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Um depoimento especial

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Ela disse que não queria falar, mas iria escrever, com letra de mão! Aquilo que é feito com a mão tem muito de quem faz, fazer com as mãos é se dar.

Ela falou que gosta de desenhar pessoas, no máximo passarinhos, às vezes uma plantinha. Inclusive enfatizou o desejo de fazer uma festa de aniversário composta por girassóis. As coisas vivas são muito queridas a ela.

Contou que essas noites não está dormindo. Enunciou que tem um objetivo: passar a madrugada e ver o sol nascer. Ah! Volta com o sol, menininha, cheio de luz e inspiração, rompendo a escuridão. Faz escuro! Canta! A manhã vai chegar!

Afirmou que a avó lhe deu remédio, então dormiu. Não conseguiu alcançar seu objetivo, mas disse que não vai desistir. Ora! Se as coisas são inatingíveis não é motivo para não as querer, disse o poeta das coisas simples.

Ela disse que contaria, mas só se não prendessem ele, porque ele também tem uma filhinha. O amor é uma metáfora. “Amar é a gente querer se abraçar com um pássaro que voa.”

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Descobri que a felicidade não é um estado.

É um lugar dentro da gente e a gente pode visitar quando quer. Isso vai contra tudo que escreveram e falaram sobre felicidade. Mas a menininha vai contra tudo que escreveram e faram sobre a vida. Então estou em boa companhia.

A violência dá tristeza. Não aquela tristeza normal que compõe nossa alegria. Uma tristeza pesada, afiada e amargurada. É preciso muita coragem para se manter alegre e em paz, não querer o mal para o outro, nesse mundo feroz dos homens.

Essa menininha, nesse depoimento especial, especialíssimo, deu-me a coragem de falar de amor e abraçar um pássaro que voa.

Ave, Menininha! Que Deus nos abençoe!

* Emanuel Filartiga é promotor de Justiça em Mato Grosso

Fonte: Ministério Público MT – MT

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Ministério Público MT

Réu é condenado a 26 anos no primeiro julgamento de feminicídio em Vera

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O primeiro caso de feminicídio reconhecido como crime autônomo na cidade de Vera (458 km de Cuiabá) foi julgado nesta sexta-feira (24) pelo Tribunal do Júri da comarca. Francisco Edivan de Araújo da Silva foi condenado a 26 anos e oito meses de reclusão, em regime inicial fechado, pelo assassinato da ex-companheira, Paulina Santana, cometido em razão da condição do sexo feminino e no contexto de violência doméstica.
O Conselho de Sentença reconheceu que o crime foi praticado com o uso de recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima. Atuou em plenário o promotor de Justiça Daniel Luiz dos Santos.
Conforme a denúncia do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), réu e vítima mantinham um relacionamento amoroso conturbado, com idas e vindas, e, mesmo após o término, o acusado continuava frequentando a residência de Paulina. No dia do crime, ocorrido em junho de 2025, Francisco Edivan foi novamente até a casa da ex-companheira e a encontrou conversando com outro homem, situação que o desagradou. Ele ordenou que o rapaz deixasse o local, o que deu início a uma discussão com a vítima.
Em seguida, de forma súbita e inesperada, o acusado desferiu um golpe de arma branca na vítima, utilizando uma faca com lâmina de aproximadamente 30 centímetros, causando lesão gravíssima na região abdominal. Paulina chegou a ser socorrida por um vizinho e levada ao pronto-socorro do município, sendo posteriormente transferida para o Hospital Regional de Sinop. Apesar do atendimento médico, ela não resistiu à gravidade dos ferimentos e morreu quatro dias após o ataque.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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