AGRONEGÓCIO

Produção de milho cresce 41% e supera 2 milhões de toneladas

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A produção de milho da primeira safra cresceu 41% em São Paulo no ciclo 2025/26 e chegou a 2,06 milhões de toneladas. O resultado representa uma recuperação importante doProdução de milho cresce 41% e supera 2 milhões de toneladas cereal no Estado, mas ainda é apenas uma parte da safra paulista: o maior volume vem do milho de segunda safra, a safrinha, cuja colheita avança neste segundo semestre.

O resultado do milho verão foi sustentado por dois movimentos simultâneos. A área plantada cresceu 26,5%, alcançando 277,8 mil hectares, enquanto a produtividade aumentou 11,5%. Os números são do terceiro levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA), da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), em parceria com a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI).

A combinação mostra que o aumento da produção não ocorreu apenas porque o agricultor destinou mais terra ao cereal. As lavouras também produziram mais por hectare, ampliando o efeito da expansão da área sobre a oferta estadual.

A região de Itapeva respondeu sozinha por 26% do milho de primeira safra produzido no Estado. Na sequência aparecem São João da Boa Vista, Itapetininga e Avaré. Juntas, as quatro regiões concentraram 52,7% da produção paulista.

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O tamanho da safra de milho de São Paulo, entretanto, será definido principalmente pela segunda safra. Nos últimos anos, assim como ocorreu em outras regiões produtoras do País, o cereal cultivado depois da soja ganhou espaço e passou a responder pela maior parcela da produção estadual.

Isso faz com que o resultado do milho verão funcione como a primeira parte do balanço de 2025/26. A entrada da safrinha acrescentará vários milhões de toneladas à oferta paulista e será determinante para definir o volume total de milho produzido pelo Estado no ciclo.

O desempenho também é relevante para cadeias que consomem o cereal dentro do próprio Estado. São Paulo possui uma grande indústria de rações e produção expressiva de aves, suínos, bovinos, ovos e outros segmentos que utilizam milho na alimentação animal. Além disso, a expansão da indústria de etanol de milho no Centro-Sul vem criando uma fonte adicional de demanda pelo grão.

Soja supera 4 milhões de toneladas

Enquanto o milho verão apresentou forte expansão, a soja terminou a safra praticamente estável. São Paulo produziu 4,12 milhões de toneladas da oleaginosa em 2025/26.

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A estabilidade, porém, esconde uma mudança importante dentro das lavouras. A área cultivada com soja diminuiu 5,1%, mas a produtividade cresceu 5,4%, chegando a 3.603 quilos por hectare, ou pouco mais de 60 sacas por hectare.

Na prática, o agricultor paulista conseguiu colher praticamente o mesmo volume utilizando uma área menor. O ganho de rendimento compensou a retração do plantio.

Itapeva também liderou a produção estadual de soja, com 19,3% do total. Ourinhos e Assis aparecem em seguida, com pouco mais de 10% cada. As seis principais regiões produtoras concentraram 58,7% da colheita estadual.

Os números mostram comportamentos diferentes para os dois principais grãos cultivados no Estado. A soja preservou a produção com ganho de produtividade e redução da área, enquanto o milho verão avançou tanto em área quanto em rendimento.

Para o milho, contudo, o principal número da temporada ainda está por vir. Com 2,06 milhões de toneladas já asseguradas na primeira safra, será o resultado da safrinha que determinará o tamanho efetivo da produção paulista em 2025/26.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Estudo da USP aponta 17 pontos que encarecem o frete e entidades do agro cobram mudanças

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Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) deu força à pressão da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete. O levantamento identificou 17 pontos que podem estar elevando artificialmente os valores, sobretudo no transporte de grãos em trajetos curtos e nas operações de maior produtividade.

As conclusões foram apresentadas durante o processo de revisão da regulamentação conduzido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A FPA e entidades do setor produtivo querem que a agência utilize os custos efetivamente observados nas estradas brasileiras, em vez de parâmetros que, segundo o estudo, já não representam a realidade da frota e das transportadoras.

O trabalho foi elaborado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-Log), ligada à USP. Os pesquisadores analisaram jornada de trabalho, consumo de combustível, idade dos caminhões, quantidade de eixos, retorno vazio, depreciação dos veículos e produtividade das operações.

Uma das principais distorções estaria no número de horas trabalhadas. A metodologia atual considera uma utilização mensal de 181 horas para calcular quanto os custos fixos representam em cada viagem. Para os pesquisadores, esse parâmetro indica uma subutilização do caminhão e do tempo legalmente disponível do motorista.

A proposta é elevar a referência para 220 horas mensais. Com mais horas de utilização, despesas como depreciação, remuneração do capital e salário do motorista seriam distribuídas por um número maior de viagens, reduzindo o custo atribuído a cada quilômetro rodado.

Apenas essa alteração poderia diminuir em 7,6%, na média, os valores calculados para o piso. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância percorrida e da configuração do caminhão.

Em uma operação com piso de R$ 10 mil, uma diferença de 11% representa aproximadamente R$ 1,1 mil por viagem. Para uma empresa, cooperativa ou produtor que contrate cem viagens durante a colheita, o custo adicional pode superar R$ 110 mil.

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O impacto é ainda maior nas regiões afastadas dos portos. Como soja, milho, algodão e outras commodities percorrem centenas ou milhares de quilômetros até os terminais de exportação, o frete interfere diretamente no valor recebido pelo produtor. Quanto maior o custo logístico, menor tende a ser o preço pago pela produção na origem.

O estudo também questiona a vida econômica de sete anos utilizada pela tabela para calcular a depreciação dos caminhões. Dados da própria ANTT mostram que os veículos de tração em circulação no país possuem idade média de 16,4 anos.

Na avaliação dos pesquisadores, utilizar um período muito menor concentra a perda de valor do veículo em poucos anos e eleva o custo de cada viagem. A adoção de uma referência de 16 anos poderia reduzir entre 6% e 10% o valor calculado para o transporte de grãos, conforme o percurso e o tipo de composição veicular.

A FPA pretende usar esses resultados para pressionar pela adoção do custo operacional efetivo como base da nova regulamentação. O argumento é que a tabela precisa garantir a remuneração do transportador, mas não pode incluir despesas teóricas ou superestimadas que encareçam artificialmente a movimentação da produção brasileira.

Entidades do setor encaminharam à ANTT 15 contribuições. Entre elas estão a retirada de componentes que não representem desembolso efetivo, a criação de regras específicas para operações de alto desempenho e um tratamento mais preciso para viagens com retorno vazio.

A proposta busca diferenciar situações que atualmente acabam submetidas a parâmetros semelhantes. Um caminhoneiro autônomo que percorre longa distância e retorna sem carga enfrenta custos diferentes de uma transportadora com contratos recorrentes, frota mais produtiva e carga garantida nos dois sentidos.

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A pressão da bancada também alcança a Lei 15.485/2026, que ampliou a fiscalização sobre o piso mínimo e estabeleceu prazo máximo de 30 dias úteis para o pagamento do frete. A FPA participou da negociação do texto aprovado pelo Congresso, mas critica os vetos feitos pela Presidência da República.

Os parlamentares defendem a recuperação de dispositivos que, segundo a bancada, foram construídos para equilibrar a proteção aos caminhoneiros e os custos suportados pelo setor produtivo. Os vetos ainda precisam ser analisados pelo Congresso.

A nova legislação tornou obrigatório o registro da operação no Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e endureceu as punições para contratações abaixo do piso. Em caso de reincidência, a multa pode chegar a R$ 1 milhão, além de outras sanções administrativas.

Para a FPA, reforçar a fiscalização sem corrigir previamente as distorções da metodologia pode obrigar produtores e empresas a cumprir valores superiores ao custo real do transporte. A bancada quer que a revisão da ANTT incorpore as diferenças de distância, idade da frota, número de eixos, produtividade e aproveitamento do retorno.

A discussão exige equilíbrio. O piso foi criado para impedir que caminhoneiros sejam obrigados a transportar cargas por valores incapazes de cobrir diesel, pneus, manutenção e remuneração do trabalho. A revisão defendida pelo agro não pode retirar essa proteção, mas precisa evitar que parâmetros desatualizados reduzam a competitividade da produção.

O estudo da USP coloca números nesse debate. Agora, a disputa será sobre quanto dessas conclusões a ANTT aceitará na nova tabela e se o Congresso derrubará os vetos à lei. Para produtores e transportadores, o resultado poderá definir quem pagará a conta das distorções existentes no cálculo do frete.

Fonte: Pensar Agro

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