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Centro Judiciário Ambiental realiza acordos no 1º dia do mutirão fiscal em Cuiabá

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O primeiro dia do mutirão fiscal virtual em Cuiabá, que faz parte da Semana Nacional de Conciliação, de 7 a 11 de novembro, foi considerado positivo pelo Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) Ambiental da Comarca da Capital e pela Procuradoria Geral do Município. Nas sessões realizadas, na tarde dessa segunda-feira , as partes que participaram das audiências chegaram ao acordo. Os casos selecionados pela Prefeitura de Cuiabá para o mutirão são infrações administrativas registradas na Dívida Ativa da Procuradoria Geral decorrentes de violação ao código sanitário e de postura da Capital.
 
As infrações são reclamações pré-processuais das mais variadas naturezas, entre as quais manter o terreno com entulho e mato, queimadas urbanas, promover obras (construção ou reforma) sem o alvará, não promover adequações de acessibilidade do imóvel e casos de perturbação da vizinhança pelo uso de som mecânico em volume incompatível ao permitido.
 
Para a gestora do Cejusc Ambiental, Jaqueline Bagao Schoffen, a aceitação das partes em participar desse encontro virtual com o objetivo de buscar a conciliação é benéfica e prática. “Essa forma virtual possibilita que as pessoas se coloquem em ambientes físicos diferentes, de acordo com a realidade de cada parte, para dialogar sobre a situação pendente”, sublinhou Jaqueline Shoffen, acrescentando que no formato virtual, como no físico, o Cejusc também preza pela humanização da audiência.
 
Em uma das audiências, a professora Marijane Martins dos Santos aceitou o acordo da infração provocada pela ampliação sem autorização do imóvel em que reside em um condomínio. Assim, vai quitar a dívida com 50% de desconto, e, com isso, o valor caiu de R$ 997,08 para R$ 551,59. A professora participou da sessão pelo próprio celular e considerou o método excelente. “Só fiquei sabendo dessa dívida quando recebi a intimação. Então, decidi participar, uma vez que foi muito fácil, e chegamos ao acordo, frisou Marijane, que vai receber, por mensagem de whatsApp e por e-mail, o boleto com o valor para pagar a dívida e o Termo de Sessão de Conciliação do acordo concluído.
 
Em outra sessão, a servidora pública Maria de Fátima Zonoido Silva preferiu comparecer ao Cejusc para dialogar com a prefeitura de forma virtual. Em 2019, foi notificada e não fez a limpeza do terreno que, até então, estava coberto por mato. Ela reconheceu a infração e optou em fazer o acordo parcelando a dívida de R$ 1.232,00 em nove meses. Com o desconto, a servidora pública vai pagar R$ 764,69, sendo uma entrada de R$ 117,33 e o restante em oito parcelas mensais.
“Foi muito simples negociar, e resolvemos com tranquilidade. O atendimento é fantástico, humanizado e, além disso, tive a oportunidade de parcelar a dívida. Vim pessoalmente para conhecer, e saio satisfeita, porque o caso está resolvido”, disse a Maria de Fátima, que elogiou o serviço oferecido pela Justiça estadual. “A presença física da dona Maria de Fátima nos levou a fazer a sessão de maneira hibrida, com a prefeitura, representada pelo servidor Mateus Ambrósio, de forma virtual, e as partes acordaram a situação”, completou a gestora do Cejusc.
 
A finalidade do mutirão é ofertar à população a possibilidade de autocomposição buscando inovação e pacificação. Conforme Jaqueline Schoffen, os títulos extrajudiciais indicados pela Prefeitura de Cuiabá para as audiências não foram judicializados ou protestados, e, dessa forma, o mutirão fiscal procura reduzir os litígios com foco em resultados.
 
Álvaro Marinho
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT

Fonte: Tribunal de Justiça de MT

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Avanços no papel e entraves na prática mostram que a inclusão ainda carece de efetividade

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Apesar da existência de um arcabouço jurídico avançado, a garantia de direitos às pessoas com deficiência ainda enfrenta entraves concretos para sua execução. A avaliação foi apresentada pela advogada doutora Jennyfer Bathemarque durante a palestra “A Pessoa com Deficiência no Sistema de Justiça: Direitos, desafios e o papel do Judiciário na efetivação da inclusão”, realizada dentro da programação do evento “TJMT Inclusivo: Autismo e Direitos das Pessoas com Deficiência”, realizado na quinta-feira (16), na Igreja Lagoinha, em Cuiabá.

A advogada conhece na pele as dificuldades de uma mãe atípica e da necessidade de recorrer ao sistema de Justiça para garantir que o amor de sua vida, seu filho, quando ainda um bebezinho de seis meses, pudesse ser submetido a uma intervenção cirúrgica cardíaca de alta complexidade.

Ao aprofundar a reflexão, a palestrante adotou um tom crítico ao provocar o público sobre a distância entre o que está previsto na legislação e o que, de fato, é entregue à população: o que determina a “Lei Berenice Piana” quanto à responsabilidade dos municípios na proteção das pessoas com autismo?

Segundo ela, o país não carece de normas, mas de efetividade. “Temos um arcabouço jurídico robusto, mas que ainda falha na execução. O direito existe no papel, mas não chega com a mesma força na vida real de quem precisa”, pontuou.

Na avaliação da advogada, essa desconexão se reflete em violações recorrentes: negativa de terapias por planos de saúde, ausência de profissionais especializados nas escolas, falta de atendimento adequado no SUS, escassez de especialistas, longas filas de espera e entraves no acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC). “O que vemos é um sistema que empurra as famílias para decisões difíceis, muitas vezes abrindo mão de estabilidade financeira para tentar garantir o mínimo de dignidade”, alertou.

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A crítica se intensifica quando o acesso a direitos passa, quase sempre, pelo Judiciário, evidenciando um cenário que exige reflexão: direitos básicos ainda dependem de ação judicial para serem garantidos, enquanto a morosidade processual compromete tratamentos que não podem esperar.

A advogada cita ainda que se soma a isso a exigência excessiva de laudos, que acaba se tornando mais uma barreira de acesso, além da falta de uniformidade nas decisões, gerando insegurança jurídica. Nesse contexto, também se coloca em debate a própria capacidade do sistema de Justiça de compreender, em sua complexidade, as dimensões clínicas e sociais que envolvem as pessoas com deficiência.

Ela também chamou atenção para o que classificou como distorções estruturais: por que a judicialização deixou de ser exceção e passou a ser regra? Por que decisões ainda se baseiam, muitas vezes, em critérios exclusivamente formais? Onde está o olhar multidisciplinar? E por que, mesmo após decisões favoráveis, ainda há descumprimento, dependência de bloqueios judiciais e um ciclo contínuo de novas ações?

Para Jennyfer, esse cenário evidencia uma inversão preocupante. “O que deveria ser resolvido administrativamente tem sido transferido ao Judiciário. Isso revela não apenas a fragilidade das políticas públicas, mas também a sobrecarga de um sistema que acaba sendo acionado para garantir o básico”.

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A advogada também fez questão de elogiar o serviço prestado por meio do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), com destaque para a realização do evento TJ Inclusivo, que, segundo ela, evidencia o compromisso institucional com a promoção da acessibilidade e da inclusão.

Para a advogada, iniciativas como essa ampliam o diálogo com a sociedade e, a cada interação, contribuem para uma compreensão mais clara das falhas ainda existentes, auxiliando na promoção de ações mais efetivas, sensíveis e alinhadas às necessidades das pessoas em situação de vulnerabilidade.

TJMT Inclusivo – O projeto reforça o compromisso do Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Comissão de Acessibilidade e Inclusão, com o respeito à neurodiversidade e dá cumprimento à Resolução 401/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que dispõe sobre o desenvolvimento de diretrizes de acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência nos órgãos do Judiciário, e à Lei federal nº 12.764/2012 – Lei Berenice Piana, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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