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Neurocientista Anita Brito defende educação inclusiva baseada na compreensão da neurodiversidade

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Em uma atividade que reuniu mais de 1,4 mil participantes, entre público presencial e online, a doutora em Neurociências Anita Brito conduziu a segunda palestra do dia, “Inclusão social e neurodiversidade”, durante a capacitação híbrida TJMT Inclusivo, realizada pelo Poder Judiciário de Mato Grosso e parceiros, em Rondonópolis. Antes de Anita, a primeira atividade foi conduzida por Nicolas Brito Sales, com o tema: “Lugar de autista é onde ele quiser estar”.

Logo no início, Anita promoveu uma dinâmica de interação com a plateia: dividiu o auditório em dois grupos e, ao sinal do braço erguido, todos deveriam bater uma palma seca e sincronizada. A atividade contou com a participação de seu filho e do marido, Nocolas Brito e Alexandre Sales, respectivamente.

Ao longo da exposição, Anita articulou sua trajetória como mãe e professora com evidências científicas para defender uma visão de inclusão escolar e social baseada no respeito à neurodiversidade. “O Nicolas foi o primeiro autista de nível 3 de suporte incluído em uma escola regular no Brasil, em 2003. Na época, não existia estrutura, nem políticas de apoio, mas havia amor e vontade de fazer dar certo”, contou.

A palestrante ressaltou que a neurodiversidade é parte natural da humanidade e que compreender as diferenças é fundamental para uma educação inclusiva. “Não existe um único tipo de cérebro. Se existisse, todos seríamos iguais, e a sociedade perderia sua riqueza”, afirmou. Segundo ela, o aumento dos diagnósticos de autismo e TDAH não representa uma epidemia, mas o reflexo de “mais conhecimento, mais tecnologia e mais inclusão”.

Anita também alertou para o risco da patologização excessiva de comportamentos humanos: “A ciência não está criando doenças novas, ela está apenas dando nome e entendimento a condições que sempre existiram. O que precisamos é de informação e sensibilidade, não de rótulos.”

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Ao falar sobre inclusão escolar, a neurocientista destacou que o processo deve começar cedo e envolver família, escola e sociedade. “Não dá para esperar que uma pessoa que não foi exposta ao convívio social desde pequena, de repente, se torne adulta e se adapte sem dificuldades. A inclusão começa em casa, nas pequenas vivências, e se fortalece na escola.”

A palestrante reforçou ainda que o autismo não é uma doença, mas uma forma diferente de funcionamento neurológico: “Doença tem começo, meio e fim. O autismo é uma condição permanente, que pode e deve ser compreendida, acolhida e respeitada.”

Entre os principais obstáculos à inclusão, Anita citou o preconceito, a falta de formação técnica de professores e terapeutas, a ausência de políticas públicas efetivas e o descumprimento de leis já existentes. “O Brasil é um dos países que mais tem leis e tratados sobre inclusão, mas ainda precisamos aprender a colocá-los em prática. As leis existem! Agora é hora de fazê-las funcionar.”

Para a palestrante, boas práticas de inclusão envolvem adaptações curriculares, uso de tecnologias assistivas, planejamento individualizado e, acima de tudo, empatia. “Quem ama e tem técnica é imbatível. Amar o que faz é o primeiro passo para incluir de verdade.”

Ao encerrar, Anita deixou uma mensagem de reflexão: “O dia em que entendermos que a escola não é lugar de segregação e que o lugar da pessoa com deficiência é em qualquer lugar, teremos dado o passo mais importante rumo a uma sociedade mais justa e humana”.

A capacitação ocorre das 8h às 18h, em formato híbrido, com transmissão ao vivo no canal do TJMT no YouTube, e reúne oito palestras com especialistas de neurologia, psicologia, fisioterapia, educação e direito, além de ativistas do movimento autista.

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Durante o evento os participantes c onferem a exposição de artes plásticas de Maria Clara Souza Campos, filha da servidora do TJMT, Adriana Ferreira de Souza.

Programação

Atividade 3 – “Autismo: atualizações e impactos na sociedade” – Dr. Marino Miloca (neurologista pediátrico)

11h10 — Atividade 4 – “Autismo: reconhecendo os sinais, critérios diagnósticos atuais e manifestações clínicas” – Paola Cristina de Almeida Barcellos (psicóloga)

12h — Almoço

Período Vespertino

13h45 — Atividade 5 – “Depoimento de Mãe Atípica com meditação de fortalecimento interior” – Adriana Ferreira de Souza (servidora TJMT)

14h — Atividade 6 – “Quando a resposta chega tarde: o diagnóstico de autismo na vida adulta” – Erica Rezende Barbieri (psicóloga)

15h — Atividade 7 – “Além de técnicas: o cuidado humanizado com famílias atípicas no contexto terapêutico” – Luciano José Denti (psicólogo)

16h — Atividade 8 – “O papel da fisioterapia no desenvolvimento de crianças atípicas e condições neuropsicomotoras” – Francieli Martins (fisioterapeuta)

17h — Atividade 9 – “TEA sob a ótica dos tribunais: alguns casos” – Antonio Veloso Peleja Júnior (Juiz Auxiliar, Vice-Presidência do TJMT) e Renata do Carmo Evaristo Parreira (Juíza de Direito do TJMT)

Realização/Apoio: Comissão de Acessibilidade e Inclusão do PJMT, Escola dos Servidores do Judiciário, Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), Projeto Autismo na Escola e ADNA.

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Autor: Dani Cunha

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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