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Entre conversas e descobertas, crianças vivenciam cultura de paz no “Justiça em Ação” em Aguaçu

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Em meio à movimentação do “Justiça em Ação”, entre atendimentos de saúde e serviços à população, um espaço silencioso, mas cheio de significado, chamou a atenção na Escola Municipal Rural de Educação Básica Professor Udeney Gonçalves de Amorim, localizada no Distrito de Aguaçu (40km de Cuiabá). Sentadas em roda, crianças de diferentes idades falavam sobre amizade, respeito, família e até sobre situações difíceis do dia a dia, entre elas o bullying. Era ali que aconteciam os Círculos de Construção de Paz, conduzidos pelo Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Sem formalidades, sem julgamentos. Apenas escuta, acolhimento e troca.

Para a diretora Ademercina Silva Xavier, receber a ação na escola foi mais do que abrir as portas, foi acolher uma oportunidade. “Para nós é um prazer imenso. As crianças ficam encantadas, tudo é novidade para elas. E cada atividade dessas planta uma sementinha importante, de cidadania, de respeito e de convivência. É algo que vai além do dia de hoje”, comentou.

A professora Ana Cláudia de Oliveira acompanhou de perto a participação dos alunos e percebeu como a proposta se conecta com a realidade deles. “A roda de conversa permite que eles falem, que tragam suas vivências. É uma forma diferente de aprender, mais leve e mais próxima deles. E também mostra que a justiça pode estar aqui, perto, dialogando com a comunidade”.

Para quem viveu a experiência do jeito mais simples, brincando, aprendendo e plantando, o dia foi especial. A pequena Gabrielly Lemes Louredo de Moraes Vieira, de sete anos, resume com espontaneidade. “Foi muito legal. A gente conversou, brincou e ainda plantou árvore. Quero que a minha escola tenha mais festas como essa”, contou.

Do lado de fora, enquanto algumas crianças participavam das rodas, outras brincavam, plantavam mudas ou aguardavam atendimento com os pais. Para a auxiliar de cozinha Keithianny Neves Modesto Louredo, sua filha Gabrielly e seu outro filho, Gabriel, estarem envolvidos em atividades assim tem um valor que vai além do momento. “É um incentivo. Nem sempre a gente tem acesso a esse tipo de ação, então ver eles aprendendo, participando e felizes assim é muito importante para a gente”, falou.

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Facilitadora do Círculo de Paz, a servidora do TJMT Zilma Luiza Nunes contou que na sala, o que se via era mais do que uma atividade educativa. Era um exercício de convivência. Aos poucos, crianças tímidas iam se soltando, levantando a mão, contando histórias, opinando. O diálogo, conduzido de forma leve, transformava experiências em aprendizado coletivo.

“Elas adoraram. E o mais bonito é perceber que se sentem à vontade para falar, até de temas mais delicados. Quando a gente cria esse ambiente de confiança, elas se abrem, participam e aprendem juntas”, contou.

Círculos de Construção de Paz

A implantação de Círculos de Construção de Paz nas escolas traz benefícios para a aprendizagem, desenvolvimento humano e para a reorganização da sociedade.

No centro de um salão, um círculo colorido feito com tecidos e flores representa o Círculo de Paz. No meio, estão figuras de animais e uma vela acesa, simbolizando harmonia e união entre as pessoas.Só em 2025, Mato Grosso somou mais de 75 mil participações em 5,9 mil Círculos de Construção de Paz realizados pelo Poder Judiciário e seus parceiros. A maior parte delas acontece dentro das escolas, onde crianças, adolescentes, professores e comunidade encontram no diálogo um caminho para transformar dores em aprendizados, fortalecer vínculos e cultivar relações mais humanas e solidárias.

O Círculo de Paz nas Escolas é uma iniciativa do Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio do NugJur-MT, que se fundamenta no princípio da Justiça Restaurativa para difundir a cultura de paz nas escolas. O método transforma a sala de aula em um ambiente de diálogo seguro, no qual alunos, professores e familiares podem compartilhar sentimentos e experiências. Dessa forma, reforça o respeito mútuo, a empatia e a convivência saudável, prevenindo conflitos e criando um ambiente escolar mais acolhedor.

Justiça acessível e eficaz

O “Justiça em Ação” é mais uma das iniciativas da Justiça Comunitária voltadas ao atendimento de populações em situação de vulnerabilidade, como ocorre nos projetos Araguaia-Xingu, Justiça Sem Fronteiras e Ribeirinho Cidadão. Cada uma é direcionada a públicos específicos e conta com a atuação integrada do Judiciário de Mato Grosso com parceiros institucionais, que levam serviços essenciais a comunidades isoladas e/ou carentes.

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A primeira edição do projeto “Justiça em Ação” foi realizada pela Justiça Comunitária do TJMT, com adesão do Comitê de Saúde do Poder Judiciário de Mato Grosso, em parceria com o Exército Brasileiro e reuniu diversas instituições públicas em um esforço conjunto para atender comunidades em situação de vulnerabilidade social. O evento integrou a programação da 2ª Semana Nacional da Saúde, promovida pelo Fórum Nacional do Judiciário para a Saúde (Fonajus) do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e instituído pela Resolução CNJ n. 576/2024.

Durante o dia inteiro foram oferecidos serviços médicos em diversas especialidades, além de exames de vista com doação de lentes e armações, orientação jurídica e acesso a serviços sociais, facilitando o atendimento da população em um único local.

A ação contou com a participação integrada de diversas instituições, como a Coordenadoria Estadual da Justiça Comunitária; 13ª Brigada de Infantaria Motorizada, que ofertou serviços médicos e assistenciais, além da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso; Perícia Oficial e Identificação Técnica; Prefeitura de Cuiabá; Juizado Volante Ambiental; Programa Verde Novo; Comissão Estadual Judiciária de Adoção; Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania; Núcleo de Justiça Restaurativa; Defesa Civil, Detran, Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer; Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso; Ministério Público do Estado de Mato Grosso; e o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso. Juntas, essas instituições garantiram uma ampla rede de serviços voltados à cidadania, inclusão social e atendimento à população.

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Autor: Ana Assumpção

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Ouvidoria Cidadã aproxima Judiciário da população em Tangará da Serra

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Foto horizontal que mostra várias pessoas sentadas em círculo e na plateia do auditório da OAB Tangará da Serra. Em pé, estão o desembargador Rodrigo Curvo e a advogada presidente daquela subseção da OAB. O local tem paredes azul marinho com o logotipo da OAB em metal prateado na parede ao fundo. A escuta das demandas da população e o fortalecimento dos canais de participação social marcaram a passagem do projeto Ouvidoria Cidadã por Tangará da Serra, nesta segunda-feira (15).

A iniciativa da Ouvidoria do Poder Judiciário de Mato Grosso (PJMT) incluiu visitas institucionais e reuniões com representantes do Poder Executivo municipal, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), magistrados e servidores do Fórum de Tangará da Serra.

A agenda foi conduzida pelo ouvidor-geral do PJMT, desembargador Rodrigo Curvo; acompanhado pelo juiz auxiliar da Ouvidoria, Bruno D’Oliveira Marques; e pela diretora do Departamento da Ouvidoria, Larissa Shimoya.

O projeto busca ampliar o conhecimento sobre os serviços oferecidos pela Ouvidoria, responsável por receber sugestões, elogios, reclamações, denúncias e pedidos de informação, além de atuar como canal de interlocução entre o cidadão e o Poder Judiciário.

Escuta qualificada

O ouvidor-geral avaliou positivamente a passagem do projeto pela comarca e destacou que a aproximação presencial fortalece a atuação da Ouvidoria como instrumento de aperfeiçoamento dos serviços judiciais. “O balanço é extremamente positivo. Apresentamos o trabalho da Ouvidoria do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, seus canais de acesso, e aproximamos de forma estratégica a atuação desse órgão autônomo e independente da administração do Poder Judiciário de Mato Grosso. Quando nos aproximamos da população e dos atores do sistema de Justiça, contribuímos para o aprimoramento dos serviços prestados pelo Judiciário”, afirmou.

Conforme o desembargador, embora muitas das demandas já cheguem à Ouvidoria pelos canais tradicionais, o contato direto com magistrados, servidores e advogados permite uma escuta mais qualificada. “Percebemos que as pessoas se sentem mais à vontade para apresentar questões pontuais e também demandas sistêmicas. Em Tangará da Serra, ouvimos preocupações relacionadas à vida funcional de servidores e ao golpe do falso advogado, tema que tem mobilizado a advocacia. Essa aproximação facilita o diálogo e fortalece a confiança da sociedade nos canais da Ouvidoria”, ressaltou.

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Foto horizontal que mostra o prefeito de Tangará da Serra, o desembargador Rodrigo Curvo e o juiz Bruno D'Oliveira sentados em volta de uma mesa de reunião. O prefeito está na cabeceira sorrindo e gesticulando.Diálogo com instituições e advocacia

O prefeito de Tangará da Serra, Vander Alberto Masson, falou sobre a importância da iniciativa para fortalecer os canais de comunicação entre as instituições e a população. Para ele, a presença da Ouvidoria na comarca amplia o acesso dos cidadãos aos serviços do Judiciário e contribui para uma gestão pública mais transparente e participativa.

“É uma iniciativa que aproxima as instituições da população, dá mais publicidade aos serviços oferecidos e cria um espaço aberto para que o cidadão possa apresentar suas demandas. Esses canais são fundamentais para identificar necessidades, corrigir eventuais falhas e buscar soluções que contribuam para uma sociedade mais justa e humana”, afirmou o prefeito.

A presidente da 10ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Tangará da Serra, Vanessa Fachini, ressaltou que a visita também contribuiu para esclarecer o papel da Ouvidoria junto à advocacia. “Essa iniciativa da Ouvidoria de vir ao encontro da advocacia é muito positiva. Além de permitir que a classe entenda melhor a função do órgão dentro do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, já que muitas vezes há confusão com a Corregedoria ou a Auditoria, ficou claro que a Ouvidoria funciona como uma porta de entrada para as nossas demandas, realizando os encaminhamentos necessários mesmo quando o assunto não é de sua competência direta”, afirmou a advogada.

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Foto horizontal em plano aberto que mostra cerca de 50 pessoas posando para a foto, no plenário do júri do Fórum de Tangará da Serra. Ao centro está o desembargador Rodrigo Curvo e magistrados. As outras pessoas são servidores da comarca.Servidores e magistrados participam de encontro

A programação também incluiu um encontro com magistrados e servidores do Fórum de Tangará da Serra. Para o juiz diretor do Fórum, Diego Hartmann, a atividade foi importante para esclarecer o papel da Ouvidoria dentro da estrutura do Judiciário.

“Muitas vezes, quem está nas comarcas enxerga a Ouvidoria apenas como um canal para recebimento de reclamações, quando, na verdade, ela também é um importante instrumento de parceria e escuta, tanto da população quanto do público interno. Os esclarecimentos apresentados ajudaram a desmistificar a atuação do órgão e foram muito bem recebidos pelos servidores”, afirmou.

Projeto segue para Diamantino

A visita a Tangará da Serra integra o projeto Ouvidoria Cidadã, que já passou pelas comarcas de Rondonópolis, Jaciara, Primavera do Leste e Barra do Garças, ampliando a divulgação dos canais da Ouvidoria e incentivando a participação dos cidadãos no aprimoramento dos serviços judiciais.

Nesta terça-feira (16), a equipe do projeto Ouvidoria Cidadã cumpre agenda na Comarca de Diamantino (183 quilômetros de Cuiabá).

Autor: Marcia Marafon

Fotografo: Anderson Borges

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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