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Parceria levará 15 cursos de qualificação a 300 recuperandos de 13 unidades prisionais do estado

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Foi lançado nesta terça-feira (12 de novembro), o projeto Capacita em Rede, que vai levar 15 cursos de qualificação a cerca de 300 recuperandos que cumprem pena em 13 unidades prisionais de Mato Grosso, nos municípios de Várzea Grande, Vila Rica, Nova Xavantina, Nortelândia, Mirassol D’Oeste, Barra do Garças, Sorriso, Colniza, Juína, Peixoto de Azevedo e Rondonópolis. Alguns dos cursos ofertados são: eletricista, agricultor orgânico, manicure e pedicure, costureiro e horta comunitária. A aula inaugural ocorreu por meio de uma transmissão ao vivo no YouTube.
 
A ação é possível graças a uma parceria inédita entre o Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF-MT), com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Instituto Federal do Sul de Minas – campus Machado, a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (Setec/MEC), a Secretaria Adjunta de Administração Penitenciária e a União das Faculdades Católicas de Mato Grosso (Unifacc-MT).
 
Durante a aula inaugural, o juiz coordenador do eixo Educação do GMF-MT, Bruno D’Oliveira Marques, destacou que o Judiciário mato-grossense já atua em rede, no âmbito estadual, para levar educação aos recuperandos do sistema prisional, por entender que este é o único caminho para alcançar a reinserção social. “O GMF entende que a educação é o único instrumento possível para reinserção. O GMF prima pela educação nas prisões, o GMF atua em rede, o Poder Judiciário tem um carinho especial por essa pauta por entender que o caminho da educação é o caminho único para a reinserção”, disse.
 
O magistrado pontuou ainda que, apesar dos esforços, o GMF-MT buscava exatamente por esse tipo de parceria para potencializar os trabalhos junto à população carcerária de Mato Grosso. “Que bom que os senhores trouxeram este projeto maravilhoso para o estado de Mato grosso. Era tudo o que nós buscávamos. Nós já trabalhávamos em parcerias, mas é difícil ‘startar’, é um projeto já em execução, com aporte de recursos aprovados, com o porte da CNBB apoiando, Ministério da Educação por meio da Setec, Instituto Federal do Sul de Minas, vocês trouxeram tudo o que nós estávamos buscando. Temos certeza de que esta ação será uma ação vitoriosa e que, a partir desta semente deste trabalho em rede, nós haveremos de avançar ainda mais na qualificação profissional dos nossos reeducandos privados de liberdade”, agradeceu.
 
Chefe de projetos da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (Setec/MEC), Joedna Lobato do Amaral, ressaltou que a parceria com a CNBB, por meio do projeto Capacita em Rede, tem o propósito de ampliar o acesso à educação e à qualificação a quem mais precisa e promover um caminho de reinserção social. “Nós acreditamos que os reeducandos podem encontrar novos caminhos e novos conhecimentos. O programa oferece não só ferramentas técnicas, mas também a possibilidade de encontrar um futuro renovado, onde cada pessoa pode ser protagonista de sua história, reescrevendo com dignidade as novas oportunidades”.
 
Presidente do Regional Oeste 2 da CNBB, Dom Vital Chitolina, bispo da Diocese de Diamantino, afirmou que o coração Se enche de alegria ao estar junto com tantas pessoas irmanadas no propósito de levar educação aos privados de liberdade. “Antes do Capacita em Rede existir, padre Edson, em nossas reuniões, já falava que nós precisamos alcançar as periferias humanas através da Católica de Mato Grosso e o Capacita em Rede veio adentrar a esse trabalho tão sonhado pelo nossa Faculdade Católica de Mato Grosso”, disse, citando o padre Edson Sestari, reitor da Unifacc-MT.
 
Participaram da aula inaugural também o reitor da Unifacc-MT, padre Edson Sestari; a pró-reitora de Extensão do IF Sul de Minas, Daniela Cardoso; a diretora-geral do Campus Machado do IF Sul de Minas, Aline Manke e o secretário-adjunto de Administração Penitenciária de Mato Grosso, Jean Carlos Gonçalves.
 
Capacita em Rede – Inspirado no Projeto Capacita Sul de Minas, é uma iniciativa fruto da parceria entre o Governo Federal, através da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação, e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A execução é feita pelo Instituto Federal do Sul de Minas – Campus Machado.
 
O objetivo é ofertar 19 mil vagas de qualificação técnica e profissional em todo o Brasil, distribuídas em 38 cursos, em 19 regionais da CNBB. O projeto teve início em maio deste ano e já conta com algumas turmas formadas nos regionais Nordeste 3, Oeste 2, Sul 3, Nordeste 5, Sul 4, Norte 3 e Leste 2 da CNBB, com cerca de 3 mil alunos concluintes.
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão de pessoas com deficiência visual. Descrição da imagem: logótipo do projeto Capacita em Rede, nas cores verde, azul, vermelho e amarelo em um fundo azul.
 
Celly Silva
Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT  
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Juizados Especiais debatem atuação em grandes eventos e impactos da inteligência artificial

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Experiências que transformaram Mato Grosso em referência nacional no atendimento de grandes eventos no Juizado Especial e reflexões sobre os impactos da inteligência artificial na prestação jurisdicional dos Juizados Especiais foram temas debatidos nesta segunda-feira (15), na III Semana Nacional dos Juizados Especiais, realizado no Complexo dos Juizados Especiais Desembargador José Silvério Gomes, em Cuiabá. As palestras integram a semana de mobilização nacional promovida entre os dias 15 e 19 de junho, em todo o país.
A juíza do 7º Juizado Especial Cível, Patricia Ceni dos Santos, falou sobre o Juizado do Torcedor e Grandes Eventos e como a unidade ao longo dos anos acompanhou a evolução da legislação esportiva brasileira. Ela contou que a unidade surgiu a partir da Recomendação nº 45/2013 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), voltada à preparação dos estados para a Copa do Mundo, passou pelas mudanças trazidas pela revogação do Estatuto do Torcedor e pela criação da Nova Lei Geral do Esporte, em 2023, e chegou ao reconhecimento nacional ao ser referência para a Recomendação nº 662/2025 do CNJ.
“O diferencial do nosso Estado é que quando acabou a Copa do Mundo, o Governo se movimentou para que a Arena Pantanal não ficasse parada e passamos a receber inúmeros jogos de equipes importantes e grandes eventos. Havia uma demanda reprimida e o Juizado permaneceu ativo, enquanto outros Estados desativaram o Juizado do Torcedor e Grandes Eventos”, contou.
Mulher de cabelos longos e escuros, vestindo blusa preta com detalhes em branco, gesticula com a mão esquerda enquanto fala ao microfone em um evento.A continuidade das atividades permitiu que o Juizado se aperfeiçoasse e acompanhasse as mudanças promovidas pela legislação. Um dos pontos destacados pela magistrada foi à Nova Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.597/2023), que passou a responsabilizar as torcidas organizadas. “Antes as torcida cobriam os rostos e os crimes ficavam sem identificação, agora com a nova legislação quando o membro que cometeu a infração não é identificado à torcida passa a ser punida”, disse a magistrada.
Patrícia Ceni também destacou que os casos de Direito do Consumidor estão entre as ocorrências mais comuns em grandes eventos. “Por exemplo, se a pessoa compra uma entrada no camarote e não tem acesso ao local, ou se promete determinados serviços e eles não são cumpridos, realizamos no local uma audiência de conciliação com o representante do organizador para resolver a situação. Nesse casos temos 100% de acordos atingidos”, pontua.
Outro exemplo apresentado foi a Sala Lilás, espaço criado em 2025, a partir do show do Guns N’ Roses na capital. Uma ação conjunta do Poder Judiciário e do Governo do Estado de Mato Grosso que oferece atendimento humanizado a mulheres, crianças e pessoas em situação de vulnerabilidade durante grandes eventos. “Um espaço de acolhimento, um ambiente humanizado, seguro e sigiloso. Se essa vitima precisar de uma medida protetiva posso deferir ali mesmo no local. E depois o processo é encaminhado à vara de violência doméstica”, detalhou.
Para a magistrada, o Juizado do Torcedor e Grandes Eventos garante uma resposta rápida e efetiva, com análise célere dos fatos, concessão de medidas de urgência quando necessárias e garantia de proteção a vítima no próprio evento. “Asseguramos dignidade, segurança e efetividade da tutela jurisdicional”, finalizou Ceni.
Em seguida o painel “Entre Algoritmos e Humanidade: o Futuro dos Juizados Especiais” reuniu para um bate papo o juiz titular do 4º Juizado Especial Cível de Cuiabá, Antonio Horácio da Silva Neto e o presidente da Comissão de Inteligência Artificial da OAB-MT, Daniel Roque Sagin.
Ao abrir a discussão, o magistrado observou que a sociedade atravessa uma nova transformação histórica. “Passamos pela revolução agrícola, pela revolução industrial e hoje estamos vivendo uma revolução algorítmica. A própria pergunta sobre o que é justiça passa a exigir novas reflexões”, afirmou.
Daniel Sagin destacou que a inteligência artificial alterou a forma de trabalhar dos operadores do Direito e chamou atenção para o que ele chama de vieses algorítmicos.
“As IA’s são treinadas a partir de informações produzidas por seres humanos. O juiz tem um viés, o advogado tem um viés e as ferramentas também têm, porque foram treinadas por humanos. Se dermos um prompt com dados de quando as mulheres não tinham direitos ou não existiam leis trabalhistas, a resposta da ferramenta será diferente quando fizermos uma pergunta relacionada a qualquer questão trabalhista”, observou.
O advogado ressaltou que a inteligência artificial já produz ganhos significativos de eficiência para advogados e magistrados. Segundo ele, as ferramentas permitem reduzir o tempo gasto com tarefas repetitivas e ampliar a dedicação às estratégias jurídicas e ao atendimento dos clientes.
“Antes, grande parte do tempo era consumida em pesquisa de legislação, jurisprudência e análise de processos. Hoje a inteligência artificial pode auxiliar nessas atividades e permitir que o profissional dedique mais tempo à estratégia e à solução dos problemas apresentados pelo cliente”, detalhou.
Para o juiz Antonio Horácio, a tecnologia deve servir como instrumento de apoio, mas jamais substituir a análise humana dos conflitos. “A jurisdição não nasce de números. Ela nasce de uma necessidade, de uma dor. E as máquinas não estão preparadas para vivenciar isso”, afirmou.
O magistrado destacou que ao mesmo tempo em que se busca celeridade, a Justiça não pode perder de vista a finalidade para a qual foi criada. “Não podemos transformar o jurisdicionado em um simples número. A tecnologia que auxilia o juiz é bem-vinda, mas jamais poderá substituir a consciência decisória e a humanização que fazem parte da atividade jurisdicional”, destacou.
Apesar dos benefícios, ambos defenderam a necessidade de capacitação permanente. Daniel Sagin afirmou que compreender conceitos relacionados à inteligência artificial será indispensável para os profissionais do Direito nos próximos anos. “Mais de 50 mil ferramentas de inteligência artificial estão disponíveis atualmente. Quem não dedicar tempo para compreender como elas funcionam corre o risco de ficar para trás”, alertou o advogado.
Ao encerrar o painel, o juiz Antonio Horácio reforçou que o futuro dos Juizados Especiais passa pelo equilíbrio entre inovação tecnológica e valores humanos.
“Podemos ter uma Justiça fria, automatizada e estatística, ou uma Justiça tecnologicamente eficiente, mas profundamente humana. Os algoritmos podem auxiliar, mas jamais substituir a consciência do magistrado. A verdadeira inteligência da Justiça continuará sendo humana”, concluiu.

Autor: Larissa Klein

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Fotografo: Rodrigo Moura

Departamento: Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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