Tribunal de Justiça de MT

Poder Judiciário mobiliza comarcas para jornada pela pacificação social nas escolas

Publicado em

A oportunidade de falar, ouvir e ser ouvido. Com essa tríade, o Poder Judiciário de Mato Grosso tem tocado municípios no interior do Estado para a construção da maior Política Pública de Pacificação Social. Com o conceito trazido pelos Círculos de Construção de Paz, juízes, gestores judiciários e instrutores, sentados em círculo, deram início nesta quinta-feira (25 de maio), ao “1º Encontro dos Juízes, Coordenadores e Gestores dos Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejuscs) que atuam com a Justiça Restaurativa”, promovido pelo Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur), na Escola dos Servidores, em Cuiabá.
 
O encontro segue até esta sexta-feira (26 de maio), e reúne as comarcas de Alta Floresta, Barra do Garças, Cáceres, Campo Novo do Parecis, Campo Verde, Chapada dos Guimarães, Colíder, Cuiabá, Jaciara, Lucas do Rio Verde, Mirassol D´Oeste, Nova Mutum, Paranatinga, Pontes e Lacerda, Primavera do Leste, Rondonópolis, Sinop, Sorriso, Tangará da Serra e Várzea Grande.
 
Diferente da metodologia utilizada pela justiça tradicional, que tem na punição a única resposta para o tratamento dos mais variados conflitos sociais, na Justiça Restaurativa a pacificação social é construída a partir do diálogo, do acolhimento e da escuta ativa sobre as dificuldades, medos e angústias que envolvem o outro. A proposta é inovadora no âmbito do Poder Judiciário, que tem avançado no interior do Estado, levando informação, conhecimento, e principalmente, colhendo os frutos das primeiras sementes já plantadas pela Justiça Restaurativa.
 
A presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargadora Clarice Claudino da Silva, que também preside o NugJur, deu boas-vindas aos participantes do encontro, que traz como tema central a integração e a troca de experiência entre as comarcas para o fortalecimento e expansão da Justiça Restaurativa, com ênfase para a pacificação nas escolas.
 
“Me sinto abastecida emocional e espiritualmente, e cheia de esperança ao encontrar ressonância e receptividade nessa seara da justiça restaurativa em tantas pessoas. Criamos esse ambiente informal e aconchegante, de carinho e gratidão, para receber tantas pessoas em torno de um assunto que promete ser uma sementeira muito importante para as gerações vindouras. Todos nós sabemos o quanto é penosa a psicoesfera nociva e tóxica que estamos vivendo nos últimos tempos, e para combatê-la é preciso que nós possamos criar pequenos oásis, e que eles comecem dentro de nós. Essa é a nossa missão enquanto propagadores de uma política pública de pacificação social, onde o basilar da justiça restaurativa está em acreditar que todo ser humano é bom, e que tem dentro de si uma carga de compassividade, sendo capaz de ações renovadoras, e por isso, restaurativas”, expressou a desembargadora.
 
O juiz auxiliar da presidência do Tribunal de Justiça e coordenador do NugJur, Túlio Duailibi, falou sobre o desafio do Poder Judiciário de Mato Grosso, em reunir parceiros em torno da proposta de pacificação social a partir da Justiça Restaurativa, e a responsabilidade da gestão conduzida pela desembargadora Clarice Claudino, que ao acumular a presidência do NugJur, tem a oportunidade de potencializar as políticas públicas propostas pelo Judiciário à sociedade mato-grossense.
 
“A responsabilidade da desembargadora Clarice é potencialmente maior do que quando apenas presidia o Nugjur. Hoje, sua gestão tem a responsabilidade de mostrar ao próprio Poder Judiciário e à sociedade, que além de ser uma meta de gestão, a pacificação social é uma causa de vida, e nós temos a responsabilidade de fazer essa entrega à sociedade. Temos recebido instituições interessadas em propagar a Justiça Restaurativa, como a parceria proposta pelo Tribunal de Contas do Estado, que tem o papel de auxiliar o planejamento estratégico dos municípios, e que já se comprometeu em priorizar a implantação de ações estratégicas de pacificação social em parceria conosco. Também fomos procurados pela Assembleia Legislativa para expandir a comunicação no sentido de levar a Justiça Restaurativa ao interior do Estado, enfim, estamos sendo desafiados a crescer, mas principalmente, a manter a política de pacificação viva e com credibilidade”, enfatizou.
 
A Metodologia – Durante a palestra “Princípios e Valores Restaurativos nas Políticas Públicas”, ministrada pela assessora Especial da Presidência do Tribunal de Justiça, Katiane Boschetti da Silveira, os participantes do encontro puderam compreender os diferentes espaços em que os círculos podem ser aplicados como política pública adotada por estado e municípios.
 
O Círculo de Construção de Paz é uma das ferramentas utilizadas pela Justiça Restaurativa, que traz como conceito a mudança da percepção social a partir do acolhimento, do sentimento de pertencimento e da escuta ativa. Os círculos podem ser aplicados em todo e qualquer ambiente de convivência coletiva, e inclusive no atendimento às famílias.
 
Segundo Katiane, sentados em círculos, os participantes têm a primeira percepção de que cada pessoa importa, é valorizada e é vista pelo grupo. O formato circular assegura a horizontalidade das falas, sem diferenciar os participantes. Nos Círculos de Construção de Paz, o objeto da fala é utilizado pelos participantes para oportunizar o direito de falar, ouvir e ser ouvido. Os diálogos são estruturados e conduzidos por facilitadores de círculos de paz, que direcionam a conversa de acordo com a temática necessária para situação.
 
Os círculos podem ser aplicados em escolas, instituições públicas e privadas, empresas, hospitais, igrejas, hospitais, espaços terapêuticos e de convivência, órgãos públicos, condomínios, associações de bairro, e qualquer espaço de convivência coletiva. As famílias também podem ser atendidas por facilitadores que irão agendar um espaço para dialogar e auxiliar os familiares na percepção de suas dificuldades, ressignificando o conflito.
 
Com a compreensão sobre o quanto semelhantes são os desafios, as dores e as dificuldades vividas pelos participantes do círculo, é possível despertar a empatia, se colocando no lugar do outro, construindo diálogos de boa convivência, fortalecendo os relacionamentos e despertando valores.
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Primeira imagem: Desembargadora Clarice Claudino recepciona os participantes do encontro. Ela veste blazer verde escuro. Segunda imagem: Juiz auxiliar da presidência e coordenador do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa Túlio Duailibi dá boas vindas aos participantes. Terceira imagem: Assessora especial da presidência Katiane Boschetti da Silveira em entrevista à TV.Jus. Quarta imagem: Foto ampliada da sala de reunião mostrando os participantes do encontro sentados enquanto o juiz auxiliar Túlio Duailibi faz uso da fala.
 
Matéria relacionada:
 
Naiara Martins/Fotos: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Leia Também:  Verde Novo leva conscientização ambiental e distribui 400 mudas durante Multiação em Cuiabá

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

Tribunal de Justiça de MT

“Façam da vida uma lista de amor e não de terror”, diz juiz após quase 40 anos dedicados à Justiça

Published

on

Em uma solenidade marcada pela emoção, gratidão e reconhecimento, o juiz Luiz Antônio Sari despediu-se da magistratura após 39 anos e seis meses de atuação no Poder Judiciário. Realizada no Fórum da Comarca de Rondonópolis, na sexta-feira (29), a cerimônia reuniu magistrados, servidores, representantes do Ministério Público, Defensoria Pública, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), familiares, amigos e convidados para homenagear uma trajetória marcada pela dedicação à Justiça, pelo atendimento humanizado e pela contribuição ao fortalecimento institucional do Judiciário mato-grossense.

Compuseram o dispositivo de honra a juíza diretora do Foro da Comarca de Rondonópolis, Aline Luciane Ribeiro Viana Quinto Bissoni; o promotor de Justiça Reinaldo Antônio Vessani Filho, representando o Ministério Público; o advogado Bruno de Castro Silveira, representante da OAB de Rondonópolis; e os defensores públicos Jacqueline Gevizier Rodrigues Ciscato e Fernando Ciscato Bastos, representantes da Defensoria Pública.

Durante a cerimônia de despedida, Luiz Antônio Sari destacou os valores que nortearam sua caminhada profissional e pessoal. “Entrei no Judiciário em 1986, aos 35 anos. Já era casado com a minha companheira de seis décadas, Sonia Maria, e já tinha meus dois filhos”, relembrou.

Ao fazer um balanço da carreira, o magistrado definiu a magistratura como uma vocação que transcende os limites de uma atividade profissional.

“A magistratura é mais que um sacerdócio. É mais que uma profissão. É algo divino. Não é para qualquer um. É preciso ter amor ao próximo, ser cada vez mais fraterno”, definiu.

A visão humanista que marcou sua atuação também ficou evidente ao recordar os ensinamentos acumulados ao longo de quase quatro décadas julgando conflitos e lidando diariamente com histórias de vida: “Aprendi que o ser humano deve cuidar de si mesmo e buscar harmonia e compreensão ao semelhante.”

Ao olhar para a própria trajetória, Sari afirmou não guardar ressentimentos ou lamentações.

“Eu não tive tristeza, nem dificuldade no caminho. É preciso não ter queixa nenhuma. Só tenho um pouco de decepção porque poderia ter feito mais daquilo que fiz. Nunca parei”, revelou.

A juíza diretora do Foro da Comarca de Rondonópolis, Aline Luciane Ribeiro Viana Quinto Bissoni, destacou a relevância da trajetória de Luiz Antônio Sari para a história do Judiciário local. A juíza pontua que o magistrado construiu uma carreira marcada pela dedicação à comarca e pela decisão de permanecer em Rondonópolis, mesmo diante de oportunidades de ascensão profissional.

Leia Também:  Direito Visual: sociedade vai auxiliar Judiciário a construir decisões em linguagem mais acessível

“O doutor Luiz Antônio Sari completa 39 anos de magistratura e chega aos 75 anos de idade com uma trajetória admirável. Ele fez a escolha de permanecer em Rondonópolis, mesmo quando a comarca ainda era menor. Sempre teve um vínculo muito forte com a cidade e com a população. Muitos colegas seguiram na carreira para outros cargos e comarcas, mas ele optou por permanecer aqui, onde constituiu sua família e construiu sua história”, afirmou.

A magistrada lembrou ainda que Sari participou ativamente do desenvolvimento da estrutura judiciária local ao longo de mais de três décadas de atuação no município.

“Ele está em Rondonópolis desde 1993 e ajudou a construir a história desta comarca. Foi o primeiro juiz da Execução Penal, atuou nas varas criminais que foram sendo criadas ao longo dos anos e, há bastante tempo, está à frente da 1ª Vara Cível. Sempre foi um magistrado discreto, simples e extremamente humano”, ressaltou.

Ao falar sobre a despedida, Aline destacou o carinho e a admiração que o juiz conquistou entre servidores, magistrados e demais profissionais do sistema de Justiça.

“Todos aqui no fórum têm grande afeição por ele. A homenagem que realizamos foi muito emocionante”.

A dedicação integral ao trabalho é uma característica reconhecida por quem conviveu diariamente com o magistrado. A assessora técnica jurídica Tammy Bellinaso, que trabalhou ao lado dele durante 19 anos na 1ª Vara Cível de Rondonópolis, destacou o compromisso permanente com a magistratura e com os jurisdicionados.

“Dr. Sari deixa um legado de dedicação, respeito e total entrega à magistratura, primando sempre pela entrega humana ao jurisdicionado e pela eficiência dos trabalhos prestados. Ele é exemplo de humanidade, integridade, devoção e amor ao que faz”, disse.

Tammy iniciou sua trajetória profissional no gabinete ainda no segundo ano da faculdade. Começou como auxiliar e, em 2010 assumiu a função de assessora técnica jurídica. Segundo ela, o magistrado viveu a profissão de maneira intensa.

“Durante 39 anos e seis meses de sua vida, o magistrado se entregou ao ofício de corpo e alma. Não houve um dia sequer em que não tenha trabalhado, fossem finais de semana ou feriados. Um verdadeiro amor à magistratura e à Justiça”, contou.

Ela afirma que os ensinamentos recebidos permanecerão como referência para toda a vida. “Ele foi e sempre será meu exemplo de dedicação, resiliência e amor em tudo o que faz. Minha gratidão é imensurável ao profissional e homem exemplar, íntegro e excepcional que ele é”.

Leia Também:  Laboratório de Inovação do Tribunal de Justiça de MT participa do lançamento do Portal Renovajud

Em seu discurso de despedida, Luiz Antônio Sari compartilhou reflexões sobre empatia, solidariedade e convivência humana, valores que considera essenciais para a construção de uma sociedade mais justa.

“Acredito que só exista a religião do amor. Amar o próximo como a si mesmo significa respeitar os sentimentos das pessoas. É um dever que temos a cumprir. Se cada um fizer a sua parte, dois terços dos problemas do mundo estarão resolvidos”, ensinou.

Para o magistrado, a vida em sociedade exige compreensão da interdependência entre as pessoas, pois “somos seres gregários, interligados e interdependentes”.

A mensagem final escolhida para marcar o encerramento de sua carreira resume a filosofia que guiou sua atuação no Judiciário e sua visão de mundo.

“Façam da vida uma lista de amor e não de terror”, ensinou.

Aposentado da magistratura, Luiz Antônio Sari garante que continuará vivendo os mesmos valores que defendeu ao longo da carreira: “Independentemente de estar na ativa, estou aqui. Vejo o sol, danço de manhã porque escolhi ser feliz. O amor é eterno.”

Despedida

A programação da solenidade contou ainda com a exibição de um vídeo institucional produzido pela Coordenadoria de Comunicação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, além de homenagens e pronunciamentos que relembraram a contribuição do magistrado para a história da comarca e do Poder Judiciário.

Ao longo da carreira, Luiz Antônio Sari participou de importantes marcos da Justiça em Rondonópolis. Entre eles, a mobilização para a elevação da comarca a Entrância Especial, a implantação da Penitenciária Major PM Eldo Sá Corrêa, conhecida como Mata Grande, o fortalecimento do Tribunal do Júri e a construção do atual Fórum Desembargador William Drosghic.

Reconhecido pelo compromisso com a cidade, o magistrado chegou a recusar, em 1994, uma promoção para Cuiabá. A decisão foi motivada pelo entendimento de que sua missão profissional estava ligada ao desenvolvimento da comarca de Rondonópolis e ao atendimento da população local.

A conquista da Entrância Especial, concretizada em 2004 com a inauguração do atual fórum, é considerada um dos momentos históricos de sua trajetória. Outro marco foi a consolidação do Tribunal do Júri da comarca, que passou a contar com espaço próprio em 2007, encerrando décadas de funcionamento em estruturas improvisadas.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

GRANDE CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA