Tribunal de Justiça de MT

Pesquisa vencedora do CEJ é apresentada ao Laboratório de Inovação do TJMT

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O Laboratório de Inovação do Poder Judiciário de Mato Grosso (InovaJusMT) realizou, na última segunda-feira (22 de setembro), um encontro virtual com o servidor do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Ivan Gomes Bonifácio, que conquistou o 1º lugar no concurso de pesquisas do Centro de Estudos Judiciários da Justiça Federal (CEJ). O pesquisador apresentou o trabalho “Laboratórios de Inovação no Poder Judiciário Brasileiro: Resultados e Perspectiva”, compartilhando experiências e reflexões sobre o papel estratégico da inovação na Justiça.

Durante a apresentação, Ivan destacou que os laboratórios de inovação são fundamentais para fortalecer a governança institucional, modernizar práticas e oferecer soluções ágeis para problemas complexos enfrentados pelo Judiciário. Ele ressaltou ainda a relevância de metodologias adequadas e da colaboração entre equipes, unindo tecnologia, dados e inteligência artificial para transformar a prestação jurisdicional.

O encontro contou com a participação de servidores(as), colaboradores (as) e representantes de outros tribunais, entre eles Benedito Antonio da Costa, líder do Laboratório de Inovação do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) e membro da rede InovaGov-MT.

A coordenadora do InovaJusMT, juíza Joseane Quinto Antunes, reforçou a importância da iniciativa para o fortalecimento da Justiça em Mato Grosso. “A qualidade da pesquisa apresentada pelo professor Ivan é notável. Sua abordagem crítica e metodológica contribui diretamente para o fortalecimento da nossa atuação enquanto laboratório de inovação. Momentos como este são fundamentais para ampliar nossa visão e consolidar práticas que realmente transformam o Judiciário”, afirmou.

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Ivan Gomes Bonifácio é mestre em Governança e Inovação em Políticas Públicas pela UnB (Universidade de Brasília), servidor federal do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e especialista em gestão com experiência em órgãos como STF (Supremo Tribunal Federal), CNJ (Conselho Nacional de Justiça), CJF (Conselho de Justiça Federal), CSJT (Conselho Superior da Justiça do Trabalho) e Ministério da Justiça. Atuou na liderança de projetos nacionais de inovação e governança e é professor convidado da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam).

A versão digital da sua monografia, selecionada pelo Conselho Editorial do CEJ como 1º título a ser publicado em 2025, já está disponível para acesso gratuito. Os exemplares impressos estão em processo de finalização e serão distribuídos em breve. Acesse a obra completa aqui.

Editada desde 1995, a Série Monografias do CEJ tem como objetivo proporcionar um espaço qualificado para a divulgação de pesquisas acadêmicas de mestrado e doutorado que versem sobre temas de relevância para a Justiça Federal e para o aperfeiçoamento da administração da justiça.

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Os 50 volumes que compõem a coleção estão disponíveis gratuitamente no Portal do CJF. Os editais para submissão de novos trabalhos são lançados anualmente, no segundo semestre. Conheça a coleção completa aqui.

O INOVAJUSMT

Criado em 2019 como Núcleo de Inovação e consolidado como laboratório em 2022, o InovaJusMT integra o ecossistema de Laboratório de Inovação e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (LIODS) do Conselho Nacional de Justiça, criado para promover a transformação do Poder Judiciário através da experimentação, colaboração e desenvolvimento de soluções criativas, atuando de forma colaborativa e horizontal. Mais do que uma estrutura formal, o espaço se tornou um ambiente de diálogo, experimentação e criatividade, direcionado à construção de soluções que entreguem valor real à sociedade.

Entre as prioridades estão a acessibilidade, a inclusão, a simplificação de processos e o uso inteligente dos recursos públicos, sempre com foco em aproximar o Judiciário da população.

Autor: Ana Assumpção

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Avanços no papel e entraves na prática mostram que a inclusão ainda carece de efetividade

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Apesar da existência de um arcabouço jurídico avançado, a garantia de direitos às pessoas com deficiência ainda enfrenta entraves concretos para sua execução. A avaliação foi apresentada pela advogada doutora Jennyfer Bathemarque durante a palestra “A Pessoa com Deficiência no Sistema de Justiça: Direitos, desafios e o papel do Judiciário na efetivação da inclusão”, realizada dentro da programação do evento “TJMT Inclusivo: Autismo e Direitos das Pessoas com Deficiência”, realizado na quinta-feira (16), na Igreja Lagoinha, em Cuiabá.

A advogada conhece na pele as dificuldades de uma mãe atípica e da necessidade de recorrer ao sistema de Justiça para garantir que o amor de sua vida, seu filho, quando ainda um bebezinho de seis meses, pudesse ser submetido a uma intervenção cirúrgica cardíaca de alta complexidade.

Ao aprofundar a reflexão, a palestrante adotou um tom crítico ao provocar o público sobre a distância entre o que está previsto na legislação e o que, de fato, é entregue à população: o que determina a “Lei Berenice Piana” quanto à responsabilidade dos municípios na proteção das pessoas com autismo?

Segundo ela, o país não carece de normas, mas de efetividade. “Temos um arcabouço jurídico robusto, mas que ainda falha na execução. O direito existe no papel, mas não chega com a mesma força na vida real de quem precisa”, pontuou.

Na avaliação da advogada, essa desconexão se reflete em violações recorrentes: negativa de terapias por planos de saúde, ausência de profissionais especializados nas escolas, falta de atendimento adequado no SUS, escassez de especialistas, longas filas de espera e entraves no acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC). “O que vemos é um sistema que empurra as famílias para decisões difíceis, muitas vezes abrindo mão de estabilidade financeira para tentar garantir o mínimo de dignidade”, alertou.

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A crítica se intensifica quando o acesso a direitos passa, quase sempre, pelo Judiciário, evidenciando um cenário que exige reflexão: direitos básicos ainda dependem de ação judicial para serem garantidos, enquanto a morosidade processual compromete tratamentos que não podem esperar.

A advogada cita ainda que se soma a isso a exigência excessiva de laudos, que acaba se tornando mais uma barreira de acesso, além da falta de uniformidade nas decisões, gerando insegurança jurídica. Nesse contexto, também se coloca em debate a própria capacidade do sistema de Justiça de compreender, em sua complexidade, as dimensões clínicas e sociais que envolvem as pessoas com deficiência.

Ela também chamou atenção para o que classificou como distorções estruturais: por que a judicialização deixou de ser exceção e passou a ser regra? Por que decisões ainda se baseiam, muitas vezes, em critérios exclusivamente formais? Onde está o olhar multidisciplinar? E por que, mesmo após decisões favoráveis, ainda há descumprimento, dependência de bloqueios judiciais e um ciclo contínuo de novas ações?

Para Jennyfer, esse cenário evidencia uma inversão preocupante. “O que deveria ser resolvido administrativamente tem sido transferido ao Judiciário. Isso revela não apenas a fragilidade das políticas públicas, mas também a sobrecarga de um sistema que acaba sendo acionado para garantir o básico”.

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A advogada também fez questão de elogiar o serviço prestado por meio do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), com destaque para a realização do evento TJ Inclusivo, que, segundo ela, evidencia o compromisso institucional com a promoção da acessibilidade e da inclusão.

Para a advogada, iniciativas como essa ampliam o diálogo com a sociedade e, a cada interação, contribuem para uma compreensão mais clara das falhas ainda existentes, auxiliando na promoção de ações mais efetivas, sensíveis e alinhadas às necessidades das pessoas em situação de vulnerabilidade.

TJMT Inclusivo – O projeto reforça o compromisso do Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Comissão de Acessibilidade e Inclusão, com o respeito à neurodiversidade e dá cumprimento à Resolução 401/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que dispõe sobre o desenvolvimento de diretrizes de acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência nos órgãos do Judiciário, e à Lei federal nº 12.764/2012 – Lei Berenice Piana, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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