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Primeira edição de 2026 do Nosso Judiciário recebe 52 acadêmicos de Direito em experiência imersiva

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Muito além das salas de aula e dos códigos impressos, o Direito ganhou forma, ritmo e voz dentro do plenário. Nesta terça-feira (03), 52 acadêmicos do 7º, 8º, 9º e 10º semestres do curso de Direito da Universidade de Cuiabá, campus Beira Rio, participaram da primeira edição de 2026 do projeto Nosso Judiciário, promovido pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, e vivenciaram, na prática, como funciona a estrutura do Judiciário estadual.

Implantado em 2015, o projeto oportuniza uma experiência imersiva aos estudantes, com visita guiada por toda a estrutura do Tribunal, acompanhamento presencial de sessão de julgamento e diálogo direto com magistrados, aproximando a formação acadêmica da realidade profissional.

A vivência que transforma a teoria em prática

Para a acadêmica Flávia Resende, do 7º semestre, a visita marcou o primeiro contato presencial com o Tribunal. “Eu espero ver o funcionamento do Tribunal. É minha primeira visita aqui e quero aprender como funcionam as defesas, como é uma sessão e sair daqui com mais conhecimento para a minha futura profissão”, afirmou.

Segundo ela, o objetivo é seguir a carreira pública. “Tenho, sim, a pretensão de fazer concursos públicos na área do Direito, para juíza. A gente almeja isso, seguir na carreira que escolheu”, destacou.

A estudante Maria Eduarda Guimarães Silva, também do 7º semestre, ressaltou a importância da experiência prática. “Está sendo tudo ótimo. A gente adquire conhecimento estando aqui, acompanhando as sustentações orais, visitando o Memorial do Tribunal. Tem tudo para contribuir com a nossa formação”, avaliou. Ela afirma que pretende seguir na advocacia, mas sem descartar a magistratura. “Não vamos tirar essa possibilidade. Ser juíza ou desembargadora está sempre em vista”, disse.

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Um homem de cabelos escuros com topete, veste blazer escuro, observa atentamente fotografias históricas emolduradas na parede. Ao fundo, vitrines com acervo e mais quadrosJá o acadêmico Judicleydson Alcântara Conceição, do 10º semestre, destacou que a principal expectativa era entender como se desenvolve uma sessão de julgamento.

“A gente tem curiosidade de ver a hora que cada um fala, quando o advogado se manifesta, quando o presidente da sessão fala. É diferente do que está nos livros. Aqui a gente vê como funciona na prática”, explicou. Ele também afirmou ter interesse em seguir carreira pública. “Tenho vontade de fazer concurso. Inicialmente na advocacia e, mais para frente, promotoria ou magistratura”, completou.

Aproximação entre universidade e Judiciário

O professor e coordenador do Núcleo de Prática Jurídica da Unic Beira Rio, Alex Martins Salvatierra, destacou que a iniciativa fortalece a formação dos alunos. “É um trabalho muito importante que o Tribunal de Justiça faz ao aproximar a sociedade acadêmica do Poder Judiciário. No Núcleo de Prática Jurídica, temos como meta trazer os alunos para conhecer o funcionamento administrativo e judicial do Tribunal”, afirmou.

Para o professor, a experiência contribui diretamente para a formação profissional. “Além de aproximar o ensino teórico da prática jurídica, traz uma vivência real, como o julgamento que acompanhamos hoje. Isso é fundamental para o aprendizado do aluno”, completou.

Ele também ressaltou o protagonismo institucional do TJMT. “Eu advogo em vários estados e o Tribunal de Justiça de Mato Grosso está sempre na vanguarda de diversas iniciativas. Essa é uma delas”, pontuou.

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Magistratura, futuro da Justiça e a mensagem aos estudantes

Durante a programação, os acadêmicos participaram de uma conversa com o juiz auxiliar da Vice-Presidência do TJMT, Gerardo Humberto Alves Silva Júnior, que abordou o funcionamento da estrutura da Justiça e as mudanças que se aproximam no sistema de recursos, especialmente no âmbito do Superior Tribunal de Justiça.

Segundo o magistrado, o projeto tem papel essencial na formação dos futuros profissionais. “O Nosso Judiciário é de extrema importância porque aproxima o Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso da área acadêmica. Hoje conversamos com os estudantes sobre o funcionamento da estrutura da Justiça e, principalmente, sobre a nova conformidade que se avizinha no campo do recurso especial, em razão da emenda constitucional que trata do filtro de relevância”, explicou.

Ao final do encontro, o juiz deixou uma mensagem direta aos acadêmicos. “A principal mensagem é o estudo constante. Eu ingressei na magistratura em 2004 e, de lá para cá, as mudanças são quase diárias. O profissional do Direito, seja juiz, promotor, servidor, advogado ou advogada, precisa estar sempre em constante atualização, com dedicação e compromisso com o sistema de Justiça”, concluiu.

Fotos: Roberta Penha e Anderson Borges

Autor: Roberta Penha

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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19 de abril: datas históricas reforçam a importância da representação dos povos indígenas

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A celebração do Dia dos Povos Indígenas, em 19 de abril, e o registro histórico do “Descobrimento” do Brasil, lembrado no mesmo mês (22 de abril), convidam a sociedade brasileira e, em especial, a mato-grossense, à reflexão sobre o papel histórico, social e político dos povos originários. Para o diretor‑geral da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis‑MT), desembargador Márcio Vidal, a proximidade dessas datas evidencia a necessidade de reconhecer não apenas o passado, mas também os desafios contemporâneos enfrentados pelas populações indígenas.

Segundo o desembargador, é fundamental recordar que, quando os portugueses chegaram ao território que viria a ser chamado de Brasil, ele já era amplamente habitado por povos indígenas, que aqui viviam organizados social, cultural e politicamente. “Os povos indígenas não apenas estavam aqui primeiro, como constituíram, por séculos, uma parcela expressiva da população que formou as bases da nossa sociedade”, destacou.

Presença indígena em território mato-grossense

De acordo com o Censo Demográfico 2022, a população indígena residente no Brasil é de 1.694.836 pessoas, o que corresponde a 0,83% da população total apurada pela pesquisa. O número representa quase o dobro do registrado no Censo de 2010, quando o IBGE contabilizou cerca de 896 mil indígenas, equivalentes a 0,47% da população brasileira à época.

Em um intervalo de 12 anos, esse crescimento corresponde a uma variação positiva de 88,96%, resultado, principalmente, da ampliação da metodologia — com maior alcance em áreas remotas — e do aumento da confiança das pessoas em se autodeclararem indígenas, refletindo avanços no reconhecimento de sua própria identidade.

Em Mato Grosso, esse debate ganha ainda mais relevância diante da expressiva presença indígena no Estado. De acordo com dados do Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Mato Grosso abriga cerca de 58 mil indígenas, sendo um dos estados com maior diversidade étnica do país. São 195 etnias reconhecidas, número que representa um crescimento significativo em relação ao último levantamento do Censo.

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Participação política

Infográfico do IBGE intitulado "O Brasil Indígena" com dados da distribuição espacial da população em Mato Grosso no Censo 2022. Uma tabela detalha que, do total de 58.356 indígenas no estado, 82,66% vivem em áreas rurais e 17,34% em áreas urbanas. Os dados revelam ainda que 45.175 pessoas residem dApesar dessa relevância histórica, o desembargador ressalta que os povos indígenas ainda enfrentam obstáculos significativos quanto à participação política efetiva nos espaços de poder. “O Parlamento é o ambiente onde se constroem as regras de convivência humana. A ausência ou a baixa representatividade indígena nesses espaços contribui para que suas demandas sejam, muitas vezes, tratadas como secundárias”, alertou.

Ao refletir sobre a realidade atual dos povos indígenas, Vidal fez referência ao pensamento do escritor e líder indígena Ailton Krenak, que chama atenção para o fato de que os povos indígenas não constituem uma minoria, mas sim uma ampla parcela da sociedade historicamente excluída dos espaços de decisão. Para o magistrado, garantir representação indígena nos três níveis de poder político — municipal, estadual e federal — é medida essencial para a promoção da justiça social e da preservação cultural.

“A participação política não é um privilégio, mas um direito. É por meio dela que os povos indígenas podem cooperar diretamente com a formulação de políticas públicas voltadas à proteção de seus territórios, à preservação de suas culturas e à defesa de seus modos de vida”, frisou.

Vidal também enfatizou o papel das instituições, do próprio Poder Judiciário e da formação jurídica dos cidadãos na construção de uma sociedade mais inclusiva. “Refletir sobre essas datas é um exercício de cidadania. A Esmagis‑MT entende que fomentar o debate sobre direitos fundamentais, diversidade cultural e inclusão política também é parte de sua missão institucional”, concluiu.

Umanizzare: diálogo e efetivação de direitos

Esse compromisso com a promoção dos direitos e da dignidade dos povos originários também se reflete nas ações institucionais da Esmagis‑MT. Em 2025, a Escola promoveu a sexta edição do Umanizzare, encontro que reuniu magistrados, acadêmicos e especialistas para debater cidadania, saúde e direitos humanos dos povos indígenas.

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Ao abrir o evento, o desembargador Márcio Vidal destacou que se trata de um tema sensível e de interesse de toda a sociedade, ressaltando que o desafio não está apenas na existência de normas constitucionais, tratados internacionais e legislações infraconstitucionais, mas na efetivação desses direitos.

Para ele, é necessário despertar a consciência de quem aplica o Direito e fortalecer a inclusão dos povos indígenas, reconhecendo que foram eles os primeiros habitantes deste território e que não podem permanecer à margem das estruturas sociais e institucionais.

Representatividade

Apesar de Cuiabá estar inserida em um Estado com expressiva população indígena e crescente protagonismo de lideranças originárias, a capital mato-grossense ainda não conta, na atual legislatura, com parlamentares indígenas na Câmara Municipal. Já o Estado possui 11 vereadores indígenas empossados para o mandato de 2025-2028, representantes de etnias como os Xavante, Bakairi e Bororo.

Exatamente nesta semana (15 de abril), Mato Grosso registrou um fato inédito: Eliane Xunakalo, do povo Kurâ-Bakairi, tornou-se a primeira mulher indígena a ocupar uma cadeira de deputada estadual na história do estado. Ela assumiu como suplente na vaga do deputado Lúdio Cabral (PT), que se licenciou por 30 dias. A posse foi realizada às vésperas do Dia Nacional dos Povos Indígenas, o que reforça o simbolismo do momento.

Clique neste link para se informar sobre o Brasil Indígena.

Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.

Dados e imagens do IBGE

Autor: Lígia Saito

Fotografo:

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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