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Audiência Pública debate hemodiálise e defasagem em repasses do SUS

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A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT) realizou na manhã de hoje (5), audiência pública para debater as Doenças Socialmente Transmissíveis (DSTs): hanseníase, tuberculose, IST/HIV/AIDS, malária. Um dos pontos do debate foi direcionado para a defasagem financeira do repasse do Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes em tratamento de hemodiálise, que hoje, gira em torno de 53% em relação aos valores cobrados.

A iniciativa foi da Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social da ALMT e teve como objetivo conclamar a população mato-grossense, usuários dos serviços da rede de saúde, seus familiares, profissionais da rede de saúde e intersetorial para um amplo debate sobre os temas elencados acima. Também foi discutido, como estão os atendimentos médicos nos hospitais estruturados nos polos de saúde do estado.

O presidente da Comissão de Saúde, deputado Lúdio Cabral (PT), afirmou que os valores pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para as clínicas de nefrologia, em relação às demandas dos procedimentos, estão defasados. Hoje, segundo ele, são mais de três mil pacientes atendidos em 11 clínicas, localizadas em oito municípios mato-grossenses. O tratamento é custeado em 100% pelo Ministério da Saúde.

“Apenas oito municípios divididos nesse território de quase um milhão de quilômetros quadrados, oferecem tratamento de hemodiálise, e todo custeio é financiado pelo SUS. A reivindicação que a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e clínicas de hemodiálise tem é que o Estado assuma a responsabilidade de cofinanciamento do tratamento”, disse Cabral.

“Atualmente, a diária da hemodiálise custeada pelo Ministério da Saúde é de R$ 240,00 e a SBN tem um estudo de que esse valor deveria ser em torno de R$ 310,00. Queremos que o estado cofinancie e participe custeando essa parte, para que elas possam expandir a oferta de serviço evitando essa dificuldade”, reforça o deputado.

Foto: Helder Faria

A secretária-adjunta do Complexo Regulador da Secretaria de Estado de Saúde, Fabiana Bardi, disse que o estado reconhece que os valores pagos pela tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) estão defasados. Segundo ela, a grande parte dos procedimentos segue valor estabelecido em 2008 e aguarda o relatório da Comissão de Saúde para encaminhar a equipe técnica da pasta para análise final.

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“O Estado precisa saber qual o valor necessário para depois fazermos um estudo e levar os índices até ao governador (Mauro Mendes). São situações que a Secretaria de Saúde de Estado precisa receber o valor único para que a equipe possa fazer essa análise e dar um parecer final. O governo está aberto para discutir todas as situações e chegar a um resultado positivo”, revelou ela.

O deputado Dr. João (MDB), também entende que há defasagem de valores nacional, onde a tabela do SUS para hemodiálise é muito ruim e ultrapassada.

“Tivemos um aumento muito pequeno e que não dá para cobrir recursos da hemodiálise, como material que usamos que é dolarizado, e com isso, não conseguimos fechar a folha de pagamento e nem comprar os insumos devidos para mantermos um serviço de qualidade”, aponta ele.

De acordo com o parlamentar, vários estados brasileiros estão complementando essa tabela do SUS para tratamento de hemodiálise. “Queremos evitar em Mato Grosso o que está acontecendo em vários estados brasileiros, ou seja, estão fechando muitas clínicas de hemodiálise”, disse.

“Estamos tendo uma defasagem de 39% a 40% da tabela, que era de R$ 218,00 e está indo para R$ 240,00, mas que, deveria ser, realmente, em torno de R$ 310,00”, conta ele.

Segundo o parlamentar, o governo do estado tem conhecimento de causa e se manifestou favorável em ajudar, mas “precisa fazer um estudo minucioso sobre valores para poder cobrir essa diferença. Caso, não melhorarmos essa tabela vai se tornar um caos esse problema em Mato Grosso. Vamos fazer um encaminhamento com propostas para o Governo do Estado, e aguardar a resposta em breve”, explanou Dr. João.

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O consultor privado de saúde, Fábio Lago fez um panorama da situação atual de como se encontram os serviços de hemodiálises no Estado. “As hemodiálises precisam ser executadas em serviços que necessitam estar devidamente habilitados no Ministério da Saúde”, falou ele.

“Atualmente temos doze clínicas no estado habilitadas que prestam serviços do SUS”, esclareceu. Lago demonstrou ainda o que o Ministério financia e o que o Estado necessita de custo real para execução dos atendimentos.

O presidente da Sociedade Brasileira e Nefrologia, Luis Guilherme Baqui afirmou que a entidade está discutindo há vários anos esse impasse de valores pelo financiamento.

“Mato Grosso tem profissionais capacitados para atuar e atender a população nessa área. O SUS está defasado em valores neste setor há muito tempo, sendo que, a última adequação de valores foi há cinco anos atrás. Não conseguimos mais trabalhar com subfinanciamento, com isso, vários estados e municípios estão cofinanciando, porque o único recurso da hemodiálise no Brasil é federal”, contou ele.

A secretária de Saúde do município de Diamantino, Marinese Araújo Meira revelou que a cada dia que passa cresce o número de pacientes que necessitam de tratamento de hemodiálise.

“Em Diamantino, estamos vivendo essa situação e temos que trazer os pacientes diariamente para tratamento em Cuiabá. É um sofrimento muito grande para essas pessoas e o município tem um custo altíssimo, porque eles necessitam vir três vezes por semana para Cuiabá, com disponibilidade de carros. Trata-se de uma situação que não depende apenas do município, mas sim, da Secretaria de Estado e do Ministério da Saúde”, destaca ela.

“Municípios menores, com o Diamantino, sofrem muito porque não tem questão financeira para dispor das clínicas e dependem governo do estado e da União. Gastamos somente com transporte dos pacientes o equivalente a R$ 280 mil anuais”, lembrou.

Fonte: ALMT – MT

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CST debate desembargos ambientais à agricultura familiar em Mato Grosso

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A Câmara Setorial Temática (CST) do Desembargo Ambiental da Assembleia Legislativa de Mato Grosso realizou, nesta quinta-feira (16), uma reunião com a secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, para discutir os procedimentos relacionados aos desembargos ambientais e ao licenciamento ambiental simplificado.

O debate teve como foco a implementação da Lei Complementar nº 830/2025 e da Lei nº 13.349/2026, que estabelecem regras para a regularização ambiental e o licenciamento simplificado destinados a agricultores familiares e pequenos produtores rurais. Também foram discutidos os desafios enfrentados pelo Estado na execução do Código Florestal e na consolidação de um modelo que concilie proteção ambiental, segurança jurídica e inclusão produtiva.

A Lei Complementar nº 830/2025 estabelece tratamento diferenciado, simplificado e proporcional para infrações ambientais cometidas por agricultores familiares e proprietários de imóveis rurais com até quatro módulos fiscais que desenvolvam atividades agrossilvipastoris. A norma busca conciliar a regularização ambiental com a permanência da produção no campo.

Já a Lei nº 13.349/2026 instituiu o regime de Licenciamento Ambiental Simplificado para atividades agropecuárias desenvolvidas por agricultores familiares e pequenos produtores rurais. A medida é destinada às propriedades que atendam aos critérios de sustentabilidade estabelecidos pelo órgão ambiental estadual, com o objetivo de tornar mais ágil o processo de licenciamento, sem abrir mão das exigências legais.

Para aderir ao novo regime, os proprietários deverão cumprir uma série de requisitos, entre eles manter o imóvel inscrito e regular no Cadastro Ambiental Rural (CAR), não possuir embargos ambientais vigentes na área da propriedade e apresentar declaração de conformidade ambiental, assumindo responsabilidade civil e administrativa por eventuais danos ambientais causados.

A secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, afirmou que os desafios enfrentados por Mato Grosso na regularização ambiental e nos desembargos refletem um problema nacional relacionado à implementação do Código Florestal. Segundo ela, o tema tem sido debatido em nível federal, em reuniões realizadas em Brasília com representantes do Ministério da Gestão e da Inovação, do Serviço Florestal Brasileiro e dos estados da Amazônia Legal e de Mato Grosso do Sul, em busca de soluções para aperfeiçoar a execução da legislação ambiental.

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A gestora apresentou dados do Painel de Regularização Ambiental, que apontam mais de 8,3 milhões de imóveis inscritos no Cadastro Ambiental Rural (CAR) em todo o país, mas com menos de 10% das análises concluídas. Em relação à área cadastrada, apenas 7,25% tiveram a análise finalizada.

Para a secretária, os números demonstram a complexidade da implementação do Código Florestal e as dificuldades enfrentadas pelos órgãos ambientais diante de lacunas na legislação, da pressão da sociedade e de orientações divergentes dos órgãos de controle, o que exige equilíbrio para cumprir a lei sem comprometer a segurança jurídica e a efetividade da política ambiental.

Mauren Lazzaretti afirmou que Mato Grosso construiu um modelo próprio para conciliar a proteção ambiental com a realidade dos pequenos produtores rurais, transformando o desembargo ambiental em uma oportunidade de regularização. Segundo ela, o objetivo é promover a inclusão produtiva sem abrir mão dos compromissos com o desenvolvimento sustentável, destacando que as medidas adotadas pelo Estado não representam anistia nem retrocesso na legislação ambiental.

A secretária também defendeu que as iniciativas previstas na Lei Complementar nº 830/2025 sejam adotadas de forma mais homogênea pelos demais entes federativos. De acordo com ela, a falta de uniformidade na aplicação das normas pode levar ao questionamento, em âmbito nacional, de atos administrativos praticados por Mato Grosso, como embargos, desembargos e licenças ambientais. Por isso, pediu o apoio da Assembleia Legislativa para fortalecer a defesa do modelo adotado pelo Estado.

Ela afirmou ainda que Mato Grosso se consolidou como referência nacional na regularização ambiental de imóveis rurais, independentemente do tamanho das propriedades. Segundo ela, levantamentos do Climate Policy Initiative (CPI), organização que acompanha, desde a implementação do Código Florestal, o desempenho dos estados na análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e do Programa de Regularização Ambiental (PRA), colocam Mato Grosso entre os estados mais inovadores e com avanços contínuos tanto na validação dos cadastros quanto na regularização ambiental.

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Lazzaretti destacou que os maiores avanços na validação dos cadastros ocorreram em Mato Grosso, São Paulo e, mais recentemente, no Paraná, resultado da adoção da análise automatizada dos processos. Ela ressaltou que, diferentemente dos estados das regiões Sul e Sudeste, Mato Grosso enfrenta desafios muito maiores em razão da dimensão territorial e da complexidade ambiental, o que torna os resultados ainda mais expressivos.

A secretária também enfatizou que o trabalho desenvolvido pelo Estado recebeu reconhecimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que acompanha, por meio da ADPF 743 (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental), a implementação do Código Florestal nos estados da Amazônia e do Pantanal. Segundo ela, decisões do ministro André Mendonça destacam os avanços de Mato Grosso no cenário nacional da regularização ambiental.

Entre os encaminhamentos definidos durante a reunião está a parceria entre a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) para atuar, por meio da Câmara Setorial Temática (CST) do Desembargo Ambiental, na criação de uma mesa técnica destinada à discussão de soluções relacionadas aos desembargos ambientais.

A iniciativa tem como objetivo construir propostas e aperfeiçoar a legislação, buscando garantir maior segurança jurídica e mecanismos que favoreçam a regularização ambiental e beneficiem os proprietários rurais.

Fonte: ALMT – MT

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