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EJA está disponível em apenas 44% dos municípios de MT

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Dos 142 municípios de Mato Grosso, apenas 63 contam com oferta de Educação de Jovens e Adultos (EJA), o que representa 44% do total. A situação é ainda mais crítica no 1º segmento da EJA, correspondente aos anos iniciais do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano), disponível em apenas 12 municípios. Entre os municípios com maiores índices de analfabetismo e demanda reprimida pela EJA estão Porto Estrela e Nova Brasilândia. Os dados foram divulgados na tarde desta terça-feira (3) pela Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT), durante a segunda reunião do ano do Fórum Intersetorial de Acompanhamento dos Planos de Educação (Fiape). Na pauta do encontro, além da Meta 8 do Plano Nacional de Educação (PNE) – que trata da elevação da escolaridade da população adulta – também foram discutidas a Meta 6, voltada à ampliação da oferta de educação em tempo integral, e o monitoramento dos indicadores dos Planos de Educação. De acordo com o promotor de Justiça Miguel Slhessarenko Junior, titular da 8ª Promotoria de Justiça Cível de Defesa da Cidadania e coordenador do Núcleo Estadual de Autocomposição do Ministério Público de Mato Grosso, a oferta da EJA tem sido um dos temas mais debatidos nas últimas reuniões do fórum, especialmente em relação aos índices de atendimento, que se mostram preocupantes. Essa modalidade de educação básica no Brasil é destinada a jovens e adultos que não concluíram o ensino fundamental (1º ao 9º ano) ou o ensino médio. A meta estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE) é elevar a escolaridade média da população de 18 a 29 anos, de forma que alcance, no mínimo, 12 anos de estudo. Em Cuiabá, onde atualmente apenas uma unidade escolar oferece a modalidade, a meta é elevar a taxa de alfabetização dessa população de 95,7% para 97%. Segundo dados da Secretaria Municipal de Educação (SME), o índice de analfabetismo na capital é de 3,27%, o que representa aproximadamente 16.883 pessoas não alfabetizadas. Atualmente, a única instituição da rede municipal que oferta a EJA é a Escola Municipal de Educação Básica (EMEB) Nova Esperança, que atende uma única turma com 28 alunos. Educação em Tempo Integral – Miguel Slhessarenko Junior revelou ainda que tem acompanhado com bastante apreensão, curiosidade e também certo receio os debates sobre o novo Plano Nacional de Educação em discussão no Congresso. Segundo ele, um dos principais temas em pauta é a Educação em Tempo Integral, que tem se tornado uma preocupação nacional. O promotor destacou que, embora a proposta de Educação em Tempo Integral seja excelente e extremamente benéfica, sua implementação representa um grande desafio, sobretudo para municípios de menor porte. “É algo que já discutimos aqui: o custo para manter uma estrutura de Educação em Tempo Integral praticamente dobra a oferta de serviços em uma mesma unidade escolar. Isso implica ampliar o quadro de professores, o fornecimento de alimentação, os serviços de higiene, limpeza e toda a estrutura de apoio necessária”, explicou. Ele reforçou que, apesar das reconhecidas vantagens do modelo, as dificuldades logísticas e financeiras são significativas e precisam ser cuidadosamente consideradas, principalmente nos pequenos municípios. A meta do PNE é oferecer educação em tempo integral em, no mínimo, 50% das escolas públicas, de modo a atender pelo menos 25% dos estudantes da educação básica. Atualmente, Várzea Grande conta com 37 escolas em tempo ampliado e oito escolas que oferecem Educação em Tempo Integral. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, o município está realizando um estudo para aprimorar o atendimento nas unidades que funcionam em período integral, com o objetivo de melhorar a estrutura física destinada aos estudantes e profissionais da rede. Em Cuiabá, a Educação em Tempo Integral foi implantada em 2024 em 11 unidades da rede municipal, beneficiando 1.178 estudantes. Em 2025, por meio de uma parceria com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), o programa foi ampliado para mais 10 unidades escolares, passando a atender 2.835 estudantes. Com isso, o município passou a contar com 21 escolas ofertando a modalidade. Monitoramento dos planos – O promotor de Justiça também destacou a relevância do monitoramento dos planos de educação. “Tenho grande interesse e preocupação em acompanhar como esse monitoramento está sendo realizado, especialmente diante dos desafios para garantir um acompanhamento efetivo. Neste ano, com a prorrogação de um ano do nosso plano atual, é fundamental partir de um diagnóstico claro da situação. Assim, quando o novo Plano Nacional de Educação for lançado, teremos plena consciência do que precisa ser feito”, afirmou antes do início das apresentações. Miguel acrescentou que, para adequar as metas do novo plano, será necessária muitas vezes uma atualização dos planos municipais e estaduais, o que exige dos gestores um esforço rigoroso para ajustar, implementar e fiscalizar o cumprimento dessas metas. “Esse é um dos pontos centrais e uma das maiores preocupações que temos hoje”, apontou. As secretarias de Estado e as municipais de Cuiabá e Várzea Grande então apresentaram os fluxos de monitoramento e avaliação do Plano Estadual de Educação, bem como dos planos municipais correspondentes. Além dos integrantes das secretarias, a reunião contou com a presença de representantes do Conselho Estadual de Educação (CEE), Conselho Municipal de Direitos da Criança e Adolescente (CMDCA), Conselho Municipal de Educação de Cuiabá (CME), Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci-MT), Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), Sindicato dos Servidores Públicos da Educação Profissional e Tecnológica de Mato Grosso (Sinprotec-MT), Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), União Nacional dos Conselhos Municipais da Educação (UNCME), e União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime-MT).

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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Qualificação profissional fortalece ações de ressocialização em MT

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O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), por meio do Centro de Apoio Operacional da Execução Penal, participou, nesta sexta-feira (17), de uma visita técnica às penitenciárias Central do Estado, masculina, e Ana Maria do Couto, feminina, em Cuiabá, voltada à articulação interinstitucional para a implantação de cursos de qualificação profissional destinados a pessoas privadas de liberdade.A agenda integra um esforço conjunto que também reúne o Ministério Público do Trabalho (MPT), o Tribunal Regional do Trabalho (TRT-MT), o Tribunal de Justiça (TJMT), a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) e Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-MT), com foco na ressocialização e na redução da reincidência criminal.A procuradora de Justiça e coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Execução Penal, Josane Guariente, ressaltou a importância da qualificação profissional como eixo central da ressocialização.“Eu acredito que, graças às parcerias que acabaram dando muito certo, surge hoje essa ideia trazida pela dra. Thaylise, nessa tentativa de união das instituições, principalmente com relação à qualificação profissional, que é a joia rara desse projeto, porque não há como falar de ressocialização ou reinserção social sem a qualificação profissional”, disse a procuradora.O secretário de Estado de Justiça, Valter Furtado Filho, destacou a importância da iniciativa para o fortalecimento das políticas de ressocialização no sistema penitenciário.“A qualificação profissional dentro do sistema penitenciário é uma ferramenta estratégica para a ressocialização. Quando oferecemos oportunidades concretas de aprendizado e certificação, estamos contribuindo diretamente para a redução da reincidência e para a construção de uma sociedade mais segura e inclusiva. Essa união de instituições mostra que estamos no caminho certo para transformar realidades”, disse.Durante a visita, o presidente do Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso, desembargador Aguimar Peixoto destacou o caráter institucional da ação e o compromisso com a transformação social.“Nós queremos trazer cursos para qualificá-los e com a certificação de um órgão como o Senai, que é uma carta de apresentação para quando eles deixarem a prisão possam apresentar, sem que o tomador do serviço os discrimine. Eles estarão protegidos por uma iniciativa institucional, e consta nessa certificação que o curso é sério, embora ministrado dentro da penitenciária. Esse é o objetivo”, declarou o desembargador.A procuradora-chefe do Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso, Thaylise Campos Coleta de Souza Zaffani, reforçou que a iniciativa busca criar oportunidades reais para o futuro.“Nosso objetivo é estabelecer relações entre as instituições de modo a trazer cursos de capacitação para as pessoas que estão hoje privadas da sua liberdade, mas que um dia retornarão para a sociedade. Nosso objetivo é que elas sejam capazes de devolver, em trabalho, recursos e benefícios, tanto para a sua família quanto para a sociedade e para si próprias. Estamos aqui para estender as mãos, fazer cursos e ampliar espaços. Estamos muito animados e é só o começo de uma grande mudança”, ressaltou.Representando o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-MT), o gerente de Projetos e Parcerias, Marcos Ribeiro, destacou o papel da instituição na transformação social por meio da educação profissional.“Fizemos essa visita em nome do Sistema Indústria para apresentar as possibilidades de formação profissional junto ao Senai Mato Grosso, por meio dos grandes parceiros que temos aqui no Estado, trazendo qualidade profissional. A nossa diretora Fernanda e o presidente Silvio também acreditam na transformação social por meio da qualificação, e esse é o trabalho do Senai: transformar vidas para uma indústria mais competitiva”, afirmou.Também participou da visita o desembargador Orlando Perri, reforçando o engajamento do Judiciário na construção de políticas públicas voltadas à ressocialização.Com informações da assessoria da Sejus-MT

Fonte: Ministério Público MT – MT

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