializada da Família e Sucessões de Cuiabá. A magistrada abordará o tema “Namoro qualificado e união estável – a instrumentalização”. Para a juíza, eventos como este qualificam os magistrados e geram impactos positivos no atendimento da população.

“Quanto mais preparados estejam todos os operadores da rede judicial, maior será o impacto na comunidade em geral. Isso nos fortalece e abre as nossas visões para as múltiplas realidades. Nós desejamos e estamos trabalhando para esse aprimoramento da justiça e de todo o circuito judicial para que a nossa população seja atendida cada vez mais com eficiência”, argumentou.

Também estavam presentes na solenidade de abertura a diretora do Foro da Comarca de Cuiabá, juíza Hanae Yamamura de Oliveira, o juiz Jamilson Haddad Campos, que é vice-presidente do IBDFAM de Mato Grosso, magistrados e magistradas do Poder Judiciário de Mato Grosso.

Autor: Bruno Vicente

Fotografo: Rodrigo Moura

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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