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TJMT une Justiça e Educação em capacitação que integra concurso cultural contra violência de gênero

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Com uma programação que incluiu palestras de especialistas, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) ratificou, nesta sexta-feira (15 de agosto), o 3º Termo de Aditamento ao Protocolo de Intenções que fortalece a criação e manutenção de redes de proteção às vítimas de violência doméstica e familiar. O ato integrou a capacitação “O Papel da Educação no Enfrentamento da Violência Contra a Mulher”, realizada no Espaço Justiça, Cultura e Arte Des. Gervásio Leite, na sede do Judiciário, em Cuiabá.

A iniciativa integra o concurso cultural “A escola ensina, a mulher agradece”, projeto da Justiça estadual que mobiliza escolas públicas para conscientização e combate à violência de gênero. Nesta segunda etapa, participam professores de Artes, História e Língua Portuguesa de 162 escolas estaduais de Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Cáceres, Barra do Garças e Sinop, alcançando mais de 1.600 docentes e cerca de 76 mil estudantes.

Palestras para fortalecer a rede de prevenção

O evento foi aberto com a palestra “Violência contra a Mulher: O que é – Causas, Consequências e Tipos de Violência Doméstica e Familiar”, ministrada por Dinara de Arruda Oliveira, presidente da Academia Mato-grossense de Direito e membro da Comissão da Mulher Advogada da OAB/MT.

Dinara começou contextualizando os principais conceitos de violência de gênero, diferenciando as formas física, psicológica, sexual, patrimonial e moral, e explicando como essas manifestações, embora diferentes, estão interligadas. Ressaltou que a violência doméstica muitas vezes se perpetua silenciosamente, escondida por barreiras culturais e pelo medo das vítimas.

“Quando há uma violência em casa e há crianças e adolescentes envolvidos, o primeiro canal que eles têm é com a escola, com um professor em quem confiam, com um gestor, um coordenador, uma psicóloga”, afirmou. “Por isso, essa capacitação fortalece a ideia de que com a educação se consegue mudar o mundo”.

A palestrante detalhou ainda a evolução histórica e jurídica da proteção à mulher no Brasil, com destaque para a Lei Maria da Penha e suas inovações, situando-a no contexto de tratados e convenções internacionais. Explicou a importância de capacitar professores para identificar sinais de abuso e realizar uma escuta ativa e personalizada, capaz de oferecer encaminhamentos adequados e seguros às vítimas.

Dinara também apresentou experiências práticas, como o funcionamento de grupos reflexivos para homens agressores, enfatizando que essas iniciativas não apenas buscam reparar danos, mas prevenir reincidências. “O enfrentamento à violência de gênero exige compreender suas raízes culturais. O machismo estrutural, o patriarcado e os estereótipos precisam ser combatidos desde cedo, com educação cidadã e ações interdisciplinares.”

Na sequência, a juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa proferiu a palestra “Origem Histórica da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher”, trazendo uma análise aprofundada sobre como a desigualdade de gênero foi construída ao longo dos séculos.

A magistrada percorreu uma linha do tempo que vai da antiguidade à contemporaneidade, mostrando como sistemas patriarcais consolidaram a inferiorização da mulher. Abordou o papel das leis, da religião e das práticas sociais nesse processo, passando pelas diferentes ondas do movimento feminista e pelos avanços obtidos na luta por direitos civis e políticos.

“Se a gente trabalha com política pública primária nos bancos escolares, dificilmente uma criança de 10 anos, que tenha recebido esse trabalho, quando fizer 18, entrará para o sistema”, explicou. “Tratando essa geração, é muito provável que, daqui a 20 anos, encerremos esse ciclo de violência doméstica e familiar contra as mulheres”.

Ana Graziela também provocou a reflexão sobre como certos padrões de comportamento e linguagem, herdados de períodos históricos marcados pela desigualdade, ainda moldam relações e alimentam o machismo. Defendeu que conhecer essa trajetória é essencial para elaborar estratégias pedagógicas que formem cidadãos conscientes e respeitosos com a igualdade de gênero.

Vozes da sala de aula

Para Marília Alves Amorim, professora de Geografia em Rondonópolis, a capacitação amplia o preparo dos educadores para lidar com situações sensíveis.

“Às vezes, as crianças vivem essa violência dentro de casa e nem percebem. Já aconteceu de alunos me procurarem para se abrir sobre problemas que enfrentam. Com essa capacitação, me sinto mais preparada para ouvir e orientar”, disse, reforçando que a escola pode ser o primeiro ponto de conscientização.

O professor indígena Glicério Tseretuiwê Ruwa Adi, de Língua Portuguesa em Barra do Garças, lembrou que o problema é tão presente nas aldeias quanto nas cidades.

“Geralmente acontece em casa, entre famílias, e isso também ocorre nas aldeias. Precisamos ensinar o respeito com as mulheres e acabar com essa violência em todos os lugares.”

Compromisso institucional

O presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira, afirmou que a união entre Justiça e Educação é essencial para uma transformação social duradoura. A coordenadora da Cemulher-MT, desembargadora Maria Erotides Kneip, frisou que o projeto atua na origem do problema, formando gerações mais conscientes. O secretário de Estado de Educação, Alan Porto, destacou que professores capacitados se tornam multiplicadores de boas práticas, e o procurador-geral de Justiça, Rodrigo Fonseca Costa, reforçou que mudar mentalidades desde a infância é a melhor estratégia para uma sociedade mais justa.

Com a ratificação do protocolo, prorrogado até 18 de agosto de 2027, e a realização da capacitação, TJMT e parceiros consolidam uma política pública que integra prevenção, educação e mobilização social para romper ciclos de violência de gênero.

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Assinatura de protocolo e capacitação marcam avanço do concurso “A escola ensina, a mulher agradece”

Autor: Flávia Borges

Fotografo: Lucas Figueiredo

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Projeto de Barra do Garças que previne violência doméstica é selecionado para o Prêmio Innovare 2026

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Arte de divulgação da 23ª edição do Prêmio Innovare, premiação que reconhece práticas inovadoras no sistema de Justiça brasileiroO projeto Homens que Cuidam, desenvolvido pela Segunda Vara Criminal da Comarca de Barra do Garças em parceria com a Prefeitura Municipal, foi selecionado para concorrer à 23ª edição do Prêmio Innovare. A iniciativa se destaca por colocar os homens no centro das ações de prevenção à violência doméstica, por meio de atividades educativas que estimulam a reflexão sobre masculinidade, saúde emocional, autocuidado e relações familiares.

Lançado no final de 2025 e executado desde março deste ano, o projeto reúne o Poder Judiciário, a Prefeitura de Barra do Garças, forças de segurança, escolas, lideranças religiosas e outros atores sociais para desenvolver ações educativas voltadas ao público masculino. As atividades incluem palestras, encontros educativos e a integração com o Grupo Reflexivo para Homens (GRH), ampliando as estratégias de prevenção. A proposta é atuar antes que a violência aconteça, levando ações de conscientização a diferentes espaços da comunidade e incentivando mudanças de comportamento desde a infância até a vida adulta.

Idealizador da iniciativa, o juiz Marcelo Sousa Melo Bento de Resende, que atua na Segunda Vara Criminal da Comarca, com competência em Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, explica que o projeto nasceu da constatação de que o machismo produz consequências não apenas para as mulheres, mas também para os próprios homens.

Juiz Marcelo Sousa Melo Bento de Resende apresenta o projeto Homens que Cuidam durante palestra em Barra do Garças.“O machismo não afeta só as mulheres. Homens têm expectativa de vida menor, bebem mais, cometem mais homicídios e são maioria na população carcerária. E, para cuidar da família, esse homem precisa, antes, cuidar de si próprio. Ele precisa perceber o risco que esse comportamento traz para a própria vida”, contextualiza.

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Segundo o magistrado, campanhas tradicionais costumam estimular a mudança de comportamento em benefício da mulher ou da família. Na avaliação dele, esse modelo nem sempre é suficiente para provocar transformações efetivas. Por isso, o projeto busca mostrar aos homens os benefícios pessoais de abandonar padrões machistas, como a melhoria da saúde física e emocional, dos relacionamentos familiares e da qualidade de vida.

As atividades abordam temas como masculinidade, construção social dos papéis de gênero, influência da chamada “machosfera”, radicalização em ambientes digitais, manejo da raiva, reconhecimento e regulação das emoções, saúde do homem, autocuidado, parentalidade e os impactos do consumo abusivo de álcool.

A iniciativa estreou com uma palestra em uma escola da rede municipal de ensino. Em seguida, foi realizada uma reunião de alinhamento com representantes das instituições parceiras para definir as estratégias de atuação conjunta. A partir dessa articulação, o projeto passou a ser implementado em diferentes espaços da comunidade. Uma das ações ocorreu no destacamento do Cindacta, reunindo militares da Aeronáutica em uma palestra sobre masculinidade e prevenção da violência doméstica. Outra foi realizada na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Campus Araguaia, onde cerca de 100 estudantes, entre homens e mulheres, participaram de um debate sobre igualdade de gênero, relações saudáveis e prevenção da violência. O projeto também deu início a um ciclo de três palestras voltadas aos servidores do sexo masculino da Prefeitura de Barra do Garças.

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Outra frente do projeto é a integração com GRHs, conduzidos pela Segunda Vara Criminal. Além dos participantes encaminhados judicialmente, os encontros passaram a admitir a participação voluntária de homens interessados em refletir sobre seus comportamentos e prevenir situações de violência.

“O fato de homens procurarem espontaneamente o Grupo Reflexivo mostra que estamos conseguindo ampliar o alcance da prevenção. Nossa intenção é chegar antes da violência, oferecendo um espaço de reflexão e mudança de comportamento”, avalia o juiz.

Prêmio Innovare – Criado em 2004, o prêmio reconhece e dissemina práticas que contribuem para o aprimoramento do sistema de Justiça brasileiro, independentemente de alterações legislativas. Ao longo de sua trajetória, a premiação já analisou mais de 10 mil práticas desenvolvidas em todos os estados do país, consolidando-se como uma das principais vitrines de iniciativas inovadoras da Justiça brasileira.

Autor: Alcione dos Anjos

Fotografo:

Departamento: Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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