Tribunal de Justiça de MT

TJMT reúne especialistas para discutir masculinidade, poder e proteção às mulheres

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A manhã desta quinta-feira (11) no Tribunal de Justiça de Mato Grosso foi marcada por um clima de acolhimento, escuta e reflexão profunda. Enquanto o auditório do Espaço Justiça, Cultura e Arte Desembargador Gervásio Leite começava a se encher, profissionais de diferentes áreas, da segurança pública ao Judiciário, passando pela saúde, assistência social e educação, chegavam com um propósito comum: fortalecer a rede que protege mulheres e meninas em situação de violência no estado.

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O II Encontro das Redes de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, que começou na quarta-feira (10), segue reunindo especialistas de vários cantos do país para pensar soluções conjuntas. A proposta do evento é simples, mas profunda: unir conhecimento técnico com sensibilidade humana para melhorar a vida de quem mais precisa.

A desembargadora Maria Erotides Kneip, coordenadora da Cemulher-MT, abriu o segundo dia de encontro lembrando que a violência contra a mulher não começa no ato em si, mas em construções sociais antigas, que precisam ser entendidas e superadas.

“Neste segundo encontro de Redes, nós pensamos em discutir primeiro quais são verdadeiramente as origens da violação de direitos humanos de mulheres. O que historicamente justifica isso?”, afirmou.

Ela explicou que a Rede precisa funcionar com clareza e responsabilidade para garantir proteção real. “Chegou uma notícia dentro da Rede, como essa notícia vai ser tratada pelas instituições? Isso precisa ser visto também em comparação com outros estados”, completou.

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Maria Erotides destacou que a presença do juiz Marcelo Gonçalves de Paula fortalece ainda mais essa reflexão. “Ele tem uma experiência maravilhosa com esse trabalho e veio discutir isso com o nosso pessoal”, disse. A desembargadora também explicou que, ao longo do dia, os participantes ainda iriam aprofundar temas como vulnerabilidades ligadas às masculinidades e trabalhar na elaboração de uma carta com princípios e ações para o fortalecimento das Redes em Mato Grosso.

O 2º painel da manhã, “Masculinidade, Poder e Violência – Atuação das Redes de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher e Meninas”, trouxe um dos assuntos mais sensíveis e necessários do encontro. A mesa foi presidida pela juíza Rosangela Zacarkim dos Santos e teve como debatedores a juíza Ana Paula Gomes de Freitas e o juiz Leonísio Salles de Abreu Junior.

O juiz Marcelo Gonçalves de Paula, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, conduziu a palestra com um olhar direto para a raiz do problema: o comportamento de homens agressores e as estruturas sociais que moldam essa masculinidade. “Precisamos trazer a discussão do que está no interior desse homem, discutir essas estruturas de comportamento, o que marca essa masculinidade e o que, muitas vezes, pode levar à violência”, afirmou.

Ele ressaltou que compreender esse processo é fundamental para que a Rede consiga agir de forma mais eficaz. O magistrado também destacou a importância dos grupos reflexivos, que trabalham diretamente com homens autores de violência para evitar reincidências e promover mudanças reais.

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“Quando a gente se une, quando os tribunais trocam experiências, possibilitamos a construção de uma política que funciona no país inteiro. A violência de gênero não é só de Mato Grosso ou de Minas Gerais, ela nos afeta como um todo”, defendeu Marcelo de Paula.

Para ele, o encontro representa justamente esse movimento de união e aprendizado. “O Tribunal de Mato Grosso está de parabéns ao promover esse segundo encontro da Rede. Esse tipo de conexão fortalece a Rede e, consequentemente, o combate à violência de gênero”.

Com diálogos profundos, relatos reais e troca de conhecimentos entre magistrados e profissionais de várias áreas, o encontro segue fortalecendo uma Rede que trabalha todos os dias para garantir proteção e dignidade a mulheres e meninas em todo o estado.

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Tribunal de Justiça de MT sedia II Encontro das Redes de Enfrentamento à Violência Doméstica

Autor: Flávia Borges

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Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Círculos de Paz transformam diálogo em ferramenta de acolhimento em escola de Várzea Grande

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Escutar, acolher e fortalecer vínculos. É por meio dessas ações que estudantes da Escola Municipal de Educação Básica (EMEB) Joaquim da Cruz Coelho, em Várzea Grande, estão vivenciando uma experiência que vai além da sala de aula. A unidade foi escolhida para receber o projeto Raízes da Paz: Cultivando Diálogo e Fortalecendo Vidas, iniciativa do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (CEJUSC) da Comarca de Várzea Grande, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (SMECEL).

A escola funciona como unidade piloto do projeto, que prevê encontros periódicos com estudantes, professores, servidores e famílias ao longo de 2026. A proposta é criar espaços seguros de escuta e reflexão, contribuindo para o fortalecimento das relações e para a construção de um ambiente escolar mais acolhedor.

De acordo com o juiz da Vara Especializada da Infância e Juventude de Várzea Grande, Tiago Souza Nogueira de Abreu, a iniciativa foi direcionada inicialmente para unidades escolares que enfrentam maiores desafios sociais. “O objetivo do projeto é trabalhar inicialmente com as escolas mais vulneráveis. Vamos aplicar o método que estabelecemos no CEJUSC e, após avaliar os resultados, estudar formas de ampliar, aperfeiçoar e replicar essa experiência. A ideia é humanizar e melhorar o ambiente das escolas que apresentam mais dificuldades, especialmente aquelas onde há relatos de adolescentes envolvidos em atos infracionais”, destacou o magistrado.

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Desde o início do ano, a equipe do projeto realizou reuniões de planejamento, visitas técnicas, ações de sensibilização da comunidade escolar e encontros com pais e responsáveis. Em março, foram iniciados os Círculos de Construção de Paz com os estudantes do Ensino Fundamental II, conduzidos por facilitadores capacitados em Justiça Restaurativa.

Acolhimento que gera transformação

Para a diretora da EMEB Joaquim da Cruz Coelho, Rosalina Marques de Almeida, o projeto tem contribuído para identificar e compreender as dificuldades enfrentadas pelos alunos, muitos deles em situação de vulnerabilidade social. “Fomos agraciados com esse trabalho voltado para nossas crianças. Temos alunos que vivem realidades muito difíceis e os círculos têm sido fundamentais porque permitem identificar suas dores e trabalhar questões sociais, psicológicas, afetivas e emocionais. Esse atendimento está ajudando as crianças, a escola e toda a comunidade”, afirmou.

Segundo a gestora, as atividades têm proporcionado um importante processo de acolhimento e fortalecimento emocional dos estudantes. “Não temos como passar pela vida dessas crianças sem oferecer acolhimento e oportunidades de transformação. É isso que estamos recebendo com esse trabalho desenvolvido na escola”, completou.

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A programação prevê a realização de novos círculos ao longo do ano, sendo concluída com uma solenidade de encerramento, em novembro. A expectativa é que os resultados obtidos na unidade sirvam de base para a expansão da iniciativa para outras escolas da rede municipal.

Autor: Roberta Penha

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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