Tribunal de Justiça de MT

Tribunal de Justiça promove capacitação para menores infratores com foco na ressocialização

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Adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas participaram do curso “Empreendedorismo para as Adolescentes em Conflito com a Lei”, promovido pela Coordenadoria da Infância e Juventude (CIJ) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). A oficina ocorreu no sábado (6 de abril), na Escola dos Servidores do Poder Judiciário, em Cuiabá, onde as jovens aprenderam técnicas para colocação de cílios. O objetivo é proporcionar capacitação e oportunidades para as jovens e promover a empregabilidade das adolescentes.
 
A gestora da CIJ, Wanderléia da Silva Dias, explica que a ação põe em prática o programa “Fazendo Justiça”, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), visando à ressocialização. Ela ressalta a importância da capacitação para a reinserção no mercado de trabalho, destacando o papel do Senac nesse processo. “A ressocialização não é possível sem capacitação. Desde 2020, temos trabalhado em parceria com o Senac e outras instituições. Quando a adolescente progride para o meio aberto, ela já tem uma renda, por isso damos essa oportunidade de capacitação para que ela tenha independência financeira, para que ela consiga sair com uma profissão.”
 
Wanderléia destaca ainda a importância da união entre os poderes para o desenvolvimento das ações. “Dentro do programa Fazendo Justiça, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso colocou como meta da Coordenadoria da Infância e Juventude a empregabilidade e profissionalização. Como as medidas socioeducativas não envolvem somente o Judiciário, o [Poder] Executivo é parceiro, liberando as adolescentes, que estão acompanhadas das agentes do Centro Socioeducativo para proporcionar essa oportunidade para elas.”
 
A capacitação visa abrir um novo caminho para Rosa*, uma jovem de 17 anos que vê nessa oficina uma chance para quando voltar à sociedade. Atualmente, ela trabalha no Fórum de Cuiabá, por intermédio da CIJ, com o mesmo foco da ressocialização. Rosa marca audiências, faz despachos, com o acompanhamento de agentes do Centro Socioeducativo. “É o meu primeiro trabalho lá no fórum e estou achando maravilhoso. Eu tive muitas oportunidades lá dentro para estar trabalhando e hoje estou aqui também para aprender a colocar cílios. Esse curso eu acho muito bom porque para nós, que não tínhamos nada, que não sabíamos fazer nada, vamos sair sabendo fazer algumas coisas. É mais uma oportunidade.”
 
Em meio ao aprendizado, o olhar curioso das jovens demonstrava a empolgação em aprender algo novo, que poderá ser uma porta para novos horizontes. É a esperança nos olhos de Vanessa*, que há seis meses está no Centro Socioeducativo e, nesse período, já fez cursos de cabeleireiro, unha e sobrancelha. Questionada sobre o interesse em fazer tantos cursos, ela responde: “ocupa mais nosso tempo e também é uma boa possibilidade para conseguir emprego lá fora. Estou adorando o curso, é muito bom. É mais uma oportunidade e espero que tenham outros [cursos].”
 
Quem também estava atenta às técnicas repassadas pela instrutora foi Fabiana*, que está no Centro Socioeducativo há seis meses. Com 16 anos, a jovem também fez outros cursos desde que começou a cumprir a medida de internação. “Já fiz oficina de design de sobrancelha, manicure e pedicure e também de cabeleireira. Me interessei em fazer esse curso de colocação de cílios porque eu quero ter uma oportunidade de emprego lá fora. Quero mudar de vida e para isso esses cursos me ajudam bastante. É um alicerce para a gente”, afirma a jovem.
 
Parceiro – O assistente pedagógico do Senac, Djalma Oliveira ressalta a importância da parceria com a CIJ para o futuro das jovens. “É uma ação para que elas se sintam incluídas na sociedade novamente e tenham uma profissão em algo que elas gostem, sigam seu futuro e sejam reinseridas na comunidade.”
 
Andréa Martins dos Santos foi quem ministrou o curso. A técnica, o look francês, consiste na colocação de cílios que tem durabilidade de dez dias, em média. A técnica é fácil, os materiais são acessíveis e geram uma ótima renda. As adolescentes aprenderam sobre todo o material utilizado, higiene e limpeza dos produtos. “É muito importante ensinar as questões sobre o cuidado com o cliente, como utilizar os materiais, que são simples e acessíveis, a higiene e a colocação dos cílios. Passamos uma tarde maravilhosa com as jovens, me encantei com elas, são muito dedicadas e eu sei que serão grandes profissionais”, comentou.
 
A instrutora diz que os benefícios dessa oportunidade proporcionada às adolescentes são vários. “É uma nova oportunidade em busca de um mercado que mais cresce, que é a área da beleza, tendo aí muitas opções para que elas saiam profissionalizadas para saberem que elas podem conquistar a sua vida financeira e sua independência. É uma oportunidade para empreender, tanto de forma particular, como em salão de beleza.”
 
Iniciativas de ressocialização – Essa não é a primeira iniciativa do TJMT em parceria com instituições de ensino e capacitação profissional para promover a reinserção social e o desenvolvimento pessoal de adolescentes em conflito com a lei. Desde 2021, por meio do Termo de Cooperação Técnica n° 07/2021, firmado com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), diversas ações têm sido realizadas, incluindo a prestação de serviços à comunidade e a certificação em cursos de qualificação profissional.
 
O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece medidas socioeducativas para jovens entre 12 e 18 anos que cometem atos infracionais. Essas medidas visam, também, educar e ressocializar adolescentes, oferecendo-lhes oportunidades de capacitação e desenvolvimento pessoal.
 
*Os nomes das jovens são fictícios para preservar suas identidades.
 
#Paratodosverem
Esta matéria possui recursos de texto alternativos para promover a inclusão de pessoas com deficiência visual.
Descrição das imagens. Foto 1: imagem horizontal colorida. Em primeiro plano está uma mesa, com um pote branco e dois cílios pretos desenhados. Em segundo plano, desfocado, estão as quatro adolescentes sentadas e a instrutora em pé.
Foto 2: gestora da CIJ, Wanderléia em entrevista à TV.Jus. Ela é uma mulher loira, branca, de cabelos cacheados, usa uma blusa branca e uma corrente dourada com pingente de cruz.
Foto3: imagem colorida em close do olho de uma das adolescentes refletido no espelho.
Foto 4: imagem colorida horizontal em ângulo fechado da instrutora demonstrando em uma das jovens a colocação do cílios. A jovem está de máscara, sentada.
Foto 5: imagem colorida em ângulo fechado mostrando a colocação do cílios em uma das adolescentes.
 
Dani Cunha/Fotos: Ednilson Aguiar
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Judiciário de Mato Grosso inicia programação da III Semana Nacional dos Juizados Especiais

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O Poder Judiciário de Mato Grosso iniciou nesta segunda-feira (15) a programação da III Semana Nacional dos Juizados Especiais. Preparadas por meio do Departamento de Apoio aos Juizados Especiais (DAJE), vinculado à Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ-TJMT), as atividades incluem capacitação, reconhecimento de boas práticas e discussões sobre o presente e futuro dos Juizados Especiais.

Colocando em pauta o tema “Fortalecer os Juizados Especiais é fortalecer a Justiça”, a mobilização nacional coordenada pelo Conselho Nacional de Justiça e operacionalizada pelos tribunais segue até a próxima sexta-feira (19). Em Mato Grosso, a abertura da programação foi realizada no Complexo dos Juizados Especiais Desembargador José Silvério Gomes, em Cuiabá.

Em sua fala aos mais de setecentos participantes, entre presenciais e virtuais, o presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargador José Zuquim Nogueira fez questão de agradecer todos os integrantes do sistema de juizados pela dedicação e amor empenhados diariamente. Segundo ele, esse é um sistema que potencializa o atendimento das demandas reprimidas.

“Demandas reprimidas exigem prontidão, comprometimento e celeridade. Vivemos um tempo em que não se admite mais um juiz dentro de uma redoma. Deve haver participação na sociedade, para que nós possamos fortalecer todo o nosso sistema judiciário. Por isso, externo aos integrantes dos Juizados Especiais a minha gratidão e alegria de participar deste momento”, disse Zuquim.

Pioneirismo

O corregedor-geral da Justiça, desembargador José Luiz Leite Lindote enfatizou a importância dos Juizados Especiais para a sociedade e para o Judiciário. Nesse contexto, apontou que Mato Grosso sempre foi pioneiro, sendo um dos primeiros no país a implantar esse modelo e se destacando desde que o sistema ainda era chamado de “Juizado de Pequenas Causas”.

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“Essa é a porta de entrada do cidadão no Judiciário. É onde se julga a maioria das ações sem custos e de pequenos valores. É um modelo que garante acesso a todos os cidadãos, principalmente os mais carentes, resolvendo problemas que, às vezes, são pequenos para o Judiciário, mas de valor inestimável para as pessoas que recebem a prestação do serviço”, comentou.

Para o presidente do Conselho de Supervisão dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais de Mato Grosso, desembargador Sebastião de Arruda Almeida, a Semana Nacional permite um momento de reflexão sobre o passado e o futuro. “O valor que os Juizados Especiais alcançaram é graças ao trabalho de pioneirismo, resistência e por vontade que esse sistema tivesse a dimensão que hoje tem”, lembrou o desembargador.

O desembargador Carlos Alberto Alves da Rocha, um dos entusiastas dos Juizados Especiais, reforçou a importância desse trabalho. “Continuem acreditando nos Juizados Especiais, pois muitas pessoas precisam dessa prestação jurisdicional. E, muitas vezes, não é só ação, é uma comunicação, é uma conversa com essas pessoas que a gente resolve o caso dela”, afirmou.

Programação

A programação contou com palestras ministradas por juízes e juízas que atuam nos Juizados Especiais de Mato Grosso. Também foram apresentados projetos como o Programa de Acolhimento e Formação Inicial dos Estagiários, a Exposição Permanente dos Juizados Especiais, o Espaço Colaborativo dos Juízes Leigos e o Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania dos Juizados Especiais do Estado de Mato Grosso (Cejusc dos Juizados Especiais Estadual).

Além disso, foi inaugurada a exposição, que se tornará permanente, “Juizados Especiais de Cuiabá”, que conta com arquivos físicos, equipamentos, togas e outros materiais que contam a história dos Juizados Especiais de Mato Grosso. Também fez parte das atividades desta segunda-feira o lançamento do livro “Uma Justiça, Muitos Brasis”, que tem como coautora a juíza Patrícia Ceni, do Juizado Especial do Torcedor de Cuiabá.

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“O CNJ fez com que nacionalmente fosse realizada, nesta semana, a III Semana Nacional dos Juizados Especiais. É um evento que nos traz grandes reflexões e várias atividades estão sendo implementadas. Temos treinamentos com conciliadores, melhoria nos espaços dos juízes leigos, reuniões e divulgação dos nossos trabalhos”, relatou a dirigente do Complexo dos Juizados Especiais, juíza Valdeci Moraes Siqueira.

Registro de presenças

Participaram da solenidade de abertura o presidente do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec), desembargador Mário Roberto Kono, a desembargadora Juanita Cruz da Silva Clait Duarte, o coordenador do Conselho de Supervisão dos Juizados Especiais, juiz Érico de Almeida Duarte, a presidente da Associação Mato-grossense de Magistrados (AMAM), Jaqueline Cherulli, juízes auxiliares da Presidência do TJMT, juízes auxiliares da Corregedoria-Geral da Justiça e a defensora pública-geral do Estado de Mato Grosso, Maria Luziane Ribeiro de Castro.

Também fizeram pronunciamentos de forma virtual o ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), e a conselheira Andréa Cunha Esmeraldo, coordenadora do Comitê Nacional dos Juizados Especiais (Conaje/CNJ).

Autor: Bruno Vicente

Fotografo: Rodrigo Moura

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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