Tribunal de Justiça de MT

TJMT apresenta experiências para expansão da Justiça Restaurativa durante encontro nacional

Publicado em

Experiências de sucesso desenvolvidas pelo Poder Judiciário de Mato Grosso na área da Justiça Restaurativa foram apresentadas nesta quinta-feira (19 de outubro), durante o painel “A experiência da implantação e expansão da Justiça Restaurativa no Estado de Mato Grosso”, no “I Encontro Nacional de Justiça Restaurativa e a Transformação da Cultura Institucional”, realizado em Cuiabá. Promovido em parceria com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o encontro reuniu na capital mato-grossense os principais projetos desenvolvidos em diferentes Estados para a promoção da cultura da paz.
 
As apresentações contaram com a presença da presidente do Poder Judiciário de Mato Grosso e presidente do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur), desembargadora Clarice Claudino da Silva, do ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e coordenador do Comitê Gestor da Justiça Restaurativa do CNJ, Luiz Philippe Vieira de Mello, do professor de Sociologia da Eastern Mennonite University do Estado da Virgínia (EUA), Vernon Eugene Jantzi e do juiz auxiliar da presidência do Tribunal de Justiça e coordenador do (NugJur), Túlio Duailibi.
 
O painel foi presidido juíza do Tribunal Justiça do Estado do Paraná e membro do Comitê Gestor da Justiça Restaurativa do CNJ, Jurema Carolina da Silveira Gomes.
 
A assessora especial da presidência do Tribunal de Justiça de Mato Grosso para a Justiça Restaurativa, Katiane Boschetti da Silveira, abriu os trabalhos apresentando a estratégias para a implementação da Justiça Restaurativa como Política Pública de Pacificação Social, e os conceitos que envolvem o Projeto ‘Servidores da Paz’, implantado com a meta de fortalecer e restaurar relações de trabalho, pautadas na vivência dos Círculos de Construção de Paz.
 
Com apenas três meses de implantação, o ‘Servidores da Paz” já atingiu a marca de 1.300 servidores alcançados pelos círculos de construção de paz, atendidos durante os 149 círculos, aplicados pelos 191 facilitadores formados pelo Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur), desde o mês de junho.
 
Para a pacificação no ambiente escolar, o Poder Judiciário de Mato Grosso também tem percorrido o Estado sensibilizando parceiros públicos sobre a importância das práticas restaurativas, com especial atenção para o combate à evasão e violência escolar. Nesse processo, a participação das comarcas tem papel estratégico para a implementação da Justiça Restaurativa como Política Pública de Pacificação Social. São elas [comarcas] as responsáveis por tornar a sociedade cada vez mais próxima de conceitos sociais, como Justiça Restaurativa, pacificação social, solução pacificada de conflitos e círculos de construção de paz.
 
Desde o início da gestão da desembargadora Clarice Claudino da Silva como presidente do Poder Judiciário de Mato Grosso, a Justiça Restaurativa já alcançou mais de 15 mil pessoas através dos Círculos de Construção de Paz. Até o final deste ano, terão sido realizados 66 cursos de formação, com mais de 1.300 horas/aula aplicadas no desenvolvimento de 1.000 novos facilitadores. De abril a setembro, também foram realizadas 20 palestras de sensibilização em comarcas do Estado, com um total de 2.900 pessoas atendidas pelos efeitos curativos dos círculos de paz.
 
“A implementação da Justiça Restaurativa como política de pacificação social, assim como o projeto ‘Servidores da Paz’, vem ao encontro da política preconizada pela gestão da desembargadora Clarice Claudino, que tem como lema ‘Semear a Paz e Fortalecer a Justiça’. O trabalho visa instrumentalizar servidores e a sociedade para o uso das práticas restaurativas no dia a dia, como metodologia para fortalecer e restaurar relacionamentos, curando traumas e evitando conflitos. Dificilmente vamos entregar algo que não vivemos antes. Mas quando nós temos pessoas que se relacionam melhor e se sentem pertencentes, certamente teremos trabalhos produzidos com melhor qualidade, relacionamentos mais amorosos, menos dores sociais e muito mais pessoas se sentido amadas e acolhidas, e retribuindo isso para a sociedade”, afirmou Katiane Boschetti.
 
Em Campo Verde, a juíza Maria Lúcia Prati, titular da 2ª Vara e coordenadora do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), foi a responsável por implantar o projeto “Eu e Você na Construção da Paz”, que tem entre seus diferenciais, a promulgação da Lei Municipal nº 2866/2022, que institucionalizou o Programa de Construção de Paz dentro das escolas, se tornando referencia para outras comarcas.
 
A implantação do Termo de Comunicação de Revelação Espontânea de Violação de Direitos é outro dos diferenciais trazidos pelo projeto. No termo, os facilitadores, ao tomarem conhecimento de algum tipo de violação de direito praticado contra crianças ou presenciado por elas no ambiente familiar e relatados durante o círculo de paz, deverão indicar via formulário específico, o grau de violência sofrido pela criança e encaminhar o apontamento para o Conselho Tutelar, ou um dos entes públicos que fazem parte da Rede de Proteção criada para a garantia de direitos.
 
“O programa é estruturado em quatro eixos, que são relacional, institucional, social e pedagógico. O foco preventivo é que o aluno aprenda a compreender o conflito, que nem sempre é negativo, e sim uma oportunidade de mudança, e a partir de um olhar sensibilizado possam entender o ponto de vista do outro, e nesse lugar de empatia, o conflito acabe sendo evitado. Ao trabalhar valores essenciais dentro das escolas, crianças e adolescentes acabam se mostrando mais colaborativos e menos resistentes às necessidades do outro”, explicou a juíza Maria Lúcia Prati.
 
A juíza Cristhiane Trombini Puia Baggio, titular da 2ª Vara Cível e coordenadora da Justiça Restaurativa da Comarca de Lucas do Rio Verde, apresentou o projeto “Retorno Pacificado à Escola”, iniciado por ela em 2021 durante sua passagem pela Comarca de Tangará da Serra, após o município aderir a estratégia ‘Busca Ativa Escolar’, do Selo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).
 
A estratégia consiste em auxiliar os municípios no combate à evasão escolar, por meio do mapeamento e retorno dos estudantes que estão fora das escolas. Se mesmo após o contato do ‘Busca Ativa’, a criança, adolescente ou familiares demonstram resistência para o retorno à escola, o Poder Judiciário passa a atuar na sensibilização dessa família, com a realização dos Círculos de Construção de Paz.
 
Com o tratamento de conflitos, a conscientização sobre a responsabilidade dos pais com as crianças e a reestruturação das famílias, é possível garantir, com maior efetividade, o retorno dos menores à escola.
 
“O Retorno Pacificado à Escola é um projeto de combate à evasão escolar, realizado em parceria com o município, em que o Judiciário começa a atuar no momento em que o município encontra dificuldades para o retorno do aluno ao ambiente escolar. É nesse momento que aplicamos as práticas restaurativas, no sentido de sensibilizar o aluno para o retorno à escola. E mesmo nos casos em que a ‘Busca Ativa’ obteve êxito, a Justiça Restaurativa continua atuando no sentido de gerar naquele aluno, o sentimento de pertencimento e a permanência no ambiente escolar, explicou a juíza Cristhiane Baggio, idealizadora do projeto.
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Primeira imagem: fotografia mostrando o publico em primeiro plano. Ao fundo, no palco, os palestrantes. Segunda imagem: juíza Maria Lúcia Prati, da Comarca de Campo Verde, está em pé e fala ao microfone. Terceira imagem: juíza Cristhiane Trombini Puia Baggio, da Comarca de Lucas do Rio Verde, está em pé e fala ao microfone.
 
 

 
 
Naiara Martins/Fotos: Alair Ribeiro    
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Leia Também:  Pontes e Lacerda encerra Semana da Justiça Pela Paz em Casa com quase 50 audiências e palestras

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

Tribunal de Justiça de MT

42º Gemam reforça atualização da magistratura diante de desafios sociais complexos

Published

on

Homem com cabelos grisalhos e barba, fala direcionando o olhar para baixo e para a esquerda. Ele usa paletó azul e camisa social cinza. Um microfone da A evolução constante da sociedade e o surgimento de novos desafios exigem do Poder Judiciário uma resposta igualmente dinâmica e qualificada. Com esse enfoque, o desembargador Márcio Vidal, diretor da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), abriu o 42º Encontro do Grupo de Estudos da Magistratura de Mato Grosso (Gemam) ao destacar que a busca por conhecimento é contínua e essencial para enfrentar problemas sociais que acompanham o avanço do tempo.

A afirmação de Vidal sintetiza o espírito do encontro realizado na última sexta-feira (19 de junho), no Tribunal do Júri de Rondonópolis, que reuniu magistrados(as) em uma programação técnica voltada à discussão de temas atuais e sensíveis à prestação jurisdicional.

Na abertura do encontro, o desembargador ressaltou que o Judiciário precisa acompanhar as transformações sociais, que evoluem junto com o avanço tecnológico, mas também trazem novos problemas.

Ao comentar a temática da palestra inicial, intitulada “Juventude em risco: O desafio das drogas no portão da escola e a proteção da vida por meio da internação compulsória para todos”, Vidal chamou atenção para a complexidade da questão das drogas entre jovens, classificando-a como um tema bastante sensível para toda a sociedade. Segundo o desembargador, o papel do Judiciário é justamente se manter atento e buscar constantemente novos modelos de atuação.

Homem de cabelos escuros e curtos, vestindo paletó azul e camisa branca, concede entrevista olhando para o lado esquerdo. Um microfone preto aparece em primeiro plano e o fundo está desfocado.Representando a Corregedoria-Geral da Justiça, o juiz auxiliar Jorge Alexandre Martins Ferreira reforçou o apoio institucional ao evento e destacou o impacto da atualização contínua na qualidade das decisões. “É muito importante que o juiz se qualifique vendo coisas novas”, afirmou, ao comentar a relevância da palestra com o psiquiatra convidado, Diego de Souza Vacari.

Ferreira acrescentou que o contato com dados atuais permite compreender melhor a realidade social, citando como exemplo a evolução do potencial das drogas ao longo das décadas. “São fatos que a gente vê no dia a dia e que mostram que precisamos estar sempre reaprendendo”, completou.

Leia Também:  Pontes e Lacerda encerra Semana da Justiça Pela Paz em Casa com quase 50 audiências e palestras

Construção coletiva fortalece a magistratura

Mulher de cabelos longos e escuros fala ao microfone. Ela veste blazer off-white e brincos de argola. Ao fundo, um painel verde exibe a imagem da estátua da Justiça com a balança.A proposta do Gemam como espaço de construção coletiva foi enfatizada pela coordenadora do grupo, juíza Alethea Assunção Santos. Segundo ela, o diferencial está na produção acadêmica conduzida pelos próprios magistrados(as). “A construção é feita pelos próprios juízes e, a partir das discussões, são elaborados enunciados orientativos para a prestação jurisdicional. Isso é muito importante porque enriquece o nosso trabalho, enriquece a prestação jurisdicional e serve como capacitação profissional e também pessoal para os magistrados de Mato Grosso”, explicou.

Ela destacou ainda que os temas debatidos refletem diretamente os desafios enfrentados nas unidades judiciais. “São dificuldades que encontramos no dia a dia da prestação jurisdicional e, a partir desses debates, conseguimos levar mais segurança para as decisões”, pontuou, ressaltando que o resultado é um serviço mais qualificado à população.

Mulher de cabelos escuros e batom vermelho sorri ao conceder entrevista. Ela veste blusa verde-escura sem mangas. Um microfone da A realização do encontro em Rondonópolis foi celebrada pela juíza diretora do Foro, Aline Bissoni, que destacou a importância institucional do evento. “É uma honra receber o Gemam, um grupo que realmente traz temas muito relevantes para o nosso desenvolvimento”, afirmou. Para ela, a abordagem interdisciplinar amplia a visão dos magistrados sobre questões complexas.

Atuando na área criminal, a magistrada destacou o impacto prático do conteúdo apresentado. “Ouvir o psiquiatra falar de forma técnica sobre os malefícios das drogas e como elas se tornaram mais nocivas faz toda a diferença para que possamos julgar melhor”, disse.

Homem de óculos fala ao microfone, gesticulando com a mão esquerda. Ele veste terno escuro, camisa clara e gravata amarela listrada. Ao fundo, uma parede verde e um banner com a deusa da justiça.No campo interdisciplinar, o psiquiatra Diego Vacari, responsável pela palestra de abertura, enfatizou a importância do diálogo entre diferentes áreas. Ele destacou como positiva a aproximação da magistratura com o tema. “A magistratura está cada vez mais interessada nessa situação, e isso é fundamental para desmitificar e aproximar saúde mental e justiça”, afirmou.

Leia Também:  Poder Judiciário funciona em regime de plantão neste fim de semana

Vacari alertou ainda para o aumento do consumo de drogas entre crianças e adolescentes, fenômeno que, segundo ele, ocorre em escala global. “Os jovens estão usando drogas cada vez mais cedo, muitas vezes dentro da escola ou nas proximidades”, disse. Para o especialista, o enfrentamento do problema depende de atuação conjunta. “Se não houver união entre saúde, justiça, segurança pública e educação, não vamos conseguir diminuir esses índices”.

Mulher de cabelos longos e ondulados fala ao microfone, com a mão direita fechada. Veste camisa estampada verde e branca e saia escura. Ao fundo, parede verde e pontas de mastros de bandeiras.Outro destaque foi o painel sobre litigância abusiva, no qual a juíza Cristiane Padim da Silva apresentou proposta para aprimorar o monitoramento de demandas predatórias. “A ideia é registrar a Recomendação 159 do CNJ nas decisões em que houver abuso do direito de ação, para que possamos traçar estratégias mais eficientes”, explicou. Segundo ela, a medida busca garantir que o sistema de justiça seja mais acessível a quem realmente precisa. A magistrada também ressaltou a importância do encontro como espaço de troca. “A gente sai daqui cheio de ideias, de motivação, com mais preparo para a atuação diária”, afirmou.

Além das discussões sobre saúde mental, drogas e litigância abusiva, o 42º Gemam contou ainda com painéis voltados a outros temas relevantes para a atuação jurisdicional. Foram abordados o controle judicial do orçamento público e a aplicação de emendas parlamentares frente à discricionariedade e abuso de poder, o tratamento ambulatorial e as medidas de segurança aplicáveis a réus com doença mental, bem como o conceito e as implicações da chamada “purga da mancha probatória”.

Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.

Autor: Lígia Saito

Fotografo: Rodrigo Moura

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

GRANDE CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA