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Bahia confirma primeiro foco de ferrugem asiática na safra 2025/26

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A safra 2025/2026 de soja acaba de registrar seu primeiro foco de ferrugem asiática na Bahia, elevando o nível de atenção dos produtores logo no início do ciclo. A ocorrência foi confirmada nesta semana no município de Correntina, no oeste baiano, região estratégica para a produção de grãos no Estado.

O alerta fitossanitário foi emitido pela Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), por meio do Programa Fitossanitário da Soja, em consonância com a notificação oficial da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab). A presença do fungo foi detectada após a coleta de folhas de plantas de soja em fase inicial de maturação, com análise realizada pela Fundação BA, em Luís Eduardo Magalhães.

Com a confirmação na Bahia, o número de registros de ferrugem asiática no Brasil nesta safra chega a 144 ocorrências, segundo dados atualizados do Consórcio Antiferrugem. O Paraná concentra a maior parte dos casos, com 88 registros, seguido por Mato Grosso do Sul (44). Também há notificações no Rio Grande do Sul (5), São Paulo (4), Santa Catarina (2) e Minas Gerais (1).

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Na comparação com a safra anterior, chama atenção a evolução dos casos no Paraná. No início de janeiro do ciclo passado, o Estado contabilizava 41 ocorrências — número que praticamente dobrou nesta temporada. Especialistas, no entanto, ponderam que esse crescimento não significa perda de controle da doença, mas sim maior circulação de esporos e intensificação do monitoramento nas lavouras.

Pesquisadores apontam que condições climáticas específicas contribuíram para esse cenário. O inverno mais úmido no Sul do país favoreceu a sobrevivência da soja voluntária, que atua como ponte verde para o fungo. Além disso, a antecipação da semeadura em algumas regiões — com plantio iniciado já em setembro no Sul do Brasil e em áreas vizinhas do Paraguai — amplia o período de exposição das lavouras à ferrugem.

Diante do avanço da resistência do fungo aos fungicidas, a recomendação técnica é clara: associar fungicidas multissítios às aplicações, estratégia que reduz o risco de resistência e aumenta a eficiência do controle. O monitoramento constante das áreas também é considerado fundamental, especialmente nas regiões com registros confirmados.

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Produtores são orientados a acompanhar os boletins do Consórcio Antiferrugem, que atualiza em tempo real a distribuição da doença no país, permitindo decisões mais precisas e preventivas ao longo da safra.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos

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O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.

A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.

O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.

Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.

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INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.

“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”

“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”

“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”

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Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.

No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.

Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.

Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.

Fonte: Pensar Agro

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