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Plantio de ipês em Cuiabá simboliza luta contra o feminicídio no estado

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Sessenta e cinco mudas de Ipê Roxo foram plantadas no Parque da Família Mahatma Gandhi, no bairro Terra Nova, em Cuiabá – atrás do Shopping Pantanal, em homenagem às vítimas de feminicídios ocorridos em Mato Grosso nos anos de 2024 e 2025, até o mês de maio. A ação ocorreu nesta quinta-feira (5), Dia Mundial do Meio Ambiente, e é uma idealização do Núcleo de Enfrentamento da Violência Doméstica e Familiar do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), em parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente.“Esse não é um plantio qualquer. Temos uma missão: relembrar as mulheres e fortalecer a memória delas. Por isso, também estamos inaugurando uma placa, transformando este ato em um Memorial às Vítimas de Feminicídio, não só de Cuiabá, mas de todo o estado de Mato Grosso. A placa dispõe de um QR Code que leva à página do Observatório Caliandra, onde há os perfis e as fotos das vítimas, para que todos possam conhecer e saber quem foram essas mulheres. Precisamos colocar em evidência essa temática tão séria, discutir e falar sobre ela todos os dias”, afirmou a promotora de Justiça da 15ª Promotoria Criminal e Coordenadora Administrativa do Núcleo de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar de Cuiabá, Claire Vogel Dutra.A iniciativa replantou 54 mudas de ipês que, inicialmente, haviam sido alocadas na 2ª Etapa do Parque Tia Nair, em 28 de março, e precisaram ser transferidas, além do plantio de 11 novas mudas que simbolizam as mulheres que tiveram suas vidas ceifadas durante esse curto intervalo de dois meses. A ideia é fazer com que todos que passarem pelo local possam apreciar a grandeza das árvores, desfrutar da sombra, entender a gravidade do assunto, refletir e se conscientizar sobre a importância da luta, com foco na diminuição dos casos. O Ipê foi escolhido por ser uma árvore originária da Mata Atlântica brasileira. A árvore, com sua florada de cor roxa, simboliza cada mulher, filha, mãe, avó, tia, prima, amiga, que deixou de florescer por ser mulher. O prefeito Abilio Brunini destacou que deseja que o público frequente o local para lembrar, sim, mas também para educar. “Quando falamos de ação ambiental, pensamos apenas na parte ecológica, mas o ambiente é todo o ambiente. É a influência do ser humano no ambiente e, então, a influência do ambiente no ser humano. Estamos falando sobre criar espaços que façam influência no ser humano. Não só do plantio da árvore, não só da arborização, mas também de reflexão.”Para o secretário municipal de Meio Ambiente, José Afonso Portocarrero, a mudança de local dos ipês trouxe a chance de se elaborar a saudade e a emoção ao lembrar das vítimas com mais tempo, não de forma transitória. “A gente traz para o Parque da Família um espaço memorial. Se antes a gente ia passar por uma avenida, no Parque Tia Nair, agora as pessoas vêm aqui, vão ficar, vão poder fazer a lembrança das famílias e daqueles que conheceram as vítimas,” considerou.A tenente-coronel e secretária da Mulher de Cuiabá, Hadassah Suzannah, enfatizou que, quando um crime como esse acontece, há de se olhar para a dor e entender que a sociedade falhou na formação do caráter desses homens e na proteção das vítimas. “Está aqui a reflexão, está aqui o nosso desafio, a necessidade de olhar para as crianças [órfãs do feminicídio] e entender que a gente precisa sempre, como bom militar, não baixar a guarda. Estamos sempre em guerra quando o assunto é feminicídio”, pontuou.A vereadora de Cuiabá, Michelly Alencar, salientou o aumento expressivo dos casos desde o primeiro plantio, no final de março. “Eram 54. Hoje, pouco tempo depois, estamos plantando 65. Dói saber que cada nome aqui é uma vida que não existe mais. A nossa contribuição, simbólica, é que elas não sejam esquecidas. Elas vão florescer, vão trazer sombra, trazer beleza. Queremos que sejam lembradas assim. A maioria das vítimas é esquecida e acaba que o agressor, o assassino, fica sendo lembrado, porque vai cumprindo pena, vai saindo no noticiário, e a vítima ninguém nem lembra mais o nome.”De acordo com a vereadora de Cuiabá, Maysa Leão, para quebrar o ciclo de violência é importante atuar em rede e abordar esse problema já nas escolas, para conscientizar desde cedo. “A rede de enfrentamento à violência contra as mulheres só funciona se todos os entes envolvidos estiverem conversando juntos, na mesma mesa. […] Eu estou com o nome da Yasmin Farias Cardoso nas mãos e este evento é para que a Yasmin nunca seja esquecida. Para que cada pessoa que se sentar neste parque sinta, em seu coração, a dor dessas famílias e entenda que essa é uma luta de todos nós”, reforçou. “Que esse memorial seja um lugar de piquenique das famílias, um lugar em que as crianças, como a Yasmin Vitória e o Mateus [filhos de Josiane Ferreira da Silva, morta aos 26 anos], possam vir para lembrar da mãe. Ela [Yasmin] falou pra mim: ‘Tia, minha mãe era muito jovem’. E é assim, elas são muito jovens, cheias de sonhos, e são mortas por existirem, por desejarem, por terem sonhos, por quererem ir embora, por quererem galgar outros caminhos, alçar outros voos, e são cerceadas,” concluiu Maysa.Placa “Em Memória Delas” – A placa, com as informações sobre as vítimas e canais de denúncia, é fruto de uma colaboração entre o MPMT e a empresa Águas Cuiabá. “Nossa sólida parceria com o Ministério Público em causas tão relevantes à coletividade, incluindo o combate à violência contra a mulher, muito nos honra. Cuidar do meio ambiente e das pessoas é promover saúde, cidadania e dignidade. Temos a clareza que cada árvore plantada, cada casa conectada à rede de esgoto e cada ação de conscientização nos une numa sociedade melhor, mais inclusiva e sustentável”, destacou o diretor geral da Águas Cuiabá, Leonardo Menna.Dados – Em 2024 Mato Grosso registrou 47 feminicídios e, até maio de 2025, foram 18 mulheres assassinadas, com 83% de denúncias formalizadas pelo MPMT no crime de feminicídio, tipificados com base no Art. 121-A do Código Penal, conforme a Lei 14.994/2024.Observatório Caliandra – O Observatório Caliandra é uma iniciativa do Ministério Público de Mato Grosso que objetiva atuar ativamente na prevenção, orientação e sensibilização da população sobre a violência contra as mulheres. Para falar com a Ouvidoria, basta ligar para o telefone 127.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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Promotor afirma que Instagram de políticos é laboratório eleitoral

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“O maior laboratório de Direito Eleitoral é o Instagram dos políticos.” A afirmação foi feita pelo promotor de Justiça do Ministério Público do Ceará (MPCE) Igor Pereira Pinheiro durante a capacitação “Integridade em Foco: Intersecções entre Direito Eleitoral, Probidade Administrativa e Responsabilização Criminal”, na tarde desta quinta-feira (18). No painel “Ilícitos Penais e a Improbidade Administrativa: repercussão política e eleitoral”, o palestrante defendeu uma atuação mais estratégica, preventiva e proativa do Ministério Público no acompanhamento das eleições.Ao abordar a atuação ministerial em anos eleitorais, Igor Pereira Pinheiro alertou para a necessidade de os integrantes do Sistema de Justiça ampliarem o conhecimento sobre os tipos penais eleitorais. Segundo ele, o desconhecimento da legislação criminal eleitoral ainda representa um obstáculo para a identificação, investigação e responsabilização de condutas ilícitas durante o processo eleitoral.Na sequência, o promotor destacou que, entre os diversos crimes previstos na legislação, dois merecem atenção prioritária por terem como consequência a cassação do registro, diploma ou mandato. Um deles é o uso indevido de veículos oficiais nos 90 dias que antecedem a eleição. O outro é a distribuição de bens, prêmios, sorteios ou benefícios com a finalidade de promover candidaturas ou influenciar eleitores. Para ele, são práticas recorrentes, presentes em diferentes realidades municipais e que exigem atuação firme dos órgãos de controle.Sobre o tema, enfatizou que essas condutas muitas vezes passam despercebidas, apesar dos seus impactos sobre a lisura do pleito. “Quando a gente fala em crimes eleitorais que cassam diploma ou mandato, evidentemente que estamos diante de situações que deveriam ser prioritárias na nossa atuação fiscalizatória. São condutas que acontecem em todas as comarcas e que muitas vezes passam despercebidas”, afirmou.O palestrante também defendeu uma atuação preventiva, com o acompanhamento das movimentações políticas antes do início oficial da campanha eleitoral. Para ele, a fiscalização não deve se limitar ao período eleitoral, mas começar já na pré-campanha, quando surgem os primeiros sinais de promoção política e possíveis irregularidades. “A pré-campanha é um conceito fluido que depende muito mais do comportamento do pré-candidato do que da norma em si. A partir do momento em que alguém se apresenta como pré-candidato, passa a fazer reuniões, participar de eventos e buscar visibilidade política, ele atrai para si não apenas direitos, mas também todas as restrições e mecanismos de fiscalização previstos na legislação eleitoral”, argumentou.Dentro dessa perspectiva, o promotor de Justiça chamou atenção para a importância do monitoramento de redes sociais, eventos políticos e atos administrativos. Segundo ele, as plataformas digitais se transformaram em importantes ferramentas de investigação, permitindo identificar comportamentos, reunir provas e acompanhar a movimentação de agentes políticos de forma contínua. “O político e o pré-candidato precisam de exposição, precisam divulgar os atos que praticam. Se você tem uma rotina mínima de acompanhamento, consegue identificar comportamentos, registrar provas e perceber situações que muitas vezes ocorrem de forma totalmente aberta, porque já foram naturalizadas”, observou.Ao incentivar os membros do Ministério Público a adotarem uma postura mais ativa e investigativa, Igor Pinheiro defendeu que a atuação eficiente exige curiosidade, iniciativa e disposição para identificar irregularidades antes que produzam efeitos mais graves sobre o processo eleitoral. “Nós somos pagos para duvidar. Nós temos que desconfiar de tudo e de todos, porque só o curioso é que vai descobrir”, afirmou.O promotor ressaltou ainda que os resultados mais efetivos costumam surgir quando o acompanhamento das condutas começa ainda no período pré-eleitoral, permitindo a construção de um histórico de comportamentos capaz de demonstrar eventual abuso de poder. “Os dados mostram que os casos de maior sucesso são justamente aqueles que começam a ser acompanhados ainda no ano pré-eleitoral, permitindo demonstrar uma sequência de condutas e um padrão de comportamento”, reforçou.Ao tratar do uso da máquina pública para promoção política, Igor Pinheiro chamou atenção para o aumento da exposição de possíveis candidatos e para a utilização de perfis pessoais em redes sociais para divulgar ações institucionais. Na avaliação dele, muitas vezes os indícios de uma candidatura se manifestam antes mesmo de qualquer anúncio formal, exigindo atenção dos órgãos de fiscalização.“Na política, muitas vezes o não dito é um sim. Quando começam a apontar alguém como pré-candidato, quando essa pessoa passa a ter uma exposição que antes não tinha e quando há sinais concretos de movimentação política, cabe ao Ministério Público investigar, acompanhar e reunir elementos objetivos. Não podemos esperar que tudo esteja declarado formalmente para começar a fiscalizar”, destacou.O promotor também ressaltou que a fiscalização deve alcançar todos os atores políticos, independentemente de posicionamentos ideológicos ou partidários. Segundo ele, a atuação isonômica é fundamental para preservar a credibilidade institucional e afastar questionamentos sobre eventual perseguição ou seletividade. “A maior estratégia contra qualquer alegação de perseguição ou assédio processual é agir de forma igual contra todos. Se a conduta é irregular, ela deve ser investigada independentemente de quem a pratique. O Ministério Público não pode ter lado político; o lado do Ministério Público é o lado da legalidade”, enfatizou.Ao abordar a corrupção eleitoral, o painelista criticou a realização de acordos penais e defendeu uma postura mais rigorosa na responsabilização dos envolvidos. Para ele, o Ministério Público deve exercer protagonismo na proteção da integridade do processo eleitoral e atuar de forma efetiva na prevenção e repressão dessas práticas. Na avaliação do promotor, a baixa efetividade da repressão aos crimes eleitorais exige uma reflexão sobre as respostas adotadas pelo Sistema de Justiça. “Em um país que registra historicamente altos índices de corrupção eleitoral, o Ministério Público precisa refletir sobre a efetividade das suas respostas. Se o sistema já puniu pouco, se são raríssimos os casos de prisão e condenação efetiva, precisamos avaliar com muito cuidado até que ponto determinados acordos contribuem para a prevenção e para a credibilidade do processo democrático”, apontou.Por fim, o palestrante reiterou a defesa de uma atuação mais firme do Ministério Público diante dos crimes eleitorais e da corrupção política. “O MP tem que ser demandista sim, em algumas hipóteses graves. E nós estamos falando de corrupção eleitoral, de algo gravíssimo. Nós temos um déficit punitivo alarmante. Como é que você, num país que tem mais de cinco mil municípios, em que a Polícia Federal apreendeu mais de R$ 40 milhões só na última eleição por corrupção eleitoral, não tem um indivíduo condenado e preso? É um sistema totalmente sem efetividade”, finalizou.

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Fotos: Chico Ferreira.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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