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Polícia Civil cumpre mandados contra associação criminosa atuante na extração ilegal de madeira

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A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quinta-feira (10.4), a Operação Orcs para cumprimento de 13 mandados judiciais contra uma associação criminosa que atua na extração ilegal de madeira, em Feliz Natal (536 km ao norte de Cuiabá). A ação foi realizada pela Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema).

Foram cumpridos um mandado de prisão e 12 mandados de busca e apreensão domiciliar em endereços alvos, como residências e empresas dos investigados, em Feliz Natal, Sorriso e Sinop.

O trabalho coordenado pela Dema contou com apoio dos policiais civis das Delegacias de Sinop e Sorriso, da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core), e parceria da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Ministério Público, Poder Judiciário da Comarca de Feliz Natal.

A Polícia Civil contou com a colaboração da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, que disponibilizou o levantamento de informações administrativas, uma vez que não tem participação nos fatos investigados.

As ordens judicias, expedidas pelo Juízo da Comarca de Feliz Natal, decorreram da investigação da Dema iniciada a partir de requisição ministerial do Ministério Público de Feliz Natal para apurar crime ambiental envolvendo a extração, transporte e comercialização ilegal de madeira, na Região Norte de Mato Grosso.

São apurados crimes de extração ilegal de recursos naturais, crimes contra a administração pública ambiental, associação criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A Operação Orcs resultou na apreensão de diversos documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais que serão analisados para o aprofundamento das investigações. Um homem, de 40 anos, apontado como responsável pela logística do corte e retirada da matéria-prima de dentro da reserva ecológica, teve o mandado de prisão cumprido.

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Além disso, três madeireiras foram embargadas pela Sema, e uma pessoa foi presa em flagrante por porte ilegal de arma de fogo por ser encontrada duas pistolas calibre 22 durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão.

Conforme indícios, as madeiras oriundas principalmente da Estação Ecológica Rio Ronuro, importante unidade de conservação de área verde entre a floresta amazônica e o cerrado, eram extraídas ilegalmente, e depois de apreendidas pelos órgãos fiscalizadores ambientais, eram doadas por meio de licitações.

Em razão da legislação que permite a doação de madeiras licitamente pelos órgãos ambientais, a Dema apurou que as madeiras eram doadas ao grêmio desportivo, e este, por meio de licitação na forma de leilão fraudulento, retornava com as madeiras para os madeireiros do grupo criminoso.

A Polícia Civil apurou ainda que a Secretaria de Estado de Meio Ambiente não tinha conhecimento ou participação nos fatos investigados.

Entre as irregularidades identificadas nas doações ao grêmio desportivo, estão a inexistência de formalização das circunstâncias das apreensões, ausência de termo de depósito indicando o responsável pela guarda dos materiais, falta de avaliação prévia das toras de madeira e de autorização judicial para venda das madeiras, e a não regularização da madeira junto à Secretaria de Estado do Meio Ambiente.

Também identificou-se que algumas madeireiras investigadas mantinham intensa atividade comercial no sistema de Comercialização e Transporte de Produtos Florestais, tramitando diversos guias florestais com suspeita de fraude, indicando assim fluxo constante de madeira de origem ilegal.

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As investigações apontam o possível envolvimento de agentes públicos, proprietários de madeireiras, engenheiros florestais com histórico de prática de crimes ambientais, transportadores e intermediários que facilitavam o escoamento da madeira extraída ilegalmente.

Estação Ecológica Rio Ronuro

A Estação Ecológica Rio Ronuro é uma área de preservação integral que abriga espécies importantes da fauna e flora do cerrado e da Amazônia mato-grossense, sendo considerada uma das áreas prioritárias para conservação da biodiversidade no Estado.

Origem do nome da operação

Os Elfos retratados na literatura de Tolkien da Saga Senhor dos Anéis eram conhecidos por sua profunda conexão com a natureza e seu compromisso em preservar o meio ambiente da terra-média. Eles demonstravam isso de várias maneiras, uma delas era a conservação das florestas, construindo suas moradas de forma a não prejudicar as árvores e o ecossistema, mantendo por meio do uso sustentável dos recursos que praticavam o que hoje chamamos de sustentabilidade.

Porém, um dos seus principais inimigos eram os Orcs, que se tornaram inimigos da natureza. Eles não suportavam a luz do sol e estavam associados à destruição e à poluição do ambiente natural. Situação análoga aos dias atuais, quando temos a flora nativa em área de preservação estadual sendo destruída e ceifada pelo homem, objetivando o lucro ausente de responsabilidade ambiental, social, econômica e sustentável.

Fonte: Policia Civil MT – MT

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Polícia Civil leva debate sobre bullying, ciberbullying e radicalização misógina às escolas de Cuiabá

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A violência contra a mulher não começa com um feminicídio. Ela nasce silenciosa, muitas vezes nos corredores das escolas, nas salas de bate-papo de jogos online, nos comentários anônimos das redes sociais e nos discursos de ódio que se infiltram como verdadeiros “coaches” da masculinidade tóxica.

Para enfrentar essa realidade, a Polícia Judiciária Civil, por meio da Coordenadoria de Polícia Comunitária e dos projetos sociais intensificou palestras nas unidades de ensino, lança um olhar atento e preventivo sobre o fenômeno da intimidação sistemática (bullying), do ciberbullying e da radicalização online em perfis da manosfera e machosfera.

A ação, que integra a campanha de prevenção à violência virtual nas escolas da capital, leva às salas de aula um diálogo franco e desarmado com alunos do ensino fundamental e médio. O objetivo não é apenas punir, mas impedir a formação de novos agressores, desconstruindo a ideia de que “brincadeira de mau gosto” é algo natural ou inofensivo.

“Não é brincadeira”: Investigador alerta para os crimes por trás da tela

Palestrante frequente nas ações da Polícia Civil em Cuiabá, o investigador Ademar Torres de Almeida, tem se dedicado a levar às escolas uma mensagem clara: o bullying e o ciberbullying são violações graves, com consequências jurídicas e emocionais reais. Em suas apresentações, ele utiliza recursos audiovisuais e exposição dialogada para mostrar como apelidos, xingamentos repetitivos, exclusão social e humilhações digitais não se trata de “mera diversão”.

“Precisamos desmontar essa ideia de que colocar apelido ofensivo, isolar o colega ou espalhar um boato é brincadeira. Isso é violência. E quando essa violência ganha as redes ou os chats dos jogos online, ela se multiplica. A Lei nº 14.811/2024 tipificou o cyberbullying como ‘intimidação sistemática virtual’, e os adolescentes precisam saber que responderão por atos infracionais por essas condutas”, alerta o investigador.

Segundo Ademar Torres, um dos pontos mais críticos observados nos diálogos com os jovens é a adesão velada a discursos de ódio contra meninas e mulheres, propagados em comunidades como a manosfera – um ecossistema digital misógino – e seu núcleo mais radical, a machosfera. Termos como Incel, Redpill, Blackpill e MGTOW (Homens Seguindo seu Próprio Caminho) têm sido identificados por pesquisas como mecanismos de radicalização que transformam frustrações em rancor e, em casos extremos, em violência.

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“Quando um aluno começa a reproduzir frases de ódio contra as colegas, a defender que ‘mulher merece sofrer’ ou a consumir conteúdos de influenciadores que pregam a dominação masculina, isso é um sinal de alerta. Estamos falando de um processo de radicalização que começa online e pode terminar em violência real. A escola é o lugar ideal para interromper esse ciclo”, explicou o investigador.

Psicóloga reforça: parceria com a Polícia Civil transforma a escola

A atuação da Polícia Civil nas escolas não acontece de forma isolada. No Colégio Tiradentes da Polícia Militar, em Cuiabá, a psicóloga Renata, da equipe psicossocial da unidade, tem acompanhado de perto os resultados das palestras e rodas de conversa promovidas pelos investigadores. Para ela, a presença da Polícia Civil no ambiente escolar é fundamental para desmistificar o tema e dar segurança jurídica e emocional a alunos e educadores.

“A expressão ‘bullying’ é usada para qualificar comportamentos agressivos no ambiente escolar, praticados de forma intencional e repetitiva, deixando a vítima impossibilitada de se defender. Mas, na prática, muitas crianças e adolescentes não sabem identificar quando estão sendo vítimas ou, pior, quando estão sendo agressores. O trabalho da Polícia Civil, com uma linguagem acessível e exemplos concretos, ajuda a desnaturalizar essa violência. Eles explicam desde o bullying físico até o cyberbullying, incluindo a falsificação de fotos, a disseminação de boatos e a violação de intimidade”, detalha a psicóloga.

Renata destaca que um dos maiores ganhos dessa parceria é a prevenção baseada no diálogo e no acolhimento, e não apenas na repressão. “Quando o investigador entra na sala e fala sobre como os jogos online podem se tornar espaços tóxicos, ou como um comentário misógino em uma rede social não é ‘só uma opinião’, os alunos se sentem provocados a refletir. A escola sozinha não dá conta desse fenômeno digital. Precisamos do Estado, da segurança pública, atuando de forma coordenada. A Polícia Civil tem sido essencial nesse sentido”, afirmou.

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O que diz a lei e o papel da escola

O coordenador da Polícia Comunitária, delegado Mario Dermeval, ressalta que as ações da Polícia Civil nas escolas de Cuiabá estão amparadas em um robusto arcabouço legal. A Lei Estadual nº 9.724/2012 determina a inclusão de medidas de conscientização e combate ao bullying nos projetos pedagógicos de Mato Grosso. Já a Lei Federal nº 13.185/2015 instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, e a Lei nº 13.663/2018 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) para obrigar as escolas a promoverem ações de prevenção à violência e cultura de paz.

De acordo com o material utilizado nas palestras, as formas mais comuns de bullying vão além do físico e incluem o bullying psicológico (amedrontar, perseguir), moral (difamar, caluniar), verbal (insultos, apelidos humilhantes), sexual (assediar), social (isolar, excluir), material (furtar ou destruir pertences) e o virtual ou cyberbullying (humilhações online, invasão de perfis, envio de mensagens ofensivas).

Prevenção como projeto de Estado

Segundo o gerente de Polícia Comunitária, investigador Nilton César Cardoso, as ações da Polícia Civil na capital têm por referência os projetos sociais de prevenção e o Programa Escola Segura que visa a prevenção eficaz aliada a educação transformadora, integrada no território escolar. Ao final das palestras, fica a mensagem central: os algoritmos das redes sociais e os chats dos jogos online não podem ditar o que é certo ou errado. A responsabilidade é coletiva. Como bem sintetizou o Investigador.

Serviço

Escolas públicas e privadas de Cuiabá que desejarem agendar palestras sobre bullying, ciberbullying, prevenção à violência virtual e enfrentamento à radicalização misógina podem entrar em contato com a Polícia Civil. As ações são gratuitas e voltadas a alunos do ensino fundamental e médio.

Fonte: Policia Civil MT – MT

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