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Judiciário inicia ações de inclusão de pessoas com deficiências ocultas no mercado de trabalho

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 A capacitação sobre “Inclusão de trabalhadores com deficiência no mercado de trabalho”, realizada na manhã desta sexta-feira (30 de junho), marca o início de várias ações que serão realizadas pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Comissão Permanente de Acessibilidade e Inclusão voltadas para deficiências ocultas. Esse olhar voltado para o ser humano, com ações efetivas estão alinhadas às diretrizes da Resolução N. 401/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), para o desenvolvimento de ações inclusivas e acessíveis.
 
Essa abordagem centrada no ser humano, com a implementação de ações efetivas, está alinhada às premissas fundamentais desta gestão da Justiça estadual, presidida pela desembargadora Clarice Claudino da Silva, que fez a abertura da palestra.
 
“Este momento marca uma iniciativa altamente fomentada com as premissas maiores desta gestão, que é cuidar das pessoas. A acessibilidade e inclusão é o primeiro patamar, a primeira base para que nós tenhamos realmente esse cuidado extensivo a todos os seres humanos. Temos à frente da Comissão uma desembargadora que tem feito um trabalho magnífico e que merece nosso apoio.”, afirma a presidente.
 
A presidente reiterou o trabalho realizado pela Comissão Permanente de Acessibilidade do Tribunal de Justiça, que vem desenvolvendo ações humanizadas. Agora, essa capacitação que volta os olhos para as pessoas com algum tipo de deficiência.
 
“É uma visão mais humanizada e voltada para uma inclusão mais verdadeira, mais ampla e profunda. Se formos esperar que as pessoas com deficiência se capacitem para depois serem acolhidas no ambiente de trabalho é um obstáculo a mais que elas têm que superar. A Comissão tem feito um trabalho muito cuidadoso e começou pela parte que é mais visível, que é a acessibilidade nas estruturas físicas. Mas agora está tendo como foco nas deficiências ocultas. Esse é um lado mais sutil do trabalho a ser feito. O que estamos vendo sobre Libras e tudo o mais que todos enxergam, é mais fácil de ser prestigiado, mas aquilo que é mais sutil e voltado para aqueles que a maioria nem sequer percebe ainda, que é o caso a ser tratado nessa perspectiva de inclusão, é muito valioso e estou muito feliz de ter um grupo atuando com este olhar”, comentou a magistrada.
 
A presidente falou ainda da importância de se enxergar o mundo com mais amplitude, com o olhar para o outro de forma mais completa e inclusiva. “Ficamos agradecidos e estimulados pela Resolução n. 401 do CNJ para rever esses pontos de vista. Não é somente nos preocuparmos com calçadas, com marcações dos espaços. As ações vão muito além e por isso acredito no potencial desses nossos encontros.”
 
A importância do acolhimento e inclusão das pessoas no ambiente de trabalho foram destacadas pela desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho.
 
“Essa é uma das propostas da Comissão Permanente de Acessibilidade e Inclusão para auxiliar a resolver esse tipo de impasse. Fizemos várias ações voltadas para pessoas surdas no ambiente de trabalho, já que o Tribunal empregou anos anteriores pessoas surdas que auxiliaram a digitalizar processos do Segundo Grau. Fizemos cursos de Libras, inclusive na pandemia, para os servidores. Uma forma de inclusão e de prestar serviços Agora nosso foco é capacitar servidores para inclusão no mercado de trabalho”, disse a desembargadora.
 
A palestra – A capacitação é ministrada pelo professor Oswaldo Ferreira Barbosa, que falou sobre “Emprego apoiado”, metodologia que surgiu nos Estados Unidos nos anos 70 que inverte a lógica tradicional de inclusão no trabalho. “Estamos acostumados primeiro em preparar a pessoa para depois ela ser incluída no mercado de trabalho. Essa lógica inverteu. Os estudos comprovaram que se treinarmos e desenvolvermos a pessoa diretamente no posto de trabalho a gente vai alcançar melhores resultados”, afirma.
 
Todo o trabalho realizado para fomentar essa metodologia está ligado à Associação Nacional do Emprego Apoiado (Anea), onde Oswaldo é diretor de projetos, no sentido de que mais empresas e órgãos públicos possam mudar essa visão, que parece que é óbvia, mas ainda não é. “Estamos numa cultura de uma visão médica sobre a pessoa com deficiência. Independente do seu tipo de deficiência para aquelas, em especial que precisam de mais apoio, o emprego apoiado é uma alternativa que traz mais inclusão.”
 
Com a apresentação dos conceitos e objetivos do Emprego Apoiado, Oswaldo Barbosa espera motivar os participantes a terem uma nova visão em relação ao novo comportamento sobre projetos inclusivos. Ele afirma que a realização do curso pela Comissão do TJ é de grande importância. “Hoje no Brasil precisamos de instituições que sejam exemplos. Que essa atividade hoje no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, sirva de exemplo e incentivo para outros órgãos da esfera pública em geral. Precisamos de mais instituições e organizações com esse novo olhar”, ressaltou.
 
O Girassol – Irene Moraes, que participou da palestra representando a Associação dos amigos dos autistas, neurodiversos e pessoas com doenças raras de Mato Grosso (Amand-MT) presenteou, juntamente com seu filho, a presidente Clarice Claudino e a desembargadora Nilza Pôssas de Carvalho com um cordão com girassóis.
 
Ela é mãe de Tobias Miguel, de 25 anos, que tem transtorno do espectro autista, suporte 2, e fez questão de explicar que o girassol é o símbolo internacional da conscientização de todos os transtornos ocultos e doenças raras. “Quando você encontrar com uma pessoa que esteja usando o cordão em volta do pescoço com os girassóis saiba que ele tem prioridade. É como se fosse a cadeira de rodas para o cadeirante”, disse Irene.
 
Para ela, a inclusão no mercado de trabalho é tão importante que muitas vezes as pessoas não têm essa noção. “Essas palestras são muito importantes porque está ligada ao trabalho. A sociedade imagina que tudo o que se fala em autismo se refere a criança, só que a criança cresce, se torna adulta e precisa trabalhar, ter oportunidade. Eles são seres humanos como qualquer outra pessoas. Muitos dependem de apoio e tendo esse apoio no trabalho vai ser a melhor coisa que estão fazendo para a vida dessas pessoas”, garantiu.
 
Noi período da tarde o palestrante convidado ministrará Workshop sobre os desafios e como é possível implementar o Emprego Apoiado no dia a dia.
 
A capacitação foi destinada a magistrados(as), servidores(as) do Poder Judiciário, de forma presencial e por meio da plataforma Microsoft Teams para abranger todas as comarcas. Também puderam participar o público interno do Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso (OAB-MT), Procuradoria Geral do Estado, Defensoria Pública e Tribunal Regional do Trabalho.
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Foto1: Sala com participantes sentados. A presidente e a desembargadora estão na primeira fileira. Em pé, de frente, está o palestrante. Foto 2: Presidente Clarice está em pé, segura microfone com mão esquerda. Ela usa uma calça amarela, camisa e blaser azuis. Ela é uma mulher loira de cabelos curtos. Foto 3: Imagem em ângulo fechado da desembargadora Nilza. Ela usa blusa estampada vermelha e branca e um blaser bege. Ela fala aos presentes com microfone na mão direta. Tem cabelos loiros, abaixo dos ombros. Foto 4: Oswaldo barbosa em pé, ministrando curso. Ele usa blusa preta, blaser fechado azul e calça na cor bege. Ele usa barba, é branco e cabelos grisalhos. Foto 5: Foto da entrega do cordão dos girassóis. Na foto, Irne está na ponta segurando o cordão verde com os desenhos de girassol. Ao lado está o filho Tobias Miguel, abraçado com a desembargadora Nilza. Ao lado está a presidente. Todos estão sorrindo.
 
Dani Cunha/Fotos: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Servidores e suas histórias são o rosto do Judiciário

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O exterior de um moderno edifício, provavelmente um fórum, com fachada de vidro espelhado. Em destaque na fachada, o nome "FÓRUM BARRA DO BUGRES". Em frente, um jardim com plantas baixas e palmeiras jovens. Um dia ensolarado, com reflexos no vidro e uma calçada à esquerda.Mais do que decisões e processos, é no atendimento diário ao cidadão que o Judiciário revela sua verdadeira dimensão. Na escuta atenta, na orientação paciente e na busca por soluções, servidores transformam rotinas administrativas em experiências que marcam quem chega ao fórum em busca de Justiça.

São profissionais que acompanharam a instituição crescer, se modernizar e se tornar referência nacional, mas que reconhecem que o maior resultado do trabalho não está apenas nos avanços estruturais ou nos reconhecimentos institucionais. Ele se manifesta nas pequenas histórias do cotidiano, quando alguém sai dizendo que foi ouvido, que entendeu seus direitos ou que conseguiu resolver um problema.

O que sustenta uma instituição pública são pessoas

Na Comarca de Barra do Bugres, histórias como as de Ana Heloisa Sachuk, Ângela Lopes da Silva, do oficial de Justiça Pedro Bernardo do Nascimento, o Pedrão, de Rosimari Rita de Vasconcelos, mostram que o Judiciário é resultado de trajetórias marcadas por permanência, dedicação e propósito.

Prestes a completar 40 anos de atuação no Judiciário, a gestora geral da Comarca de Barra do Bugres, Rosimari Rita de Vasconcelos Barros, carrega na trajetória a experiência de quem acompanhou profundas transformações institucionais sem perder de vista aquilo que considera essencial: o cuidado com as pessoas. Ao longo de quatro décadas, viu o sistema evoluir, a estrutura se modernizar e os procedimentos se tornarem mais ágeis.

Ela explica que a gestão vai muito além das atividades administrativas. Envolve desde a condução de equipes até a organização de toda a estrutura física do fórum, além da coordenação de eventos complexos, como as sessões do Tribunal do Júri, que exigem planejamento detalhado e execução precisa.

Segundo Rosimari, esse nível de organização só é possível porque há um preparo antecipado e uma cultura de responsabilidade já incorporada pelos servidores. “Hoje, a gente quase não precisa cobrar, porque todos já sabem como deve ser feito”, explica, destacando que a gestão também se preocupa em garantir as condições necessárias para que o trabalho seja bem executado.

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Mas, para além da estrutura e dos processos, é na gestão de pessoas que está o maior desafio. Com sensibilidade, ela conta que o dia a dia exige atenção constante ao aspecto emocional dos servidores. “Só pelo olhar, você já percebe quando alguém não está bem”, relata. Nessas situações, o diálogo individual se torna essencial para compreender se a dificuldade é pessoal ou profissional e oferecer o apoio necessário.

Esse olhar humano também se reflete diretamente no atendimento ao público. Em uma comarca marcada por forte presença da população rural, muitos cidadãos chegam ao fórum, inseguros, sem informação e, muitas vezes, com medo. “Quando falam ‘fórum’, muita gente já entra aqui tremendo”, afirma. Por isso, ela reforça constantemente com as equipes a importância de acolher, orientar com clareza e acompanhar o cidadão sempre que necessário, mesmo quando a demanda não é de competência direta do Judiciário.

Uma vida dedicada ao Judiciário

A trajetória da auxiliar judiciária Ângela Lopes da Silva é um retrato da transformação e do fortalecimento do Judiciário mato-grossense ao longo das últimas décadas. Servidora há 37 anos no Fórum da Comarca de Barra do Bugres, ela acompanhou a modernização dos serviços, a digitalização dos processos e a ampliação do acesso da população à Justiça, mudanças construídas coletivamente e que contribuíram para o reconhecimento nacional conquistado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em 2025, com o Selo Diamante no Prêmio CNJ de Qualidade.

Ao relembrar o início da carreira, a servidora destaca o contraste entre o passado e o presente. “Eu trabalhei muito com aqueles papéis que a gente carregava, transportava, encadernava. Era uma montanha de processos físicos”, recorda. Hoje, inserida em um ambiente praticamente 100% digital, ela reconhece os avanços que tornaram o trabalho mais ágil e eficiente, além de alinhado a práticas mais sustentáveis.

Atualmente atuando no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), Ângela vivencia uma Justiça mais próxima do cidadão, voltada à conciliação e à resolução mais rápida das demandas. Mesmo com a dificuldade de traduzir em palavras todas as mudanças que presenciou ao longo dos anos, ela resume sua trajetória destacando a evolução institucional. “Vi, sim, a evolução da Justiça”.

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Com mais de 20 anos de dedicação ao Judiciário, a gestora do Cejusc de Barra do Bugres, Ana Heloisa Sachuk, se emociona ao falar sobre o trabalho. Para ela, permanecer por tantos anos no serviço público está diretamente ligado ao amor pela profissão. “A gente faz o que gosta, o que ama. Se a gente não gosta e não ama, a gente tem que deixar para quem gosta. O nosso serviço é isso. Você tem que gostar. Se você não gosta, você não vai conseguir nem sobreviver aonde você está”, diz.

A escuta

É no atendimento diário que se constrói a imagem do Judiciário para a população: na orientação paciente, na explicação simples, na escuta atenta e no cuidado com quem chega ao fórum muitas vezes inseguro, perdido ou em meio a um conflito.

Com quase quatro décadas de serviços prestados ao Judiciário como oficial de Justiça, Pedro Bernardo do Nascimento também não pensa em parar. Aos 66 anos, ele conta que viu o Judiciário mudar completamente ao longo do tempo, das máquinas de escrever às intimações por celular, mas afirma que uma coisa continua igual: a necessidade de lidar com pessoas. “Você vai conversar com um cidadão, você tem que saber conversar”, resume.

Ele lembra do início da carreira, quando fazia intimações de bicicleta, e de como as ferramentas mudaram o trabalho ao longo dos anos, mas reforça que o mais importante continua sendo o contato humano.

“Eu acho que a minha casa é aqui no Fórum. A outra eu só vou dormir e volto para cá. Eu gosto e tenho orgulho de servir o Judiciário. Se não gostasse, eu não ficaria 40 anos”, afirma.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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